Colômbia diz ter provas da ligação do Equador com as Farc
da Folha Online
A crise desencadeada pela morte de Raúl Reyes, um dos principais líderes da guerrilha colombiana Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), no último sábado (1º), em ataque colombiano em território do Equador, pode gerar um conflito armado na América do Sul.
O governo da Colômbia pediu explicações sobre a possível ligação entre o Equador e a guerrilha colombiana Farc, depois que documentos encontrados pela inteligência colombiana apontaram para a suposta relação Equador-Farc. O governo do Equador, por meio de seu vice-ministro da Defesa, Miguel Carvajal, desmentiu a informação, qualificando-a como "fabulosa" e questionando de onde esses dados teriam saído.
A exigência da Colômbia ocorre após o presidente do Equador, Rafael Correa --aliado declarado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez--, decretar a ruptura das relações com Bogotá, expulsar o embaixador colombiano de Quito e de reforçar a presença militar na fronteira entre os dois países.
Membros do governo de Álvaro Uribe, presidente da Colômbia, alegam possuir ao menos dois documentos com informações "reveladoras" que demonstrariam a existência de vínculos entre Equador e as Farc. Tais documentos teriam sido encontrados em três computadores capturados durante o ataque que causou a morte de Reyes, segundo informações do diretor da polícia da Colômbia, Óscar Naranjo.
| João Wainer/Folha Imagem |
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| Raúl Reyes, um dos principais líderes das Farc, morto no sábado pela Colômbia |
Os documentos [em pdf] encontrados --disponíveis no site do jornal colombiano "El Tiempo" [em pdf]-- mostram que Reyes teria se reunido com Gustavo Larrea, ministro da Segurança do Equador, para expor seu interesse de oficializar a relação das Farc com o Equador.
De acordo com informações de Naranjo, os documentos mostram ainda que o emissário do governo equatoriano ofereceu levar as Farc a Quito (capital do Equador) porque o presidente Correa desejava discutir a troca de reféns por guerrilheiros das Farc presos na Colômbia, além combinar ações coordenadas comuns na fronteira. O material, com data de 18 de janeiro, também indicaria a reprovação do Equador ao governo de Uribe, chamando-o de "perigoso para a região" e "representante da Casa Branca".
Além da troca de declarações que acirrou o clima de tensão entre os dois países desde o último sábado, Equador foi ainda mais duro e retirou seu embaixador Francisco Suéscum, de Bogotá, e expulsou de Quito o diplomata colombiano Carlos Holguín.
Ao chegar a Quito, o embaixador equatoriano disse que o ataque da Colômbia contra as Farc [que matou Reyes e mais 16 membros da guerrilha], levado a cabo em território equatoriano --região fica na fronteira com a Colômbia--, foi uma "ação de guerra". Durante conversa com jornalistas, Suéscum chamou a operação da Colômbia de "massacre bárbaro, ação contra a paz, contra a vida e contra os direitos humanos".
Após reforçar a fronteira do Equador com o envio de mais tropas, o presidente Correa quer apresentar uma reclamação contra a Colômbia na Corte Internacional de Justiça de Haia (na Holanda) devido ao uso do herbicida glifosato, maléfico à população e à natureza, nas fumigações aéreas de combate às drogas na divisa entre os dois países.
Segundo o Equador, o glifosato não só destruiu plantações de coca e papoula no lado colombiano, mas, levado pelo vento, causou danos irreparáveis a povoações e ao meio ambiente do lado equatoriano.
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