Mundo
03/03/2008 - 14h29

Ex-congressista liberado pelas Farc pede calma a líderes

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da Efe, em Caracas

O ex-congressista colombiano Luis Eladio Pérez, recentemente libertado pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), pediu nesta segunda que os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, do Equador, Rafael Correa, e da Venezuela, Hugo Chávez, mantenham a calma e busquem vias para construir a paz.

O ex-parlamentar, libertado pela guerrilha colombiana com outros três companheiros na última quarta-feira (27), fez estas declarações minutos antes de pegar um avião com destino à Colômbia.

A ex-congressista Gloria Polanco de Lozada considerou positivo que as Farc tenham declarado que a morte de Raúl Reyes Reyes [um dos principais líderes da guerrilha] não afetará o processo que busca a troca de todos os seqüestrados por rebeldes presos.

03.mar.2008/Carlos Hernandez/Efe
O ex-congressista colombiano Luis Eladio Pérez, libertado pelas farc na quarta-feira (27)
O ex-congressista colombiano Luis Eladio Pérez, libertado pelas farc na quarta-feira (27)

Pérez e Polanco de Lozada viajaram nesta segunda-feira à Colômbia. Orlando Beltrán e Jorge Eduardo Géchem permanecerão na Venezuela para realizar exames médicos, de acordo com a informação oficial.

Exames médicos

O ex-congressista Pérez disse que voltará nos próximos dias à Venezuela, antes de ir para Cuba, onde realizará tratamentos médicos, assim como Géchem e Beltrán.

Em relação à atual crise, Pérez recomendou aos líderes da Colômbia, Equador e Venezuela que se acalmem. "Somos pacifistas, desejamos a paz, é preciso manter a calma, diminuir a temperatura", afirmou Pérez, advertindo que "a história não perdoaria" os governos destes três países caso ocorra um eventual enfrentamento bélico.

Pérez considerou inconveniente o pedido dos governos do Equador e Venezuela de pedir "pronunciamentos" de outros países, porque isso seria o mesmo que obrigá-los a tomar uma posição e complicar ainda mais a situação.

A operação militar colombiana que no sábado (1º) passado resultou na morte, no território equatoriano, do porta-voz internacional das Farc, Reyes, gerou uma crise entre o governo da Colômbia e o do Equador e da Venezuela, que inclui a mobilização de tropas para a fronteira por parte de Caracas e Quito.

Embaixada

Chávez ordenou ontem o fechamento da embaixada da Venezuela em Bogotá, sem titular desde novembro passado, enquanto Correa expulsou o embaixador da Colômbia em seu país.

Bogotá anunciou nesta segunda-feira que não mobilizará contingentes militares para as fronteiras com esses dois países.

Tanto Pérez como Polanco lamentaram a situação entre os três países, e defenderam que a crise seja resolvida pela via diplomática.

Pérez disse ainda que vai propor a reativação de uma comissão interparlamentar bilateral, criada na década de 1990, para que os Parlamentos de ambos os países consigam obter um avanço pelo "diálogo positivo".

Ele opinou ainda que os governos de Caracas, Bogotá e Quito devem apelar primeiro às instituições internas, como os Parlamentos, para resolver as diferenças, antes de elevar o nível do conflito para organismos internacionais.

O ex-legislador reforçou sua gratidão a Chávez e à senadora colombiana opositora Piedad Córdoba por suas gestões para a troca humanitária, e afirmou que sua libertação e a de seus companheiros não tivesse sido possível sem a intervenção de ambos.

Chávez e Córdoba também apontaram "uma mudança de mentalidade das Farc", indicando uma "abertura política", o que, de acordo com Pérez, foi evidenciada no comunicado em que a guerrilha manifestou que seguirá com "o processo de busca para a libertação de todos os seqüestrados".

O líder venezuelano, que se declara um lutador pela paz na vizinha Colômbia, foi mediador para a troca junto com Córdoba, mas ambos foram interrompidos por Uribe em novembro passado após quase quatro meses de trabalho.

 

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