Mundo
03/03/2008 - 16h21

ONU e EUA pedem diálogo para solucionar crise na América do Sul

da Folha Online

A ONU e os EUA pediram calma e diálogo nesta segunda-feira para solucionar a crise entre Equador, Colômbia e Venezuela, desencadeada pela morte de Raúl Reyes, um dos principais líderes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), no último sábado (1º), em ataque colombiano em território do Equador.

A crise provocou repercussão mundial com a possibilidade de um conflito armado na região. Diversos líderes e governantes se manifestaram nesta segunda-feira sobre o assunto.

Ao menos 17 guerrilheiros das Farc morreram no ataque do Exército da Colômbia em território equatoriano.

O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, expressou sua preocupação com o aumento da tensão entre Colômbia, Venezuela e Equador, pedindo aos países que solucionem seus problemas por meio do diálogo.

Ban "está preocupado com o aumento das tensões e com a retórica que surgiu durante o fim de semana entre Colômbia e seus vizinhos Equador e Venezuela", disse a porta-voz de Ban, Michele Montas, em um comunicado.

O ex-ditador cubano Fidel Castro afirmou, em artigo, que "se ouvem com força" na América do Sul "as trombetas da guerra, em conseqüência dos planos genocidas do império ianque", em referência à crise envolvendo Colômbia e Equador. "Nada é novo! Estava previsto!", acrescenta Fidel.

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, afirmou que a Colômbia deve uma explicação ao Equador e a todos os países da América Latina por ter invadido a fronteira equatoriana na operação que terminou com a morte de Raúl Reyes.

"Uma situação desta natureza sem dúvida carece de uma explicação por parte da Colômbia aos equatorianos, ao presidente equatoriano e ao conjunto da região", afirmou a presidente à rádio ADN de Santiago.

Já o presidente do Paraguai, Nicanor Duarte, condenou a "agressão à soberania" do Equador pela operação militar colombiana realizada no último sábado, que resultou na morte de Reyes.

"Nós condenamos qualquer agressão à soberania territorial dos povos e espero que este conflito seja resolvido sem colocar a paz e a estabilidade em risco", disse Duarte em entrevista coletiva em Assunção.

O presidente do México, Felipe Calderón, disse que apoiará "qualquer ação" que for requerida por parte da Colômbia e do Equador "que favoreça o diálogo" entre essas nações, para que a relação bilateral volte ao normal "o mais rápido possível", informaram fontes oficiais.

Ex-reféns da guerrilha colombiana das Farc liberados na semana passada também se manifestaram sobre a crise diplomática. Luis Eladio Pérez e Gloria Polanco pediram calma aos presidentes da Colômbia, Venezuela e Equador, solicitando que a paz seja preservada.

O governo dos Estados Unidos pediu calma e fez um apelo para que Equador e Colômbia resolvam suas diferenças através da OEA (Organização dos Estados Americanos). A morte de Reyes e os rumores de que ele havia tido contato com autoridades equatorianas "são assuntos os quais os governos de Equador e Colômbia devem resolver juntos e esperamos que essa solução conduza a um rápido retorno às relações normais", disse Barbara Rocha, uma porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.

"Pedimos calma ao Equador e à Colômbia para resolver este incidente diplomático. Acreditamos que a Organização dos Estados Americanos seja o veículo apropriado para que esses países encontrem uma solução", acrescentou Rocha.

A porta-voz também afirmou que os Estados Unidos "estimam sua forte relação com ambos os países, incluindo o papel do Equador no combate ao narcotráfico".

Com Efe e France Presse

 

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