Mundo
03/03/2008 - 19h27

Chávez deu US$ 300 milhões às Farc, diz governo colombiano

da Folha Online

O governo colombiano pedirá à Organização dos Estados Americanos (OEA) que investigue uma suposta doação do governo da Venezuela de US$ 300 milhões (cerca de R$ 504 milhões) à guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), assim como um fornecimento de armas.

O diretor da Polícia da Colômbia, general Óscar Naranjo, fez a declaração a jornalistas ao revelar as novas informações descobertas em um dos três computadores do número dois das Farc Raúl Reyes, que morreu no sábado em uma operação colombiana em território equatoriano. Outros 16 guerrilheiros morreram no ataque.

A crise desencadeada pela morte de Raúl Reyes pode gerar um conflito armado na América do Sul --Equador e Venezuela mobilizaram tropas para suas respectivas fronteiras com a Colômbia.

"De forma patética, indubitável, indiscutível", disse Naranjo, foram encontrados no primeiro dos três computadores "relações vinculativas das Farc com diferentes governos, pelo menos com o Equador e a Venezuela, e com algumas personalidades públicas".

Naranjo disse que se estudam textos e imagens "de um registro histórico do computador de Raúl Reyes", codinome de Luis Edgar Devia Silva, considerado porta-voz internacional da guerrilha.

Segundo o alto oficial, os técnicos verificarão a autenticidade dos documentos encontrados no computador de Reyes --um deles fala de um carregamento de 50 kg de urânio que poderia implicar outro país (além de Equador e Venezuela), o qual não citou.

"Há cartas de Marulanda (Manuel, chefe das Farc) a Chávez nas quais ele diz que estão pendentes de qualquer informação estrangeira e promete colaboração em qualquer sistema para preservar a revolução bolivariana".

Também "se fala de uma exportação de drogas ao México" e, segundo Naranjo, há um documento no qual se cita Ivan Márquez, outro chefe guerrilheiro das Farc, que "fala de US$ 300 milhões com os quais o governo venezuelano ajudaria as Farc".

Segundo Naranjo, no computador "Ivan Márquez diz que a isto (US$ 300 milhões) continuaremos chamando de dossiê, 300 dossiês" e acrescenta que "o grande chefe" é Chávez, a quem chamam de "el ángel", e se referem a "outro personagem a ser descoberto apelidado de 'el cojo'".

Na mesma informação, de acordo com o chefe da polícia colombiana, "se fala de US$ 100 milhões que as Farc forneceram para a libertação de Chávez" na tentativa do golpe que o depôs durante 47 horas entre 11 e 12 de abril de 2002.

Os computadores também contém informações de que Chávez presentearia com "cem caucheras viejitas", que segundo Naranjo, podem ser fuzis dos quais se desfez há pouco o governante venezuelano após as compras de AK-47 para o Exército do país.

Equador

Os documentos encontrados nos computadores também fizeram o governo da Colômbia pedir explicações a Quito sobre a possível ligação entre o Equador e as Farc. O governo do Equador, por meio de seu vice-ministro da Defesa, Miguel Carvajal, desmentiu a informação, qualificando-a como "fabulosa" e questionando de onde esses dados teriam saído.

A exigência da Colômbia ocorre após o presidente do Equador --aliado declarado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez--, decretar a ruptura das relações com Bogotá, expulsar o embaixador colombiano de Quito e de reforçar a presença militar na fronteira entre os dois países.

Naranjo disse possuir ao menos dois documentos com informações "reveladoras" que demonstrariam a existência de vínculos entre Equador e as Farc.

Os documentos encontrados --disponíveis no site do jornal colombiano "El Tiempo"-- mostram que Reyes teria se reunido com Gustavo Larrea, ministro da Segurança do Equador, para expor seu interesse de oficializar a relação das Farc com o Equador.

De acordo com informações de Naranjo, os documentos mostram ainda que o emissário do governo equatoriano ofereceu levar as Farc a Quito (capital do Equador) porque o presidente Correa desejava discutir a troca de reféns por guerrilheiros das Farc presos na Colômbia, além combinar ações coordenadas comuns na fronteira. O material, com data de 18 de janeiro, também indicaria a reprovação do Equador ao governo de Uribe, chamando-o de "perigoso para a região" e "representante da Casa Branca".

Com Efe

 

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