Ataque colombiano impede libertação de Betancourt, diz Correa
da Folha Online
O presidente equatoriano, Rafael Correa, afirmou nesta segunda-feira (3) que o ataque colombiano contra um acampamento das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no Equador frustrou a libertação da franco-colombiana Ingrid Betancourt e de outros dez reféns da guerrilha. A libertação deveria ocorrer em março no Equador.
"Lamento informar que os diálogos estavam bastante avançadas para libertar no Equador onze reféns, entre eles (a ex-candidata presidencial) Ingrid Betancourt", disse Correa em uma mensagem à Nação, na qual justificou a ruptura das relações com Bogotá.
"Tudo foi frustrado pelas mãos belicistas e autoritárias. Não podemos descartar que esta foi uma das motivações da incursão (colombiana) por parte dos inimigos da paz", afirmou Correa.
O ministro equatoriano da Segurança, Gustavo Larrea, garantiu que as Farc "ofereceram a libertação" de Betancourt para março. Seqüestrada desde 2002, a franco-colombiana está mal de saúde e sofre de hepatite B.
Encontro
Larrea admitiu nesta segunda que se reuniu em janeiro passado com o número dois das Farc, Raúl Reyes, que foi morto no sábado passado no território do Equador, no ataque das forças colombianas.
"Esta reunião se desenrolou no mês de janeiro, fora da Colômbia e fora do Equador, e falamos exclusivamente do tema dos reféns" das Farc, garantiu Larrea a um site equatoriano.
Correa confirmou que "todos os nossos contatos com a guerrilha tiveram motivos humanitários e ocorreram junto com um país como a França. Será que alguém vai acusar o presidente (Nicolas) Sarkozy de apoiar as Farc?".
Segundo Correa, "agora tratam de dizer que estamos colaborando com a guerrilha. Esta atitude só pode ser qualificada de canalhice".
Na mesma mensagem, Correa pediu aos "governos da América Latina que cerrem fileiras diante do nefasto e traidor ato da Colômbia" contra as Farc no território equatoriano.
"Nem nas horas mais duras da América Latina, nem com as guerrilhas na Nicarágua, El Salvador, Guatemala, Peru, Brasil, Argentina, Uruguai e etc., um governo se atreveu a regionalizar seu conflito", disse o presidente.
Rompimento
Correa justificou o rompimento das relações com o governo colombiano destacando que "longe de pedir desculpas pela agressão à nossa soberania, tiveram a audácia de nos acusar de proteger as Farc e a nos pedir explicações".
"Estendemos a mão solidária à Colômbia, mas fomos traídos. Sabemos que não foi a traição de um povo, mas apenas a traição de um homem, um governo".
Rafael Correa iniciará na terça-feira uma viagem que o levará a Peru, Brasil, Panamá, República Dominicana e Venezuela para obter apoio internacional diante da crise com a Colômbia.
Segundo interlocutores do Palácio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria pedido ao chanceler Celso Amorim que reunisse o maior número de informações sobre o caso para se pronunciar depois sobre o tema no Itamaraty.
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse nesta segunda que o Brasil deve exercer seu papel de liderança para evitar que a crise traga prejuízos para a região. "Eu acho que a mediação é necessária e tem que ser consentida. A atitude do Brasil de buscar a mediação, ao lado de outros países, é medida eficaz", disse.
Apesar de defenderem a atuação do Brasil como mediador do conflito, os parlamentares defendem que o país fique neutro nessa disputa.
Com France Presse
Leia mais
- Venezuela expulsa embaixador da Colômbia
- Brasil acompanha crise entre Colômbia, Equador e Venezuela e descarta conflito armado
- Exército acompanha desdobramentos do conflito entre Colômbia, Venezuela e Equador
- Veja a repercussão da crise entre Colômbia, Equador e Venezuela na imprensa internacional
- ONU e EUA pedem diálogo para solucionar crise na América do Sul
Especial


avalie fechar
avalie fechar
avalie fechar