Colômbia pede desculpas ao Equador e quer "explicação" de Quito e Caracas
da Folha Online
A Colômbia reiterou ante a OEA (Organização dos Estados Americanos) seu pedido de "desculpas públicas ao governo e ao povo do Equador" por sua ação militar do fim de semana em território equatoriano, mas defendeu o ataque que matou o número dois das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no último sábado (1º).
Em um discurso inflamado ante o Conselho Permanente da OEA, o representante colombiano, Camilo Ospina, reiterou as desculpas do seu governo pelo ataque que matou Raul Reyes, número dois e porta-voz internacional das Farc em território equatoriano.
Mas Ospina também voltou a negar que aviões colombianos tenham ingressado em território equatoriano e disse que os governos do Equador e Venezuela devem uma "explicação ao povo colombiano".
"Aviões colombianos não entraram em território equatoriano", afirmou o representante. Porém, "helicópteros colombianos ingressaram em território equatoriano" para inspecionar o acampamento das Farc, alvo do ataque, a 1,8 km da fronteira com a Colômbia, segundo Ospina.
A ação militar da Colômbia em território equatoriano colocou os países em uma crise diplomática histórica. Quito rompeu relações com Bogotá na segunda-feira, ao mesmo tempo em que a Venezuela expulsou os representantes colombianos em Caracas, e os dois países deslocaram tropas para suas fronteiras com a Colômbia.
Equador
O Equador pediu à OEA que convoque uma "reunião urgente" dos chanceleres da América do Sul, no máximo até o dia 11 de março, para tentar resolver a crise diplomática com a Colômbia.
Durante uma sessão extraordinária do Conselho permanente da OEA, a representante equatoriana Maria Salvador pediu "a convocação urgente de uma reunião de chanceleres", no máximo até o dia 11 de março.
Salvador pediu "a condenação da violação do território e da soberania de um Estado por outro Estado".
Quito solicitou ainda que o Conselho permanente da OEA designe "uma comissão para investigar os fatos in loco".
Uma investigação da OEA também é defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para apurar o que "de fato aconteceu".
"Vamos querer uma investigação da OEA para saber o que efetivamente aconteceu. O dado concreto é que a Colômbia violou a soberania territorial do Equador. Esse dado concreto é admitido pelo próprio presidente Uribe", disse Lula após cerimônia de inauguração de um centro de nanotecnologia em Campinas (91 km de SP).
Uribe
Mais cedo nesta terça-feira, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, disse que a guerra com seus vizinhos não interessa a seu país, e sim a derrota do terrorismo pelas vias militar e jurídica, e reiterou que não mobilizou tropas para as fronteiras com Venezuela e Equador.
"Não temos interesse na guerra, mas temos todo o interesse na derrota do terrorismo pela via militar e pela via jurídica", disse Uribe a jornalistas após um encontro com o ex-congressista Luis Eladio Pérez, libertado na semana passada após quase sete anos em poder da guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
Pouco antes, em visita à também ex-parlamentar libertada Gloria Polanco, o chefe de Estado colombiano anunciou que denunciará o presidente venezuelano, Hugo Chávez, ao Tribunal Penal Internacional (TPI) por seu suposto "apoio a grupos terroristas" e "genocidas".
"A Colômbia nunca foi um país de guerra com os vizinhos. Nosso único interesse é a recuperação da ordem pública. Não mobilizamos tropas, nem estamos caminhando para uma guerra", declarou Uribe.
Com France Presse e Efe
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