Guerrilheiro morto tentava encontro com Sarkozy, dizem as Farc
da France Presse, em Bogotá
O número dois das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Raúl Reyes, tentava acertar uma reunião com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, no momento em que foi morto pelas tropas colombianas no Equador, afirmaram as Farc, a principal guerrilha colombiana, em um comunicado.
A organização disse ainda que Reyes será substituído no secretariado, a cúpula dos sete integrantes das Farc, por Joaquín Gómez.
"O comandante (Reyes) morreu cumprindo a missão de concretizar, através do presidente (venezuelano Hugo) Chávez, um encontro com o presidente Sarkozy, onde avançaria para encontrar soluções para a situação de Ingrid Betancourt e o objetivo do intercâmbio humanitário", afirma o texto.
No comunicado, datado de 2 de março e divulgado nesta terça-feira (4), o comando central da guerrilha acrescenta que as circunstâncias da morte de Reyes "golpearam gravemente as possibilidades de intercâmbio humanitário, afastando uma eventual saída política para o conflito".
Nesta terça-feira, o porta-voz da Presidência francesa, David Martinon, assegurou que Sarkozy continua "disposto a ir à fronteira" entre a Venezuela e a Colômbia se esta atitude contribuir para a libertação de Betancourt.
"Esta possibilidade foi discutida com o presidente Chávez durante a visita do ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, a Caracas (em fevereiro) e continua em vigor", assegurou Martinon.
O ministério francês das Relações Exteriores também reiterou ontem as autoridades colombianas "sabiam" dos contatos de França, Espanha e Suíça com Raúl Reyes como parte dos esforços para libertar a refém franco-colombiana Ingrid Betancourt.
"Nas negociações, Espanha, Suíça e França mantinham contatos com Raúl Reyes e posso lhes dizer que os colombianos estavam a par", afirmou à imprensa a porta-voz do ministério, Pascale Andreani.
"No entanto, as Farc são uma organização terrorista", reconheceu a porta-voz.
"Mas como parte da operação de negociação, haviam sido feitos muitos contatos, indiretamente", precisou, em referência à morte de Raúl Reyes, sábado, em ataque do exército colombiano no território equatoriano.
Segunda-feira, o chanceler francês, Bernard Kouchner, havia manifestado temor de que a morte do número dois das Farc fosse "má notícia" para os reféns na Colômbia.
"Evidentemente, não é uma boa notícia que o número dois, Raúl Reyes, o homem com quem falávamos, o homem com quem mantínhamos contatos, tenha sido morto", lamentou Kouchner.
O presidente equatoriano, Rafael Correa, afirmou nesta segunda-feira que a eliminação de Raúl Reyes acontece em meio a "conversações bastante avançadas para libertar no Equador 11 reféns, entre eles Ingrid Betancourt".
Segundo o ministro do Interior equatoriano, Gustavo Larrea, essas libertações de reféns, sem contrapartida, aconteceriam durante o mês de março.
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