Mundo
05/03/2008 - 08h13

Presidente da Colômbia sabia de papel de guerrilheiro, diz França

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da Folha de S.Paulo

A Chancelaria da França declarou nesta terça-feira que a Colômbia sabia que Paris mantinha contatos com Raúl Reyes, o segundo homem no comando das Farc, a fim de negociar a libertação de reféns mantidos pela guerrilha.

Reyes foi um dos guerrilheiros mortos pelas Forças Armadas da Colômbia em incursão no território equatoriano no último sábado.

20.ago.2003/João Wainer/Folha Imagem
Raúl Reyes, um dos pricipais líderes das Farc, morto no sábado (1º) pela Colômbia
Raúl Reyes, um dos pricipais líderes das Farc, morto no sábado (1º) pela Colômbia

O chanceler da França, Bernard Kouchner, já havia lamentado anteontem a morte de Reyes, afirmando que ele era um dos contatos da diplomacia francesa com a guerrilha e que a ação colombiana dificultaria as tratativas para a eventual soltura de reféns.

"Tínhamos contatos com Raúl Reyes e os colombianos sabiam", disse ontem Pascale Andréani, porta-voz da Chancelaria da França. Embora tenha reiterado que a França considera as Farc um grupo terrorista, Andréani acrescentou que tais contatos integravam os esforços desempenhados não só por seu país, mas por Suíça e Espanha, na facilitação da troca de reféns das Farc por membros presos da guerrilha.

À agência de notícias France Presse, fontes diplomáticas da Espanha confirmaram que Raúl Reyes era o interlocutor com quem os três países europeus estavam conversando. Mas, segundo as mesmas fontes, não identificadas, o último contato se deu em junho de 2007, pois Bogotá "interrompeu o processo".

Para retomar posteriormente esse processo de negociações, o próprio presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, foi à Europa em janeiro último a fim de pedir o envolvimento novamente de Espanha e Suíça, além da França, na tentativa da troca de reféns por prisioneiros. Sua intenção à época era esvaziar o papel de seu colega venezuelano, Hugo Chávez, nas negociações com a guerrilha.

Esforço frustrado

A declaração de Paris vai ao encontro de denúncia feita anteontem pelo presidente do Equador, Rafael Correa, em rede nacional de rádio e TV. Correa disse que a ação militar colombiana frustrou conversas em andamento para a libertação de 11 reféns das Farc, entre os quais Ingrid Betancourt, cidadã franco-colombiana cuja tentativa de liberação está na pauta do governo francês, do presidente Nicolas Sarkozy.

Em comunicado divulgado ontem, o comando das Farc afirma que Reyes estava negociando uma reunião com Sarkozy para tratar da soltura de reféns, entre os quais Betancourt. O presidente da França declarou na semana passada estar disposto a ir à fronteira entre Colômbia e Venezuela, se necessário, para libertar Betancourt -intenção essa que, segundo declaração ontem do Palácio do Eliseu, ainda está de pé.

Com agências internacionais

 

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