Venezuela se diz satisfeita com acordo entre Colômbia e Equador
da Folha Online
O embaixador da Venezuela na OEA (Organização dos Estados Americanos), Jorge Valero, mostrou-se satisfeito nesta quarta-feira com a resolução unânime do Conselho Permanente da organização, que declarou que a ação militar colombiana no último sábado (1º) em território equatoriano "constitui em uma violação da soberania" do Equador. A resolução, no entanto, não condenou a Colômbia pela ação.
O Exército colombiano bombardeou no sábado um acampamento das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em território equatoriano, matando o número dois da guerrilha, Raul Reyes, e desencadeando uma crise entre os dois países, na qual a Venezuela também se envolveu.
Além de Reyes, outros 16 guerrilheiros das Farc morreram no ataque, a cerca de 1,8 km da fronteira com a Colômbia. No domingo, Quito e Caracas mandaram tropas às suas respectivas fronteiras com a Colômbia e fizeram fortes ataques contra o presidente Álvaro Uribe. Bogotá, com base em documentos apreendidos no local do ataque, passou a fazer uma série de acusações aos dois países no início da semana, que fizeram com que o presidente do Equador, Rafael Correa, rompesse relações diplomáticas com a Colômbia.
Veja imagens do Equador gravadas após ataque contra as Farc (conteúdo com cenas fortes).
"A Venezuela fica contente com este acordo, porque foi inspirado na paz, e a Venezuela aposta na paz", declarou Valero em Washington. "O importante deste debate é que a OEA se declarou de alguma forma, não se manteve em silêncio ante a violação absolutamente clara, comprovada, da soberania e integridade territorial de um país soberano como é o Equador", disse Valero.
O consenso entre os dois países foi alcançado após "14 horas de negociações", segundo o embaixador do Panamá na OEA, Arístides Royo. A chanceler do Equador, María Isabel Salvador, assim como o embaixador da Colômbia, Camilo Ospina, mostraram-se satisfeitos com o acordo alcançado, aprovado pelos 34 países membros sob aplausos.
Os países americanos reconheceram que "o feito ocorrido constitui uma violação da soberania e da integridade territorial do Equador e dos princípios do direito internacional." O órgão irá criar uma comissão liderada pelo secretário-geral (da OEA, José Miguel Insulza), encarregada de "visitar os dois países indo aos os lugares que as partes lhe indiquem" e levará "o informe correspondente (às visitas) à Reunião de Consulta dos Ministros de Relações Exteriores."
A Comissão também poderá propor "fórmulas de aproximação das duas nações". A reunião de consulta dos chanceleres das Américas será realizada no dia 17 de março em Washington, para que "examinem os feitos e formulem as recomendações pertinentes".
Na terça-feira, a maioria dos países que fizeram discursos no Conselho Permanente condenaram a ação colombiana, com exceção dos EUA, que apoiou Bogotá.
O secretário-geral da OEA qualificou a resolução alcançada nesta quarta de "boa", já que "possibilita o diálogo", mas afirmou que a crise "certamente não se acalmou" pois persistem "tensões e dificuldades" entre a Colômbia e o Equador.
Venezuela
Ainda nesta quarta, Uribe criou uma comissão jurídica para assessorar a ação que irá apresentar contra o mandatário venezuelano Hugo Chávez na Tribunal Penal Internacional (TPI) pelo suposto financiamento das Farc, informaram fontes oficiais.
Os quatro especialistas se reuniram com Uribe no palácio presidencial, e após o encontro anunciaram que existem provas suficientes para acusar Chávez de apoiar as Farc, responsável por crimes contra a humanidade.
"A Colômbia dispõe de suficiente informação que lhe permitirá demonstrar que um chefe de Estado estrangeiro, o presidente Chávez, prestou uma colaboração intencional e sistemática a uma organização terrorista", disse Vicente Torrijos, especialista em Relações Internacionais.
"A Colômbia tem capacidade de levar o presidente Chávez ao TPI para que receba, assim como determina a Corte, a punição correspondente, e se possa então restabelecer as relações de harmonia e de solidariedade entre nossos povos", afirmou.
Na terça-feira, Uribe anunciou que irá acusar Chávez por "patrocínio e financiamento de genocidas", por ter repassado supostamente US$ 300 milhões às Farc.
Já o vice-presidente da Colômbia acusou nesta quarta as Farc e Chávez de terem um "projeto continental" que utiliza a violência para impor sua visão de mundo na América Latina, e que representa uma "ameaça à segurança nacional".
"As Farc e sua aliança com o presidente Chávez são um projeto continental, são um projeto que transcende a fronteira colombiana. É um projeto ideológico, militar, político que utiliza a violência para tentar impor sua visão de mundo", disse o vice-presidente colombiano Francisco Santos em Bruxelas.
"Essa relação representa uma ameaça à segurança regional", acrescentou Santos, que se reuniu com o Alto Representante da União Européia para Política Exterior, Javier Solana, para tratar da grave crise na América do Sul.
Apesar das duras declarações contra Chávez, o vice-presidente colombiano afirmou que seu país não vai "cair nas provocações" e não irá enviar tropas para a fronteira com a Venezuela.
Santos voltou a defender a ação militar colombiana em território equatoriano que matou o número dois das Farc, Raúl Reyes, e onde foi apreendida a documentação que supostamente prova as relações com Chávez e o contato da guerrilha com vendedores de urânio.
"Só de mencionar as palavras Farc e urânio na mesma frase deve deixar todas as pessoas civilizadas do mundo de cabelos em pé", disse Santos.
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Especial


Minha nossa além de sustentar toda essa turma, ainda me arrumam estrangeiros sobre minhas costas, o povo não aguenta tanta desfasatez
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Tó fora...
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