Uribe promete não repetir operação como a que matou Raúl Reyes
da Efe, em Bogotá
O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, disse que se compromete "a não repetir" uma operação como a que matou no sábado passado o guerrilheiro considerado número dois das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Raúl Reyes.
Em reunião na noite desta quarta-feira no Palácio de Nariño, sede da Presidência, com diretores de meios de comunicação colombianos e agências e correspondentes estrangeiros, Uribe voltou a assumir "toda a responsabilidade" pela operação militar, na qual Luis Edgar Devia, nome verdadeiro de Raúl Reyes, e ao menos outros 15 guerrilheiros morreram em território equatoriano.
O Conselho Permanente da OEA (Organização dos Estados Americanos) aprovou em Washington uma resolução pactuada por Colômbia e Equador que estabelece que Bogotá violou a soberania e integridade territorial do Equador nessa operação, e os princípios do direito internacional.
"Aceitamos a resolução da OEA e assumo a responsabilidade", afirmou Uribe, que, em seguida, pediu "franqueza" nas relações entre os países e defendeu uma "solução diplomática" para a crise.
Após a operação militar, o presidente do Equador, Rafael Correa, decidiu romper as relações diplomáticas com a Colômbia, e ordenou o envio de tropas à fronteira comum.
A Venezuela fechou sua embaixada em Bogotá, expulsou o embaixador colombiano em Caracas e também enviou tropas à fronteira, o que gerou uma crise na região.
Uribe reconheceu que a Colômbia pode encontrar dificuldades por causa de sua intervenção em território equatoriano, e afirmou que este é "um momento difícil para o país", mas se mostrou convencido de que no futuro "será bom" para a Colômbia.
O presidente colombiano afirmou que conversou nos últimos dias tinha com "quase todos" os governantes do continente, com a União Européia e com os secretários gerais da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, e da OEA, José Miguel Insulza, para apresentar seus argumentos, o que fará também no próximo fim de semana na reunião do Grupo do Rio, na República Dominicana.
Uribe negou que a morte de Raúl Reyes pudesse prejudicar um possível acordo humanitário para libertar os seqüestrados das Farc em troca de guerrilheiros presos.
"Raúl Reyes era um obstáculo para o acordo humanitário e para negociar a paz", afirmou.
O governante rejeitou que seu governo seja "belicista", mas insistiu em que seu dever "é proteger a vida de 43 milhões de colombianos", o que o obriga a atuar "com determinação contra o terrorismo".
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