Ex-refém das Farc diz ao jornal "El País" que ficou acorrentado pelo pescoço
da Folha Online
O ex-senador colombiano Luis Eladio Pérez, 55, que foi refém das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) durante mais de seis anos, afirmou em entrevista ao jornal espanhol "El País" que ficava preso pelo pescoço e que falava com as árvores para enfrentar a solidão.
Segundo o jornal, Pérez ficou seis anos, sete meses e 18 dias como prisioneiro das Farc. Ele conta na entrevista que, durante quatro anos, ficou acorrentado pelo pescoço com um cadeado, amarrado a uma árvore, e que só o soltavam para ir ao banheiro. "Nos levavam como levo meu cachorro", disse ao "El País".
| 03.mar.2008/Carlos Hernandez/Efe |
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| O ex-congressista colombiano Luis Eladio Pérez, libertado pelas Farc no mês passado |
Oito dias após a libertação, ele ainda não havia conseguido dormir. Pérez disse na entrevista que ainda não se curou do "ardor de ver a claridade". Ele conta que quase não tomou sol e que ficou muito tempo escondido debaixo de árvores. Segundo ele, os guerrilheiros não o deixavam procurar espaços abertos para que ninguém o encontrasse caso fosse feita uma procura pelo ar. Eles também cozinhavam usando gás para não fazer fumaça.
Ao jornal, Pérez conta que encontrou com Ingrid Betancourt, ex-candidata à Presidência da Colômbia ainda em poder das Farc. "Nos abraçamos com emoção e fiquei falando oito horas seguidas, rio abaixo. Naquele momento, já estava dois anos sozinho. Falava com as árvores!", afirmou. O ex-refém também disse que os guerrilheiros enganaram Ingrid dizendo que ela seria libertada. Segundo ele, fizeram, inclusive, uma despedida para ela com uísque. Os dois cultivaram uma "bela amizade" e cuidavam um do outro. "Pela Ingrid e pela minha família estou vivo", disse.
Na entrevista ao jornal, Pérez disse também que ele e Ingrid tentaram, uma vez, escapar juntos, mas fracassaram. Depois de cinco dias, eles se entregaram aos guerrilheiros e foram punidos. Leia a íntegra da entrevista no site do "El País".
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