Mundo
07/03/2008 - 21h21

Iraque diz que não permitirá ataques do PKK a partir de seu território

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da Folha Online

O presidente do Iraque, Jalal Talabani, afirmou nesta sexta-feira em Ancara que seu país não permitirá que o grupo separatista PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) utilize o solo iraquiano para atacar a Turquia.

"Discutimos assuntos de segurança. Não podemos aceitar que nenhuma organização se refugie em nosso país e realize ações armadas contra um vizinho nosso", disse Talabani depois de se reunir com seu homólogo turco, Abdullah Gül.

Ele afirmou que "a Administração do Curdistão Iraquiano pediu ao PKK para abandonar as armas ou sair da região". O norte do Iraque é composto pela Região Autônoma do Curdistão Iraquiano, que conta com presidente e Parlamento próprios.

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Talabani, que é curdo e líder da União Patriótica do Curdistão, chegou nesta sexta à capital turca acompanhado por seus ministros de Segurança Nacional, Petróleo, Recursos de Água, Finanças e Indústria.

O presidente iraquiano destacou que a formação da delegação é uma mostra do nível das relações que Bagdá deseja manter com Ancara.

Ele observou, no entanto, que a solução política é um assunto da Turquia, não deles. "Atingimos uma aproximação no que diz respeito ao PKK. Quando estávamos na oposição contra a ditadura (de Saddam Hussein), o povo turco nos ajudou muito".

"Nenhum Estado toleraria a presença de um grupo armado ilegal que optou por causar terror", disse, por sua vez, Gül, também em resposta à possibilidade de se encontrar uma solução política para o conflito. Os EUA, a União Européia (UE) e a Turquia classificam o PKK como um grupo terrorista.

Ambos os presidentes declararam que tiveram uma "reunião muito ampla, cordial e importante" e afirmaram que o encontro deve dar início a uma cooperação duradoura em todos os campos, entre eles a economia, a política, a cultura, o petróleo e a segurança.

Talabani, que voltará amanhã a Bagdá, anunciou nesta sexta que Gül aceitou um convite oficial para visitar seu país.

A última ofensiva terrestre da Turquia no norte do Iraque, a maior operação contra o PKK em uma década, teve o consentimento dos Estados Unidos, que ajudaram com informação dos serviços de inteligência sobre os movimentos do contra-ataque dos combatentes curdos.

No entanto, Washington pressionou depois para que a operação fosse rápida, temendo que uma permanência prolongada das tropas turcas em solo do Iraque pudesse desestabilizar o norte do país --a região mais estável do Iraque-- e prejudicar as relações com os curdos iraquianos.

saída das tropas turcas foi anunciada no dia seguinte do pedido do presidente americano George W, Bush, solicitando que as unidades saíssem "o mais rápido possível", uma mensagem repetida pelo secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates.

A ofensiva terrestre foi realizada depois de uma série de bombardeios turcos no norte do Iraque nos últimos meses.

A visita de Talabani a Ancara foi interpretada pelos observadores como um sinal de que a Turquia, o Iraque e os Estados Unidos tentam harmonizar suas posturas na questão do PKK.

Com Efe

 

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