Colômbia sela a paz com Equador, Venezuela e Nicarágua
da Folha Online
O presidente equatoriano, Rafael Correa, aceitou nesta sexta-feira as desculpas de seu colega colombiano, Álvaro Uribe, e com um aperto de mãos deram por encerrado o conflito diplomático iniciado no último sábado (1º) e que envolveu também os presidentes da Venezuela e da Nicarágua.
A crise regional foi desencadeada pelo ataque militar colombiano contra uma base das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no Equador, a 1,8 km da fronteira, que deixou mais de vinte mortos, entre eles o número dois do grupo guerrilheiro, Raúl Reyes.
| Andres Leighton/AP |
![]() |
| Em reprodução de TV, Rafael Correa e Álvaro Uribe trocam aperto de mão |
A paz entre Uribe e Correa se estendeu à Venezuela, com um abraço do colombiano no presidente Hugo Chávez, e à Nicarágua, com outro aperto de mãos com o nicaragüense Daniel Ortega, que anunciou que restabelecerá as relações diplomáticas com Bogotá.
Após uma jornada de tensão e palavras duras, Correa e Uribe aceitaram a proposta do presidente dominicano, Leonel Fernández, de se comprometer a trabalhar pela paz e evitar que aconteçam incidentes como a violação à soberania territorial do Equador no sábado passado por parte das forças militares colombianas.
Os apertos de mãos e abraços aconteceram em um momento emotivo com todos os presentes à cúpula do Grupo do Rio aplaudindo de pé, em uma mostra do sucesso das negociações diplomáticas.
O dominicano Fernández, que a dois meses das eleições presidenciais em seu país obteve um enorme sucesso político, propôs a aprovação da denominada Declaração de Santo Domingo a qual transcreve o conflito regional desta semana.
Como novo presidente do Grupo do Rio, o governante mexicano, Felipe Calderón, declarou no final da cúpula que o aperto de mãos entre os governantes demonstra a validade desse organismo e que a "América Latina tem futuro".
Já na madrugada deste sábado, o presidente equatoriano Rafael Correa afirmou que a "América Latina começa uma nova era, na qual vão se sobressair os princípios, a justiça e o direito internacional, e na qual nunca mais deve sobressair o poder".
"Os equatorianos podem dormir tranqüilos, nossos irmãos colombianos podem dormir tranqüilos, os venezuelanos, os nicaragüenses, a América Latina e o mundo inteiro (podem dormir tranqüilos)" acrescentou.
Acordo
O inesperado final do evento aconteceu por iniciativa de Leonel Fernández, após resumir as propostas e compromissos expostos ao longo da cúpula que se prolongou de maneira ininterrupta durante quase sete horas.
Diante da proposta do presidente anfitrião, Correa respondeu que aceitava dar por terminado o conflito com as desculpas explícitas de Uribe e o compromisso de que ações como a ocorrida no último dia 1º não voltarão a se repetir.
Uribe aceitou imediatamente e com os aplausos de todos os presentes à cúpula se dirigiu a Correa para apertar sua mão e reiterar-lhe suas desculpas.
O final da reunião foi surpreendente à vista das acusações e da tensão registrada durante a última semana.
Tensão
Durante seus discursos desta sexta, Correa rejeitou as acusações de vínculos com as Farc feitas por Uribe e declarou que suas mãos estão "limpas e sem sangue".
O presidente colombiano acusou o governo equatoriano de ter vínculos com as Farc, das quais disse terem financiado a campanha eleitoral que levou Correa à Presidência do país.
"É difícil de acreditar em alguma coisa de alguém que mentiu tanto", respondeu Correa.
Uribe disse que seu país foi vítima dos ataques das Farc, embora tenha reconhecido que a incursão de tropas de seu país no Equador constituiu uma violação da soberania territorial desse país e pediu perdão por isso.
O presidente colombiano afirmou ainda que avisou Correa tarde sobre a operação militar, já que se o tivesse feito antes, o bombardeio sobre território equatoriano "teria fracassado".
Uribe qualificou várias vezes de "terroristas tenebrosos" os membros das Farc e declarou que não se pode falar só da violação da soberania do Equador, quando a da Colômbia foi reiteradamente violada com os ataques da guerrilha a partir desse país.
Sobre o dirigente das Farc morto no Equador, Uribe afirmou que enfrentava 121 processos judiciais e que tinha 57 expedientes por homicídio terrorista, 26 por terrorismo, 25 por rebelião, quatro por seqüestro e nove por lesões, além de 14 penas.
Outro momento de tensão foi quando o chefe de Estado nicaragüense qualificou de "terrorismo de Estado" o ataque colombiano às Farc, ao que seu colega colombiano disse que essa expressão feria no coração seus compatriotas.
Provas de vida
Em uma de suas várias intervenções, Uribe rejeitou a proposta de Chávez de criar uma comissão internacional para facilitar a libertação de seqüestrados.
Chávez anunciou que recebeu provas de vida de seis seqüestrados pelas Farc, embora mais tarde desde Caracas seu ministro do Interior, Ramón Rodríguez Chacín, tenha dito que estas provas correspondiam a dez militares em poder da guerrilha.
O conflito diplomático começou no sábado passado. Na segunda, após a violação territorial e as acusações de Uribe, Correa rompeu as relações diplomáticas com Bogotá, medida que na quinta-feira foi seguida pela Nicarágua.
A Venezuela fechou sua embaixada em Bogotá, expulsou o corpo diplomático colombiano de Caracas e militarizou a fronteira com seu país vizinho.
Fidel
O ex-presidente cubano Fidel Castro disse nesta sexta que o único perdedor da crise entre Equador e Colômbia são os Estados Unidos. "O imperialismo foi, de todas as formas, o único perdedor", disse Castro, que acompanhou toda a reunião de Santo Domingo pelo canal Telesul, "sem perder um segundo".
"Apesar das profundas diferenças ideológicas e táticas, todos (os líderes) brilharam e mostraram as qualidades que os levaram a cargos importantes dentro do Estado", completou.
Castro, de 81 anos, e cujo governo foi afastado da OEA em 1962 a pedido dos Estados Unidos, destacou que a Cúpula que pôs fim à crise "não ocorreu no seio da OEA" e que os "diplomatas americanos não estavam presentes".
Com Efe e France Presse
Leia mais
- ELN se solidariza com Farc e compara governo de Uribe a Israel
- Nicarágua rompe relações com a Colômbia
- Rice deseja saída diplomática para conflito entre Colômbia e Equador
- Sarkozy criticou Colômbia por morte de Reyes, diz jornal francês
- Ex-refém das Farc diz ao jornal "El País" que ficou acorrentado pelo pescoço
- Em meio à crise, Chávez ameaça nacionalizar empresas colombianas
Especial



Minha nossa além de sustentar toda essa turma, ainda me arrumam estrangeiros sobre minhas costas, o povo não aguenta tanta desfasatez
avalie fechar
Tó fora...
avalie fechar
avalie fechar