Mundo
08/03/2008 - 08h36

Após fim do conflito, Correa diz que América Latina começa nova era

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da Folha Online

O presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou neste sábado que a "América Latina começa uma nova era, na qual vão sobressair os princípios, a justiça e o direito internacional, e na qual nunca mais deve sobressair o poder".

A declaração do governante aconteceu em seu retorno ao Equador depois da viagem a Santo Domingo (República Dominicana), onde solucionou a crise diplomática entre Quito e Bogotá.

"Os equatorianos podem dormir tranqüilos, nossos irmãos colombianos podem dormir tranqüilos, os venezuelanos, os nicaragüenses, a América Latina e o mundo inteiro (podem dormir tranqüilos)", afirmou.

Após um ataque militar colombiano a uma base das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em território Equatoriano, no dia 1º de março, que matou o porta-voz internacional da guerrilha, Raúl Reyes, Quito rompeu suas relações diplomáticas com Bogotá, postura seguida por Caracas e Manágua.

Ontem, na Cúpula do Grupo do Rio em Santo Domingo, o conflito foi resolvido com o pedido de desculpas do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, que assegurou que nunca acontecerá um ataque semelhante fora de seu país. A paz foi selada com um aperto de mãos.

"Acho que o dia 7 de março vai entrar para a história do Equador e de toda a América Latina, porque recuperamos a fé em muitas coisas", indicou o presidente equatoriano.

"É a primeira vez na história que nosso país não se despedaça na mesa de negociações, porque com uma postura firme e digna, não de Rafael Correa ou do governo, mas de todos os equatorianos, fizemos respeitar os direitos do país", afirmou Correa.

"Estamos tranqüilos, estamos felizes, apesar de tudo isto ter custado muito caro. Perdemos vidas humanas e, como humanistas que somos, é difícil ter uma alegria completa quando há um massacre", concluiu.

Paz

A paz entre Uribe e Correa se estendeu à Venezuela, com um abraço do colombiano no presidente Hugo Chávez, e à Nicarágua, com outro aperto de mãos com o nicaragüense Daniel Ortega, que anunciou que restabelecerá as relações diplomáticas com Bogotá.

Andres Leighton/AP
Em reprodução de TV, Rafael Correa e Álvaro Uribe trocam aperto de mão
Em reprodução de TV, Rafael Correa e Álvaro Uribe trocam aperto de mão

Após uma jornada de tensão e palavras duras, Correa e Uribe aceitaram a proposta do presidente dominicano, Leonel Fernández, de se comprometer a trabalhar pela paz e evitar que aconteçam incidentes como a violação à soberania territorial do Equador no sábado passado por parte das forças militares colombianas.

Os apertos de mãos e abraços aconteceram em um momento emotivo com todos os presentes à cúpula do Grupo do Rio aplaudindo de pé, em uma mostra do sucesso das negociações diplomáticas.

O dominicano Fernández, que a dois meses das eleições presidenciais em seu país obteve um enorme sucesso político, propôs a aprovação da denominada Declaração de Santo Domingo a qual transcreve o conflito regional desta semana.

Tensão

Durante seus discursos de ontem, Correa rejeitou as acusações de vínculos com as Farc feitas por Uribe e declarou que suas mãos estão "limpas e sem sangue".

O presidente colombiano acusou o governo equatoriano de ter vínculos com as Farc, das quais disse terem financiado a campanha eleitoral que levou Correa à Presidência do país.

"É difícil acreditar em alguma coisa de alguém que mentiu tanto", respondeu Correa.

Uribe disse que seu país foi vítima dos ataques das Farc, embora tenha reconhecido que a incursão de tropas de seu país no Equador constituiu uma violação da soberania territorial desse país e pediu perdão por isso.

O presidente colombiano afirmou ainda que avisou Correa tarde sobre a operação militar, já que se o tivesse feito antes, o bombardeio sobre território equatoriano "teria fracassado".

Uribe qualificou várias vezes de "terroristas tenebrosos" os membros das Farc e declarou que não se pode falar só da violação da soberania do Equador, quando a da Colômbia foi reiteradamente violada com os ataques da guerrilha a partir desse país.

Sobre o guerrilheiro das Farc morto no Equador, Raúl Reyes, Uribe afirmou que enfrentava 121 processos judiciais e que tinha 57 expedientes por homicídio terrorista, 26 por terrorismo, 25 por rebelião, quatro por seqüestro e nove por lesões, além de 14 penas.

Com Efe e France Presse

 

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