Mundo
09/03/2008 - 08h34

Espanha vai às urnas após atentado que matou ex-vereador socialista

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FABIEN ZAMORA
da France Presse, em Madri

A Espanha vota neste domingo ainda sob o choque do assassinato de um ex-parlamentar em uma ação atribuída ao ETA (Euskadi Ta Askatasuna, Pátria Basca e Liberdade), que dinamitou o fim da campanha das eleições legislativas e a deixou em luto, como há quatro anos, pelo terrorismo.

Em 2004, as legislativas foram vencidas, para surpresa geral, pelo candidato socialista José Luis Rodríguez Zapatero --tido hoje como favorito-- depois da tragédia dos atentados de Madri três dias antes da eleição.

"Como há quatro anos, o encontro com as urnas é marcado por um ato de terrorismo, desta vez pelas mãos de um covarde pistoleiro do ETA", dizia o jornal "El País".

Este assassinato não reivindicado, mas atribuído por todos aos separatistas bascos, provocou uma onda unânime de indignação da classe política.

Manifestações silenciosas aconteceram no sábado na frente de várias prefeituras do País Basco e arredores na Espanha, como em Múrcia ou Valência.

Mas todos os olhares estavam voltados para a pequena cidade basca de Mondragón, onde Isaias Carrasco havia sido executado a tiros na véspera, na porta de sua casa.

Com a voz embargada de tristeza e de revolta, a filha dele, Sandra Carrasco, pediu aos espanhóis que respondessem com uma manifestação diante da prefeitura de suas cidades. Ela incentivou ainda as pessoas a irem massivamente votar:

"Os que querem se solidarizar com meu pai e nossa dor devem votar no domingo para dizer aos assassinos que nós os venceremos. Eu, minha família, minha mãe, iremos votar, e o que eu peço é que todo mundo vote", afirmou ela. Ela também acrescentou que sua família não toleraria nenhuma "manipulação" política do assassinato de seu pai.

Aparentemente superando suas profundas divisões acerca da luta antiterrorista, o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) de Zapatero e o PP (Partido Popular, de direita) de seu rival, Mariano Rajoy, também pediram que a resposta ao ETA viesse com o comparecimento às urnas.

Na noite de sexta-feira, durante o velório, o dirigente socialista basco Patxi Lopez trocou farpas com Rajoy e pediu que ele parasse de dizer que os socialistas tinham "traído as vítimas" do terrorismo ao abrirem negociação em 2006 com o ETA.

Ele fazia alusão aos ataques da direita que eram radicalmente opostos a este "diálogo de paz", segundo os jornais "ABC" e "El Mundo".

Em seguida, Rajoy foi impedido de se aproximar do caixão e de falar com os familiares do ex-parlamentar, relatou a imprensa espanhola.

Tida como responsável pela morte de 822 pessoas em 40 anos, a organização armada tinha pedido há alguns dias "boicotes" das eleições, em resposta à opressão que exerceria o Estado espanhol.

O assassinato do ex-parlamentar basco não deve modificar profundamente a escolha dos eleitores, afirmaram os especialistas entrevistados pela France Presse.

As últimas pesquisas oficiais dão a vitória aos socialistas de Zapatero, que é candidato a um segundo mandato de quatro anos à Presidência do governo, sobre os conservadores de Rajoy, com um avanço de quatro pontos.

 

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