Italianas defendem a lei de aborto no dia da mulher
da Efe, em Roma
Milhares de mulheres manifestaram neste sábado nas principais cidades italianas para exigir, entre outras coisas, o direito ao trabalho, à qualidade de vida e à liberdade. O protesto defendeu também a lei de aborto e condenou a discriminação sofrida ainda hoje pelas mulheres.
A manifestação mais numerosa aconteceu em Roma, onde se concentraram cerca de 30 mil mulheres, segundo as três grandes centrais sindicais -- CGIL, UIL e CSIL -- que organizaram o protesto sob o lema "Trabalho, liberdade de escolha, desenvolvimento e qualidade de vida".
A jornada adquiriu um significado especial no que se refere à defesa da lei do aborto, conhecida na Itália como a lei 194, depois da polêmica suscitada pela moratória proposta pelo ex-ministro e jornalista Giuliano Ferrara, que falou hoje à mesma hora em uma praça de Roma próxima ao lugar onde aconteceram as manifestações sindicalistas.
A ministra para Igualdade de Oportunidades, Barbara Pollastrini, assistiu à manifestação convocada pelos sindicatos. A ministra assegurou que a liberdade da mulher "ainda não foi conquistada".
Guglielmo Epifani, líder da central CGIL, exigiu que se garantam os direitos e igualdades para as mulheres; Raffaele Bonanni, da CSIL, pediu políticas a favor do trabalho da mulher e criticou o "preconceito" das empresas contra a maternidade; e Luigi Angeletti, da UIL, acusou as empresas de continuar com a discriminação de gênero.
Durante a manifestação foram lidas mensagens de solidariedade a Ingrid Betancourt, a política franco-colombiana seqüestrada pelas Farc -- Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia -- há seis anos e que está com a saúde em estado agravado, e à líder opositora birmanesa prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi.
Na manifestação o chefe de Estado, Giorgio Napolitano, denunciou que há "desequilíbrios demais" no mundo do trabalho e que apesar da diminuição nas diferenças, "ainda estamos longe da meta da igualdade" entre homens e mulheres.
Como já é tradição no dia 8 de março, foram ofertadas buquês de mimosas às mulheres durante o protesto. Segundo dados da associação de agricultores Coldiretti foram distribuídas 15 milhões destas flores amarelas.
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