Mundo
10/03/2008 - 11h00

Veja repercussão da eleição dos EUA na imprensa internacional

Publicidade

Colaboração para a Folha Online

Os pré-candidatos democratas intensificam suas campanhas pelas primárias. O senador Barack Obama parte nesta segunda-feira para o Mississippi, Estado onde acontecerá a próxima primária, na terça-feira (11). Já Hillary Clinton preferiu focar as atenções na Pensilvânia, Estado com maior número de delegados e que terá eleições no dia 22 de abril.

Com a batalha pela nomeação democrata cada vez mais acirrada, os pré-candidatos aumentam as críticas ao oponente. Obama faz anúncio de rádio lembrando que Hillary criticou a população de Iowa por nunca ter elegido uma mulher. A senadora por Nova Iorque, por sua vez, faz questão de lembrar a crise na campanha do oponente causada pelas declarações de sua ex-conselheira Samatha Power sobre a suposta inviabilidade de sua política em relação a guerra no Iraque.

John McCain, candidato republicano com a nomeação partidária já garantida, aproveita o tempo livre para uma missão urgente: arrecadar verbas para sua campanha. Ele também articula novas maneiras de voltar às páginas de jornais e revistas que parecem tê-lo esquecido graças as freqüentes notícias da batalha acirrada dos democratas.

Veja a seguir a repercussão da corrida dos pré-candidatos à nomeação para disputar a eleição presidencial americana em novembro, na imprensa internacional.

"The Washington Post" (EUA)
Obama acusa Hillary de decepção

Reprodução
Washington Post
Washington Post

Ansioso para mudar o curso das eleições após uma semana difícil, o senador Barack Obama criticou as táticas de sua rival, a senadora Hillary Clinton, acusando sua campanha de tentar "enganar o povo americano para ganhar a eleição".

Obama ganhou facilmente o "caucus" de Wyoming no sábado (8), mas os dois candidatos tiveram uma das semanas mais quietas de suas campanhas. O senador por Illinois deverá viajar hoje para Mississippi, onde está liderando as pesquisas para a primária desta terça-feira (11). Já Hillary fará campanha na Pensilvânia, onde a votação acontecerá em 22 de abril.

Após as derrotas em Texas, Ohio e Rhode Island, a campanha de Obama enviou um comunicado intitulado "Fazendo o que for necessário para ganhar". Nele, a equipe de Obama caracteriza a estratégia de Hillary como "destruindo Barack Obama" e afirma que sua campanha "deveria parar de dizer ao povo americano coisas que não são verdade".

Com os dois candidatos preparando-se para uma batalha que parece certamente arrastar-se até a eleição de Pensilvânia, a campanha de Hillary continua a criticar Obama pelos comentários da professora de Harward, Samantha Power, que deixou a campanha na sexta-feira (7), após ter sido acusada de chamar a pré-candidata de "monstro". Ela também sugeriu que a proposta de Obama para o Iraque -- chamar as tropas de volta para casa após 16 meses de seu mandato -- seria um plano de campanha que ele não efetivaria caso fosse eleito.

"The New York Times" (EUA)
McCain aproveita nomeação garantida para focar na arrecadação de verbas

Reprodução
New York Times
New York Times

Para John McCain, já ter garantido a nomeação republicana enquanto os pré-candidatos democratas continuam em uma batalha acirrada, concede-lhe uma vantagem preciosa: tempo para unir um partido republicano dividido, melhorar sua arrecadação de fundos e transformar sua campanha para primárias em uma máquina para ganhar a eleição presidencial.

Mas a vitória adiantada pode causar também alguns problemas para o candidato republicano. Até mesmo o próprio McCain sabe que uma corrida democrata tão acirrada dá ao partido oponente muito mais atenção da mídia, obscurecendo a cobertura de sua campanha.

Ele afirmou na semana passada que os próximos meses seriam uma oportunidade de "colocar a casa em ordem" e que planeja usar este tempo para viajar para outros continentes, criar novas propostas políticas e fazer discursos.

Sua primeira missão será, contudo, focar intensamente na arrecadação de verbas, com 20 a 30 eventos por mês. Sua campanha quase foi encerrada no verão passado graças a um excesso de gastos e sua falha em levantar dinheiro suficiente para continuar na corrida. Em janeiro, o candidato republicano conseguiu arrecadar US$ 55 milhões, muito pouco se comparado aos US$ 138 milhões de Hillary Clinton e aos US$ 141 milhões de Barack Obama que continuam a arrecadar fundos em um ritmo recorde.

"The Boston Globe" (EUA)
Na leviandade, muitas questões políticas

Reprodução
Boston Globe
Boston Globe

O jornal norte-americano publicou uma reportagem com Adrian Gostick, autor do livro recém-lançado "The Levity Effect: Why it Pays to Lighten Up" (em uma tradução livre, O efeito da leviandade: porque compensa ser menos sério). Segundo o autor, o grande momento de toda a campanha da pré-candidata democrata Hillary Clinton foi na noite anterior às vitórias do Texas, Ohio e Rhode Island quando apareceu via satélite no programa de humor "The Daily Show With Jon Stewart". Com aparência cansada, mas sorrindo, ela brincou e concordou que aparecer no programa era "muito patético" nesta altura da corrida presidencial.

A aparição provou, ainda segundo Gostick, que Hillary pode ser espontaneamente engraçada e, principalmente: "mostrou uma humanidade que os eleitores querem ver".

Em suma, sua entrevista ao programa foi, muito diferente de patética, um passo importante de gerenciamento de sua imagem pública que pode render bons dividendos em uma campanha tão acirrada. Afinal, uma corrida presidencial é, em parte, uma competição de personalidades.

"El País" (Espanha)
Obama recupera-se das derrotas no Texas e Ohio

Reprodução
El País
El País

O senador por Illinois, Barack Obama regressou, neste final de semana, para sua seqüência de vitórias com os resultados do Estado de Wyoming, onde obteve 61% dos votos. Embora o Estado não represente um número muito grande de delegados, a vitória celebrada por Obama demonstra que a corrida presidencial está extraordinariamente disputada no lado democrata.

Wyoming é, talvez, o Estado que representa de forma mais autêntica o Oeste americano. Embora tenha o dobro de republicanos registrados, o Estado tem como uma de suas maiores proezas políticas ter concedido o número de delegados necessários para nomear o candidato democrata John Kennedy.

Fora este único momento importante, o papel de Wyoming nas primárias nunca foi muito relevante. Basta dizer que, nas eleições de 2004, menos de 700 pessoas votaram. Já neste sábado, o cenário foi muito diferente. Cerca de 9 mil democratas participaram de um dos "caucuses" (assembléias populares) e deram a Barack Obama a vantagem de 61% sobre 38% de Hillary Clinton. Foi demonstrado novamente que, no que se trata de organização de candidatura e nível de compromisso de seus seguidores, Obama é o melhor.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
avalie fechar
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
avalie fechar
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (2849)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca