Lógica da "guerra contra o terror" ameaça democracias latino-americanas, diz sociólogo
da Folha Online
O sociólogo argentino Juan Gabriel Tokatlian, 53, afirmou, em entrevista a Andrea Murta, na Folha desta segunda-feira (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal), que a América Latina precisa decidir se continuará a ser zona de paz ou se o uso da força vale para todos.
De acordo com o sociólogo, a crise provocada na América Latina após a operação da Colômbia contra as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no Equador --que matou Raúl Reyes, considerado o número dois da guerrilha-- colocou a região em um dilema: incorporar os paradigmas da "guerra ao terror" ou decidir se manter dentro das regras do Estado de direito.
O sociólogo diz acreditar que a ação da Colômbia em território equatoriano "significou uma violação do direito internacional e vai ter profundas repercussões futuras". Segundo ele, provavelmente foi instalada na região "a noção da guerra contra o terrorismo, que era mais própria do Oriente Médio, da Ásia Central, do Chifre da África".
Na entrevista, Tokatlian afirma que o Brasil perdeu com a crise "porque o país não pôde nem antecipar nem consolidar mecanismos" que a evitasse. Segundo ele, o Brasil deve refletir, porque há necessidade na região de uma "forma inovadora de liderança, "que seja coordenada, múltipla, compartilhada --na qual, claro, a responsabilidade do Brasil é maior, por seu peso e tamanho".
A entrevista completa pode ser lida na Folha desta segunda-feira, que está nas bancas.
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