Governador de Nova York se desculpa por envolvimento com prostituta
da Folha Online
O governador de Nova York, o democrata Eliot Spitzer, pediu "desculpas ao público" e a sua família na tarde desta segunda-feira por ter violado suas "obrigações familiares", após ser apontado hoje pelo jornal "The New York Times" como cliente de uma rede de prostituição de luxo. No entanto, o governador não mencionou o caso em seu pronunciamento.
Segundo o jornal, as autoridades americanas que investigavam a rede de prostituição Emperors Club VIP, que cobrava até US$ 5.500 (cerca de R$ 9.258) por hora, gravaram uma conversa de Spitzer em Washington ao contratar os serviços de uma garota de programa.
| Shannon Stapleton/Reuters |
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| O governador de Nova York, Eliot Spitzer, com a mulher ao lado, pede desculpas por envolvimento com prostitutas de luxo |
"Agi de uma forma que violei as obrigações para com minha família, e que de alguma maneira quebra meu sentido do bem e do mal", disse Spitzer em pronunciamento público junto de sua mulher Silda, na qual não respondeu a perguntas.
O governador, 48, casado há 21 anos e pai de três filhas, não falou sobre renunciar, como era esperado, mas declarou acreditar que "a política a longo prazo não é sobre indivíduos, mas sobre idéias".
Spitzer, em seu primeiro mandato como governador, deu a entender que considera o assunto particular e admitiu sua decepção pelo que considerou "um fracasso" pessoal.
"Agora vou me dedicar a recuperar a confiança da minha família", afirmou o político, o primeiro democrata que chegou ao governo de Nova York após doze anos de governadores republicanos no Estado.
Investigação
Segundo o "New York Times", que cita uma fonte não identificada, Spitzer teria marcado um encontro com uma acompanhante de luxo em um hotel de Washington há cerca de um mês.
As autoridades que investigavam a rede de prostituição gravaram a ligação telefônica de um homem, identificado como "cliente 9", que confirmava um encontro com "uma mulher em sua viagem de Nova York a Washington, onde reservou um quarto", segundo o jornal.
"As fontes identificaram Spitzer como o cliente 9", acrescenta o "New York Times", que afirma ainda que o governador de Nova York sabia desde sexta-feira passada que seu nome estava envolvido no caso, pois as autoridades federais entraram em contato com ele.
"O homem descrito como Cliente 9 nos documentos do julgamento fez um programa com uma prostituta que fazia parte da rede Emperors Club VIP, na noite de 13 de fevereiro", indica.
"Spitzer viajou para Washington nesta tarde", acrescenta o "New York Times", que menciona como fonte uma das pessoas do gabinete do governador encarregada de organizar suas viagens.
O site Emperors Club VIP mostra fotos dos corpos das prostitutas, com seus rostos escondidos, e os preços po hora de cada uma, dependendo de sua avaliação que vai de um a sete diamantes. O programa de uma hora com as prostitutas mais caras custa US$ 5.500 (cerca de R$ 9.258).
Spitzer
A suposta ligação do nome de Spitzer a uma rede de prostituição surpreendeu a opinião pública nova-iorquina, já que o governador era identificado com a retidão moral e pessoal da qual se gabava quando era procurador-geral do estado e até era apelidado nos círculos políticos de "Mr. Clean" (Senhor Limpo).
Spitzer construiu seu legado político sobre o combate à corrupção, incluindo batalhas que foram manchetes de jornais contra empresas de Wall Street (centro financeiro), quando trabalhava como procurador-geral. Ele se tornou governador em 2006 com um número histórico de votos, afirmando que iria continuar em sua luta contra a corrupção.
A revista "Time" o apelidou de "Cruzado do Ano", quando Spitzer era procurador-geral.
No entanto, desde que foi eleito governador, o político já enfrentou diversos problemas, incluindo um plano impopular de conceder habilitação de veículos a imigrantes ilegais.
O governador foi procurador-geral durante dois mandatos, nos quais esteve envolvido em casos civis e criminais, combatendo a corrupção e lidando com conflitos de interesse em Wall Street e em empresas americanas. Spitzer já havia sido promotor, quando trabalhava com crime organizado e crimes de colarinho branco.
Enquanto promotor, Spitzer trabalhou em processos contra redes de prostituição e turismo envolvendo prostituição. Em 2004, o governador fez parte de um grupo que investigou um serviço de acompanhantes em Nova York que resultou na prisão de 18 pessoas sob acusações de promover a prostituição.
Com Efe, Associated Press e France Presse
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