Atentados matam ao menos 24 pessoas no Paquistão
da Folha Online
Dois atentados ocorridos nesta terça-feira (11) na cidade de Lahore, ao leste do Paquistão, mataram ao menos 24 pessoas e feriram ao menos outras 150.
As explosões de hoje foram praticamente simultâneas, ocorridas em dois bairros de Lahore, uma semana depois do último atentado no país --que aconteceu na mesma cidade contra uma escola naval e deixou cinco pessoas mortas.
Um dos ataques foi cometido contra a sede da Agência Federal de Investigação, que ficou destruída, e o outro ocorreu em uma área residencial da cidade e tinha como objetivo atacar uma agência de publicidade governamental. Os dois pontos tinham cerca de dez quilômetros de distância entre eles.
As autoridades paquistanesas declararam o estado de "alerta máximo" em todo o país para a prevenção de novos atentados, afirmou a emissora Dawn.
Ao menos 21 pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas no ataque contra a sede da Agência Federal de Investigação, informou o chefe de polícia da cidade, Malik Mohammad Iqbal. "Pode ter sido um atentado suicida com carro-bomba, mas ainda não podemos confirmar a informação", disse.
| K.M. Chaudary/AP |
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| Equipes de resgate e oficiais da segurança trabalham no local da explosão de uma bomba nesta terça-feira em Lahore, no Paquistão |
No mesmo prédio funcionava uma unidade de investigação especial, treinada pelos Estados Unidos, de luta contra o terrorismo, que segundo autoridades locais foi o alvo do ataque.
O edifício de oito andares desabou parcialmente com o impacto da explosão. Poças de sangue e pedaços de corpos eram vistos nos escombros e perto dos automóveis incendiados nas imediações.
A polícia esvaziou o prédio por temer o desabamento completo e isolou a área. Equipes de emergência trabalhavam nos escombros e retiravam os feridos.
"Havia sangue por todos os lados, vi pedaços de corpos espalhados na recepção do edifício", disse Wali Mohamed Jan, um advogado que estava no segundo andar no momento do atentado.
Segunda explosão
A segunda explosão aconteceu em uma agência de publicidade, em um bairro luxuoso da cidade, e deixou ao menos três mortos, incluindo duas crianças, segundo a polícia. "Um carro-bomba invadiu o prédio", afirmou o porta-voz do ministério do Interior, o general Javed Cheema.
A polícia disse que o carro tinha duas pessoas dentro e explodiu após parar no portão da agência, perto da casa em Lahore de Asif Ali Zardari, o viúvo da ex-primeira-ministra assassinada Benazir Bhutto.
O presidente Pervez Musharraf condenou o atentados e afirmou em um comunicado que "os atos terroristas não poderão minar a determinação do governo em combater esta praga com todas as suas forças".
Uma onda sem precedentes de atentados, reivindicados ou atribuídos a extremistas islâmicos ligados à Al Qaeda e aos talibãs, afeta o Paquistão há meses.
Os talibãs paquistaneses e o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, declararam "jihad" (guerra santa) a Musharraf e a seu Exército.
Desde a invasão da Mesquita Vermelha de Islamabad, em 12 de julho de 2007, quando o Exército e a polícia mataram mais de cem radicais armados, os extremistas intensificaram os atentados suicidas em todo o país.
Benazir
O auge da onda de ataques aconteceu em 27 de dezembro com o assassinato da líder da oposição, a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, na área de Islamabad (capital paquistanesa), ao fim de um comício.
Desde o início de 2007, ou seja em 14 meses, ao menos 1.060 pessoas, incluindo vários civis, morreram em 118 atentados, a maioria cometidos por suicidas.
Os atos de violência aumentam a incerteza sobre o futuro da república islâmica de 160 milhões de habitantes, única potência militar nuclear do mundo muçulmano e aliada chave dos Estados Unidos na "guerra contra o terrorismo".
O país também vive uma grave crise política: a oposição, liderada pelos partidos de Benazir Bhutto e Nawaz Sharif, venceu com folga as eleições legislativas e provinciais de 18 de fevereiro, mas o presidente Musharraf, recentemente reeleito pelo Parlamento, se nega a abandonar a chefia de Estado. Musharraf tomou o poder em 1999 por meio de um golpe de Estado militar.
Com France Presse, Efe e Reuters
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