Mundo
11/03/2008 - 11h33

Jornal cubano revela passado de republicano McCain, diz "Post"

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da Folha Online

Uma reportagem publicada em janeiro de 1970 pelo jornal cubano "Granma" traz uma entrevista com o republicano John McCain, na época um prisioneiro de guerra dos vietnamitas. A entrevista, feita pelo psicólogo espanhol radicado em Cuba Fernando Barral, foi lembrada em matéria do jornal americano "Washington Post".

Leia a íntegra da reportagem em inglês no "Washington Post"

A reportagem do jornal cubano ficou guardada por décadas na casa de Barral, até que ele decidiu pendurá-la na parede de seu restaurante em Havana, graças à volta de McCain à mídia com sua pré-candidatura à Casa Branca.

A foto de McCain em trajes de soldado foi publicada há 38 anos, em 24 de janeiro de 1970, e marca um dos períodos mais marcantes de sua vida: os cinco anos que passou como prisioneiro de guerra, depois que o jato em que voava ter sido derrubado sobre o norte do Vietnã, na guerra entre o país asiático e os EUA.

Barral, 79, conheceu McCain, 71, pela primeira vez para a entrevista, em Hanói, capital vietnamita. Durante a entrevista, relata, McCain foi "presunçoso e não mostrou nenhuma piedade pelas mortes de civis causadas pelo bombardeio de Hanói do qual participou".

Roy Dabner/Efe
Texto: RDX01. PHOENIX (EEUU), 10/03/08.- El posible candidato presidencial republicano y senador John McCain atiende a los medios durante la rueda de prensa ofrecida en el aeropuerto Sky Harbor de Phoenix, EEUU, el 10 de marzo de 2008. EFE/Roy Dabner
O candidado republicano John McCain em coletiva de imprensa em Phoenix. Para o psicólogo Barral, ele era um soldado presunçoso

Encontro

McCain menciona brevemente o encontro com Barral em sua autobiografia de 1999, "Faith of My Fathers". Na obra, ele caracteriza o entrevistador como "um propagandista cubano, disfarçado como psicólogo espanhol e fazendo um bico como jornalista". Ele escreveu ainda que o psicólogo concluiu que ele era um "psicopata", apesar de Barral negar tal conclusão.

O psicólogo mantém até hoje suas anotações gerais da entrevista. Após saber da campanha de McCain à Presidência, há seis meses, ele pendurou o recorte em seu restaurante, dentro de uma antiga mansão em Playa, perto do centro de Havana. Mas quase ninguém o notou até alguns dias atrás quando, segundo Barral, um repórter viu-a entre as menções do revolucionário argentino Che Guevara.

A viagem de 40 dias a Hanói foi um prêmio concedido a Barral, em 1967 em uma competição de redação na qual ele escreveu sobre a "atitude revolucionária". O primeiro lugar concedeu-lhe a viagem que ele chama de "pesquisa científica" sobre os vietnamitas e sua habilidade de resistir às forças norte-americanas. "Naquela época, eles eram o topo da nossa atenção em Cuba", afirma Barral. "Era o melhor exemplo de um país confrontando o imperialismo".

A viagem foi adiada até 1969 e, uma vez em Hanói, ele realizou pesquisa de campo na qual concluiu que as forças armadas norte-americanas estavam subestimando os vietnamitas. Foi quando ele teve a idéia de entrevistar um soldado americano para descobrir como o "inimigo pensa".

Entrevista

A entrevista durou cerca de 45 minutos. Segundo Barral, ele encontrou-se com McCain no escritório do comitê de Hanói para relações estrangeiras. Já McCain registrou em seu livro que a entrevista foi em um hotel.

Após realizar um exame médico em McCain, no qual constatou que ele tinha fraturas múltiplas de quando se ejetou do avião, eles conversaram sobre família, aspirações e o bombardeamento de seu avião. No seu livro, McCain relata que Barral fez perguntas "inócuas sobre sua vida, escolas que freqüentou e família". "Ele estava apenas interessado em falar de si mesmo. Ele tinha um enorme ego", lembra Barral.

Atualmente, Barral segue a disputa política nos Estados Unidos através de reportagens enviadas por amigos e parentes no exterior. Ele diz preferir o candidato democrata Barack Obama porque ele "representa a mudança".

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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