Governador de NY gastou até US$ 80 mil com prostitutas, dizem investigadores
da Folha Online
O governador de Nova York, Eliot Spitzer, que enfrenta forte pressão para renunciar por envolvimento em investigação sobre uma rede de prostituição, gastou dezenas de milhares de dólares com prostitutas de luxo, segundo investigadores do caso. A soma pode atingir US$ 80 mil (cerca de R$ 135,9 mil).
Spitzer, 48, e sua família estão reclusos em seu apartamento na cidade de Nova York, enquanto republicanos pedem seu impeachment, e poucos democratas apareceram para defendê-lo.
| 10.mar.2008/Shannon Stapleton/Reuters |
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| O governador de Nova York, Eliot Spitzer, com a mulher ao lado, se desculpa por ter violado suas obrigações, sem citar o caso |
Na segunda-feira, o escândalo foi revelado em reportagem do "New York Times". De acordo com o jornal, promotores afirmaram em processo que Spitzer havia tido uma conversa telefônica gravada, na qual gastava cerca de US$ 4.300 com o serviço de acompanhantes Emperors Club VIP, sendo uma quantia do dinheiro para passar uma noite com uma prostituta chamada Kristen, e o resto como crédito para programas futuros.
Os documentos do processo citados pelo "NYT" também sugerem que Spitzer já havia pago por prostitutas da rede antes.
Após a revelação do escândalo, Spitzer pediu desculpas à família e a Nova York por ter violado suas "obrigações familiares", mas não citou o caso. Ele não confirmou nem negou a reportagem. No discurso, o governador -- casado há 21 anos e pai de três filhas-- não falou sobre renunciar, mas disse que "a política não é sobre indivíduos, mas sobre idéias".
Milhares de dólares
Em condição de anonimato, um membro dos serviços de segurança dos EUA afirmou nesta terça que Spitzer gastou dezenas de milhares de dólares com a Emperors Club. Outro investigador disse que a quantia pode chegar a US$ 80 mil. Mas não ficou claro em quanto tempo ele teria gasto esse dinheiro.
Um terceiro policial disse que investigadores descobriram que Spitzer usou dois quartos no hotel Mayflower em Washington, na noite do programa com Kristen --um para ele, outro para a prostituta. Por volta das 22h Spitzer escapou de seu esquema de segurança e seguiu para o quarto onde Kristen o esperava, de acordo com o policial.
Nesta terça, o governador ainda avaliava seus próximos passos. As opções incluem a renúncia imediata, ou esperar para usar a renúncia como moeda de negociação com promotores federais para evitar ser indiciado.
Os democratas também revelaram outra opção, de que o governador considera se manter no cargo, o que parecia impensável após o pedido de desculpas feito na segunda.
"Se o público levar numa boa, ele ficará", disse um democrata que falou à agência de notícias Associated Press em condição de anonimato dada a delicadeza do assunto.
Ainda assim, os vários inimigos de Spitzer aproveitaram a oportunidade para pedir sua renúncia, e alguns de seus amigos foram do choque ao estado de revolta.
"Particularmente por causa da plataforma de reforma com a qual ele foi eleito governador, sua habilidade de governar o Estado de Nova York e seus deveres como governador foram danificados de maneira irreparável", afirmou a União de Cidadãos, ONG que apoiou a candidatura do então procurador-geral para governador em 2006.
"A nossa forte crença é de que é impossível para ele preencher suas responsabilidades como governador". Sendo assim, a organização pede sua renúncia, assim como os republicanos do Estado.
O líder da minoria republicana na assembléia estadual, James Tedisco, afirmou que irá pedir seu impeachment caso ele não renuncie nas próximas 48 horas. No entanto, um impeachment parece improvável, já que a Assembléia do Estado tem maioria democrata.
Escândalo
O escândalo veio à tona ontem, após alegações de que o governador teria gasto milhares de dólares por uma noite com uma garota chamada Kristen em um hotel em Washington.
De acordo com o "NYT", Spitzer era cliente de uma rede de prostituição de luxo. Autoridades americanas que investigavam a rede de prostituição gravaram uma conversa do governador de NY em Washington, quando ele contratava os serviços de uma garota de programa.
As autoridades que investigavam a rede de prostituição gravaram a ligação telefônica de um homem, identificado como "cliente 9", que confirmava um encontro com "uma mulher em sua viagem de Nova York a Washington, onde reservou um quarto", segundo o jornal.
"As fontes identificaram Spitzer como o cliente 9", acrescenta o "NYT", que Spitzer sabia que seu nome estava envolvido no caso, pois autoridades federais entraram em contato com ele.
"O homem descrito como Cliente 9 nos documentos do julgamento fez um programa com uma prostituta da rede Emperors Club VIP, na noite de 13 de fevereiro", indica o jornal.
"Spitzer viajou para Washington nesta tarde", acrescenta o "NYT", que menciona como fonte uma das pessoas do gabinete do governador encarregada de organizar suas viagens.
O site Emperors Club VIP na internet mostra fotos dos corpos das prostitutas, com seus rostos escondidos, e os preços por hora de cada uma, dependendo de sua avaliação que vai de um a sete diamantes. Os programas mais caros custam US$ 5.500 (cerca de R$ 9.258).
Com Associated Press, France Presse e Efe
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