Mundo
12/03/2008 - 08h29

Obama vence no Mississippi e já está na Pensilvânia para campanha

da Folha Online

O senador Barack Obama ganhou nesta terça-feira as primárias democratas no Mississippi, confirmando as previsões das pesquisas de opinião. Ele e sua rival Hillary Clinton já partiram para a Pensilvânia, onde farão campanha para as primárias de 22 de abril.

Com 98% dos votos apurados, Obama foi declarado o vencedor com 60% enquanto sua oponente Hillary Clinton somou apenas 38%, segundo dados da rede de TV americana CNN. Esta é a sua 29ª vitória na corrida pela nomeação democrata e reafirma a volta de sua seqüência de vitórias após a derrota no Texas, Ohio e Rhode Island.

A vitória de Obama foi atribuída ao eleitorado negro que representa quase 70% dos eleitores democratas no Estado e já garantiu outras vitórias de Obama em Estados do sudeste dos Estados Unidos. De acordo com pesquisas de boca de urna realizadas pela CNN, 91% dos eleitores negros do Mississippi votaram no candidato.

Já Hillary contou, como aponta a mesma pesquisa, com 72% dos votos da população branca. Estes dados têm levantado comentários de que a corrida democrata no Estado foi, mais do que em qualquer outro lugar, uma disputa racial.

As pesquisas de boca de urna realizadas pela CNN indicaram que quase 40% dos eleitores democratas de Mississippi afirmaram que a questão racial foi um fator importante na escolha pelo candidato. Destes eleitores, 90% apoiaram Obama.

Já em Ohio, que deu a vitória a Hillary Clinton, 20% dos eleitores afirmaram que este era um fator importante para suas decisões. Destes, 60% votaram na candidata.

Mississippi garantiu um total de 17 delegados para Obama e 11 para Hillary. No total, o senador por Illinois conta com 1.608 delegados contra 1.478 da senadora por Nova York, segundo a rede CNN. São necessários 2.025 votos para garantir a nomeação à candidatura na Convenção Democrata Nacional, que ocorrerá entre 25 e 28 de agosto.

"O que nós tentamos fazer é garantir que, em cada Estado, nós mostremos a necessidade de mudança para este país. Obviamente as pessoas de Mississippi responderam", contou Obama a rede CNN após a confirmação de sua vitória.

A campanha de Hillary enviou um comunicado parabenizando Obama por sua vitória e afirmando que estavam ansiosos pela campanha na Pensilvânia e nos outros Estados restantes já que "a campanha continua".

Próximo passo

Com a vitória de Obama dada como certa nesta terça-feira, os dois candidatos democratas já partiram para a Pensilvânia, que coloca em jogo 158 delegados, fazendo deste o principal Estado entre os que ainda não realizaram prévias.

Após compromissos de campanha no Mississippi, Obama partiu na terça-feira de manhã para a Pensilvânia, onde fará campanha intensiva para garantir a próxima votação democrata. No mesmo dia, sua equipe criticou os comentários de Geraldine Ferraro, que apóia Hillary, marcando uma fase agressiva das campanhas democratas. Geraldine sugeriu ao jornal californiano "The Daily Breeze" que Obama chegou à posição que ocupa na corrida presidencial por ser negro.

"Se Obama fosse um homem branco, ele não estaria nesta posição. E se fosse mulher (de qualquer cor) também não estaria nesta posição", afirmou Ferraro ao jornal da Califórnia em uma entrevista publicada na sexta-feira (7).

Já Hillary continua focando seus discursos na afirmação de que as promessas de Obama não passam de discurso político. "Falar dos problemas é fácil. Difícil é resolvê-los", disse na tarde desta terça-feira, durante um discurso em Harrisburg, acusando seu adversário de ter apenas 'palavras' para oferecer ao povo americano.

"A escolha nesta campanha é exatamente essa: soluções com as quais se pode contar, ou palavras que não resolvem nada", disparou Hillary.

A equipe de Obama reagiu com virulência. "Hillary Clinton mostrou mais uma vez que está disposta a falar e a fazer qualquer coisa para ganhar essa eleição. Ela profere críticas desacreditadas, que sabe serem falsas", declarou o porta-voz Bill Burton.

Republicanos

Para os eleitores republicanos, as primárias do Mississippi não representavam efetivamente uma escolha. Apesar de ainda não ter sido oficializado como candidato do partido, o senador John McCain já contabilizou os 1.191 votos necessários para assegurar sua nomeação na convenção republicana nacional, em setembro. Com a apuração das primárias desta terça, ele contabiliza 1.395 delegados, de acordo com a rede CNN.

McCain aproveita a nomeação garantida para dedicar-se à próxima etapa de sua campanha; a eleição presidencial em 4 de novembro. A sua assessoria de imprensa divulgou nesta segunda-feira (10) que ele viajará para Israel e para a Europa nas próximas semanas para apresentar seu programa para política externa.

Os planos de campanha do republicano incluem também uma nova viagem pelos Estados Unidos para poder ser "relembrado" por seus eleitores. "Eu gostaria de dizer que todos os 300 milhões de americanos me conhecem, mas esse não é o caso", declarou McCain recentemente.

Comentários dos leitores
Luiz Castro (20) 06/09/2008 16h20
Luiz Castro (20) 06/09/2008 16h20
É muito interessante o debate nesse espaço de jornal, cada um tem sua forma de pensar e de ver o mundo. Alguns pensam que por terem uma centena de posts sabem mais do que aqueles que "chegaram agora". Da minha parte gosto de debater e me divirto com a discussão. Só gostaria que os debates fossem sobre opinião e não sobre conhecimentos em alguma área, como por exemplo a religiosa, tão usada aqui para explicar as desgraças do mundo. Uma coisa que já aprendi é que conhecimento não tem nada a ver com sabedoria. A pessoa conhecer cada palavra da Bíblia não significa que tenha sabedoria sequer para compreender o que nela está escrito, que dirá para usar os ensinamentos. Como exemplo notório está o falecido pastor americano Billy Graham, tido por muitos dentro da sua roda como um iluminado, mas que nunca passou de um reacionário mesquinho e que tentava, através dos votos que poderia conseguir para um determinado candidato, influenciar a política mundial como uma iminência parda. Graham conseguiu o que queria, e dizem que esteve envolvido até no envio dos navios que patrulharam as costas brasileiras no golpe militar de 1964. Tudo isso com a Bíblia na mão, pregando em nome de Deus e fazendo sua palavra ser ouvida com mão de ferro, fêz escola... Sabedoria é outra coisa, e enquanto alguém usar a fé como forma de dominação não haverá paz no mundo. O fanatismo religioso cristão é tão estúpido quanto o muçulmano, ou judeu. E Jesus, só pra citar a nossa parte não tem nada com isso. sem opinião
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Eduardo Velasco (155) 06/09/2008 09h37
Eduardo Velasco (155) 06/09/2008 09h37
Não estou nem aí se o Luiz entende ou diferencia uma coisa da outra. Mas a resposta do outro realmente aponta para uma tremenda falta de lógica argumentativa.
Vejam, a premissa foi: Autodeterminação dos povos [que o Luiz não tratou do assunto, mas que o missivista rapidinho resolver ler "dentro" do texto do outro. Realmente está na CF/88: Art. 4º, III, CF/88 a tal da 'autodeterminação', mas não passa de zurrada constitucional eqüina].
Depois, uma outra premissa menor que não guarda nenhuma relação com a maior [anterior], e a conclusão ilógica [espúria]: "Por isso os Republicanos...".
Assim fica fácil: eu junto abóbora com melancia e digo que as duas são a mesma coisa porque o colorido interno de ambas são semelhantes!
Tertulia Flacida ad Bovinum Adormentare
(conversa pra boi dormir!)
Eduardo Velasco
Natal/RN
sem opinião
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Luiz Castro (20) 05/09/2008 23h04
Luiz Castro (20) 05/09/2008 23h04
Se por um lado úma vitória republicana trás tudo que estamos vendo com Bush e mais um pouco, uma vitória democrata não é sinal de que a vida vai ser melhor abaixo do rio grande. Se vão acabar com a guerra, também vão aumentar o protecionísmo com relação ao comércio, ou seja, querem vender tudo pra todo mundo mas não querem comprar nada, e quem for competitivo como os brasileiros produtores de camarão que aguardem mais subsídios para os produtores americanos. Os filhos de tio sam dão muito valor a quem não se curva a eles, que os enfrenta, quem não abaixa a cabeça. Convivendo nesse país por alguns anos vejo como eles agem. Hoje em dia a moda é se ter um filho adotado no Vietnan, se casar com orientais, principalmente mulheres oriundas dessas regiões onde os americanos foram postos pra correr. Nesse momento os soldados se envolvem com as iraquianas, trazem para a américa e muitos se convertem ao islamismo. Se é dor na conciência não sabemos, mas com certeza em alguns anos a integração entre estes países será muito maior que com os latinos, que dizem amém a tudo vindo do norte. A nossa região com todo seu potêncial energético e riquezas de toda ordem tem nas mãos a chave para abrir o caminho do progresso, o que precisamos é levantar a cabeça e olhar o primeiro mundo nos olhos, sem medo e dispostos a morrer por nosso país. A força americana reside no prazer de servir à pátria, mesmo que por causas injustas como o Iraque. Nosso chão merece esse sacrifício. 1 opinião
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