Mundo
12/03/2008 - 10h42

Polícia chinesa usa gás lacrimogêneo para dispersar monges budistas

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da Folha Online

A polícia chinesa dispersou, com bombas de gás lacrimogêneo, uma manifestação de centenas de monges budistas ocorrida pelo segundo dia consecutivo em Lhasa (capital tibetana), informou nesta quarta-feira a Radio Free Asia (Rádio Ásia Livre).

Aproximadamente 600 monges marcharam nesta terça-feira (11) de seu monastério em direção à sede da polícia para pedir a libertação dos companheiros presos na última segunda-feira (10) durante uma manifestação organizada por ocasião do 49º aniversário de exílio do Dalai Lama, o líder espiritual dos budistas tibetanos, segundo a emissora, que tem sede nos Estados Unidos.

Em Lhasa, alguns manifestantes voltaram a defender a independência do Tibete, gritando "Liberem o nosso povo" ou "Queremos um Tibete independente", segundo a RFA.

Ao chegar à sede da polícia, aproximadamente 2.000 policiais lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra os monges. A emissora não informou se o protesto terminou com prisões. Um responsável pelo escritório de segurança pública de Lhasa disse ignorar a existência de qualquer manifestação.

De acordo com a RFA, 300 monges participaram na manifestação de segunda-feira e 60 foram detidos. Um porta-voz da chancelaria chinesa confirmou mais tarde que a polícia havia reprimido a manifestação da segunda e que haviam sido feitas algumas prisões, mas não citou números.

A agência oficial Nova China, que citou um funcionário do governo tibetano, afirmou também que cerca de 300 monges haviam participado da manifestação da segunda.

Marcha

Os protestos coincidem com uma marcha simbólica de cerca de cem tibetanos exilados ao norte da índia em direção ao Tibete, que na segunda-feira percorreu cerca de 20 km a partir de Dharamsala (cidade indiana onde fica a residência do Dalai Lama e o governo tibetano no exílio) para protestar contra as "violações dos direitos humanos" cometidas pela China.

Dalai Lama, 72, denunciou na última segunda-feira "violações enormes e inconcebíveis dos direitos humanos" no Tibete, que vão até "a negação da liberdade religiosa". O líder tibetano, que ganhou em 1989 o Prêmio Nobel da Paz, voltou a ganhar apoio ocidental nos últimos meses.

"Há seis décadas os tibetanos vivem de forma permanente com medo e sob a repressão chinesa", denunciou diante de partidários reunidos em Dharamsala.

O Dalai Lama fugiu com milhares de seguidores para a Índia há exatamente 49 anos, em 1959, depois da chegada ao Tibete das tropas comunistas de Mao Zedong para sufocar uma rebelião antichinesa. As manifestações estão ocorrendo para relembrar a data.

A China, que controla o Tibete desde 1950, aplicou uma política de repressão aos partidários do Dalai Lama, venerado pelos tibetanos, e rejeita suas demandas.

Segundo analistas, o Dalai Lama, frustrado pela recusa de Pequim a todas suas demandas de autonomia cultural para o Tibete, tenta acentuar a pressão às vésperas dos Jogos Olímpicos, multiplicando suas atividades internacionais.

Com France Presse

 

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