Suposta cafetina brasileira ajudou em investigação que derrubou governador de NY
da Folha Online
Uma brasileira serviu como informante na investigação que levou à ligação do governador de Nova York, Eliot Spitzer, com uma rede de prostituição de luxo, informou nesta quinta-feira o jornal "New York Post".
Andreia Schwartz foi deportada para o Brasil na noite de quarta-feira, de acordo com o jornal, no mesmo dia em que Spitzer renunciou ao cargo.
A brasileira, que se declarou culpada em janeiro de acusações relacionadas à prostituição e ao tráfico de drogas, trabalhou para a Emperors Club VIP, empresa que agenciava a garota de programa envolvida no escândalo sexual que provocou a renúncia do governador de Nova York.
| AP |
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| Ashley Alexandra Dupré, a Kristen, que teria se encontrado com Spitzer em hotel |
No entanto, Andreia teria saído da rede para abrir sua própria casa de prostituição, o que acabou causando sua prisão por cafetinagem, em 2006. Ao aceitar as acusações, a brasileira recebeu imunidade de processos federais.
Na queixa contra Spitzer, promotores federais afirmam que souberam em 2006 de uma mulher que havia trabalhado como prostituta da Emperors Club --a brasileira Andreia.
Andreia então se tornou uma "fonte confidencial" das autoridades que investigavam Spitzer, segundo o "Post".
Apesar de não saber da ligação de Spitzer com a Emperors, ela mostrou o caminho dos documentos que ligaram o governador à rede de prostituição.
A polícia afirmou ter acesso aos cheques de pagamento que ela recebia da Consultoria QAT, a empresa laranja que possui a Emperors.
Os policiais já investigavam a movimentação de milhares de dólares de Spitzer em cheques para a QAT, mas até o momento não haviam se dado conta de que a QAT e a Emperors VIP estavam ligadas.
Escândalo
O escândalo veio à tona na última segunda-feira (10), após a publicação de uma reportagem no "New York Times". De acordo com investigações, uma prostituta conhecida como Kristen encontrou-se com Spitzer no Hotel Mayflower, em Washington, em 13 de fevereiro. Segundo a polícia, o governador pagou por dois quartos na noite do programa --um para ele, outro para a prostituta. Por volta das 22h, ele escapou de seu esquema de segurança e seguiu para o quarto onde Kristen o esperava.
Fontes dos serviços de segurança dos EUA afirmaram na terça (11) que Spitzer gastou dezenas de milhares de dólares com o serviço de acompanhantes Emperors Club VIP, do qual Kristen fazia parte. Outro investigador disse que a quantia pode chegar a US$ 80 mil (cerca de R$ 135 mil). Não ficou claro em quanto tempo ele teria gasto esse dinheiro.
Segundo o "Times", na segunda-feira, Kristen, cujo nome verdadeiro é Ashley Alexandra Dupré, 22, compareceu a uma corte federal, onde um advogado foi escolhido para representá-la. Ela deve depor como testemunha no caso.
O Emperors Club VIP mostrava fotos dos corpos das acompanhantes, com seus rostos escondidos e os preços dos programas de cada uma, em um site na internet. A cotação das mulheres dependia da avaliação no site (de um a sete diamantes). O programa de uma hora com as garotas mais caras custava US$ 5.500 (cerca de R$ 9.258).
Uma hora de programa com Kristen custava cerca de US$ 1.000 (cerca de R$ 1.600), segundo o "Times".
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