Mundo
14/03/2008 - 14h44

Irã prorroga por três horas votação para renovar Parlamento

Publicidade

da Folha Online

As autoridades responsáveis pelo processo eleitoral no Irã constataram a ida em massa dos eleitores às urnas e decidiram prolongar por três horas a votação em todo o país.

Os mais de 45 mil colégios eleitorais nas 30 Províncias iranianas abriram às 8h (1h30 de Brasília) para as eleições parlamentares, nas quais cerca de 44 milhões de iranianos estão convocados a renovar 290 cadeiras do Parlamento. A votação em todo o país estava prevista para acabar às 18h (11h30 de Brasília) e foi prorrogada até as 21h (14h30 de Brasília).

"Os relatórios que recebemos em todo o país indicam que há uma grande participação do povo na votação", disse um porta-voz do Conselho dos Guardiães, que não descartou que os colégios continuem abertos por mais uma hora.

O presidente da Comissão Eleitoral, Reza Afshar, disse que a ampla participação "fez retroceder a possibilidade de realizar um segundo turno do pleito".

Vários responsáveis pelo processo eleitoral afirmam que a ida dos eleitores às urnas "aumentou de forma notável" à tarde, e um deles, que não quis ser identificado, ressaltou que "os iranianos costumam deixar as coisas para o último minuto".

Farsa

A líder do CNRI (Conselho Nacional da Resistência Iraniana), Maryam Rajavi, qualificou como uma farsa as eleições gerais que acontecem nesta sexta-feira no Irã e pediu que a comunidade internacional renuncie a sua política de "complacência" com o regime islâmico.

Raheb Homavandi/Reuters
O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, registra voto em mesquita em Teerã
O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, registra voto em Teerã

São eleições "totalmente ilegítimas" e "boicotadas pelo povo iraniano", disse a líder do conselho, cuja sede está na França. O CNRI afirmou que em muitos dos 25 mil colégios eleitorais no Irã --de um total de cerca de 45 mil--, que são vigiados pela rede da resistência, há mais policiais e outros agentes que eleitores. O CNRI, braço político da Organização dos Mujahidin do Povo do Irã, havia pedido aos iranianos que boicotassem as eleições.

A comunidade internacional "deve reconhecer que as eleições são ilegítimas", afirmou Rajavi, que denunciou também casos de "fraude" assim como as ameaças de privar os que não votarem de cupons para alimentos ou gasolina.

A líder da resistência advertiu que o próximo Parlamento iraniano será "o da fabricação da bomba" atômica, da "dominação do Iraque e do Líbano", e da "repressão em Irã", com um regime "mais frágil e extremista".

Participação

Em 2004, as eleições legislativas registraram o índice mais baixo de participação da história do país, com o comparecimento de apenas 51,2% dos eleitores. Na ocasião, os conservadores derrotaram os reformistas e obtiveram mais de 90% das cadeiras da câmara.

Segundo uma pesquisa publicada pela agência Irna, as autoridades esperam a participação de mais de 60% do eleitorado nas eleições deste ano. Como nas eleições anteriores, órgãos de supervisão eleitoral --administrados pelos conservadores-- vetaram a candidatura de mais de 2.000 candidatos em potencial, entre eles muitos reformistas.

Cerca de 4.700 candidatos disputam as 290 vagas. Em Teerã, 841 candidatos tentam alcançar uma das 30 cadeiras em jogo, de acordo com dados do governo iraniano. O papel do Parlamento é secundário se comparado com o do presidente -- atualmente Mahmoud Ahmadinejad-- e o do líder supremo --Ali Khamenei-- que é a principal autoridade.

Com Efe

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca