China fecha Tibete para turistas estrangeiros; governo diz que dez morreram em distúrbios
da France Presse, em Chengdu (China)
da Folha Online
A região do Tibete está fechada para turistas estrangeiros depois dos distúrbios de sexta-feira em Lhasa, de acordo com agências de viagens da cidade de Chengdu (sudoeste). "Os turistas estrangeiros não podem vir a Lhasa, não são mais concedidas permissões", disse à agência de notícias France Presse por telefone a agente de viagens na capital tibetana Wu Yongzhe.
Uma diretora de um hotel de Chengdu (ponto de passagem quase obrigatório para os turistas que viajam para o Tibet de avião) disse à France Presse que os vistos para os estrangeiros estão suspensos desde ontem e que não pode organizar mais viagens.
Os distúrbios no Tibete ocorridos nesta sexta-feira (14) deixaram ao menos dez mortos, segundo a versão das autoridades chinesas, divulgada pela agência oficial chinesa de notícias "Xinhua". Já o governo tibetano no exílio, citando relatórios não confirmados, indicou que cerca de cem pessoas morreram nos distúrbios. Os jornalistas foram proibidos de entrar na cidade.
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Fontes do governo regional, segundo a agência de notícias Efe, disseram que entre os mortos se encontram dois funcionários de um hotel e dois comerciantes e que nenhum deles é de nacionalidade estrangeira. O governo chinês informou ainda que ocorreram saques e incêndios de lojas, shoppings, veículos e mesmo de uma mesquita, mas que a situação voltou à normalidade.
O porta-voz do governo tibetano no exílio, Thupten Samphel, disse que os relatos não confirmados que recebeu falam em tanques chineses na capital para reprimir as manifestações de monges tibetanos e da população civil que protestavam pela ocupação chinesa do Tibete.
Desde o início da semana, os monges budistas se manifestam no Tibete e nas regiões próximas onde vivem as minorias tibetanas, por ocasião do 49º aniversário do levante de Lhasa, que levou o Dalai Lama ao exílio.
Focos de incêndios foram detectados no mercado da antiga cidade de Lhasa, o Barkhor, que circunda o principal mosteiro da capital tibetana, segundo os bombeiros e um grupo de defesa dos direitos dos tibetanos.
Na segunda e na terça, a polícia chinesa dispersou a multidão em Lhasa com bombas de gás lacrimogêneo durante manifestação de centenas de monges budistas, alguns dos quais exigiam a independência do Tibete.
Ao menos 200 pessoas lideradas por monges budistas iniciaram um protesto nesta sexta à tarde em Xiahe, cidade de uma região tibetana do noroeste da China.
Em Xiahe está localizado o mosteiro Labrang, um dos templos budistas fora da região autônoma tibetana.
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