Mundo
15/03/2008 - 09h03

China fecha Tibete para turistas estrangeiros; governo diz que dez morreram em distúrbios

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da France Presse, em Chengdu (China)
da Folha Online

A região do Tibete está fechada para turistas estrangeiros depois dos distúrbios de sexta-feira em Lhasa, de acordo com agências de viagens da cidade de Chengdu (sudoeste). "Os turistas estrangeiros não podem vir a Lhasa, não são mais concedidas permissões", disse à agência de notícias France Presse por telefone a agente de viagens na capital tibetana Wu Yongzhe.

Uma diretora de um hotel de Chengdu (ponto de passagem quase obrigatório para os turistas que viajam para o Tibet de avião) disse à France Presse que os vistos para os estrangeiros estão suspensos desde ontem e que não pode organizar mais viagens.

Os distúrbios no Tibete ocorridos nesta sexta-feira (14) deixaram ao menos dez mortos, segundo a versão das autoridades chinesas, divulgada pela agência oficial chinesa de notícias "Xinhua". Já o governo tibetano no exílio, citando relatórios não confirmados, indicou que cerca de cem pessoas morreram nos distúrbios. Os jornalistas foram proibidos de entrar na cidade.

Arte Folha Online

Fontes do governo regional, segundo a agência de notícias Efe, disseram que entre os mortos se encontram dois funcionários de um hotel e dois comerciantes e que nenhum deles é de nacionalidade estrangeira. O governo chinês informou ainda que ocorreram saques e incêndios de lojas, shoppings, veículos e mesmo de uma mesquita, mas que a situação voltou à normalidade.

O porta-voz do governo tibetano no exílio, Thupten Samphel, disse que os relatos não confirmados que recebeu falam em tanques chineses na capital para reprimir as manifestações de monges tibetanos e da população civil que protestavam pela ocupação chinesa do Tibete.

Desde o início da semana, os monges budistas se manifestam no Tibete e nas regiões próximas onde vivem as minorias tibetanas, por ocasião do 49º aniversário do levante de Lhasa, que levou o Dalai Lama ao exílio.

Focos de incêndios foram detectados no mercado da antiga cidade de Lhasa, o Barkhor, que circunda o principal mosteiro da capital tibetana, segundo os bombeiros e um grupo de defesa dos direitos dos tibetanos.

Na segunda e na terça, a polícia chinesa dispersou a multidão em Lhasa com bombas de gás lacrimogêneo durante manifestação de centenas de monges budistas, alguns dos quais exigiam a independência do Tibete.

Ao menos 200 pessoas lideradas por monges budistas iniciaram um protesto nesta sexta à tarde em Xiahe, cidade de uma região tibetana do noroeste da China.

Em Xiahe está localizado o mosteiro Labrang, um dos templos budistas fora da região autônoma tibetana.

 

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