Mundo
15/03/2008 - 12h38

Conservadores obtêm 71% das cadeiras no Parlamento iraniano, diz ministro

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da Efe, em Teerã

Os conservadores obtiveram 71% dos 290 assentos do Parlamento iraniano, segundo resultados parciais das eleições realizadas nesta sexta-feira (14) no Irã, disse o ministro do Interior, Mustafa Pour Mohammadi.

O ministro não especificou quantas cadeiras exatamente conquistaram os conservadores, que participaram das eleições sob duas listas diferentes, mas disse que esse número pode aumentar nas próximas horas.

"Mais de 71% das cadeiras foram [obtidas] por conservadores", disse Pour Mohammadi, na primeira declaração de uma autoridade iraniana sobre o resultado da apuração.

O ministro havia ressaltado que os resultados registrados no Irã serão anunciados na terça ou na quarta-feira (dias 18 ou 19), mas a imprensa local e os porta-vozes das legendas tradicionalistas asseguram que 18 de seus candidatos lideram a apuração.

Entre os candidatos mais conhecidos no país está Gholam Reza Haddad Adel, presidente do atual Parlamento e aliado do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

Fontes dos principais grupos reformistas se queixam de que suas legendas não conseguiram apresentar candidatos em dezenas de circunscrições devido à rejeição de centenas de seus aspirantes pelo Conselho de Guardiães.

Os reformistas, que também concorreram às eleições sob várias listas, ocupavam 40 cadeiras do atual Parlamento.

Comparecimento

De acordo com os responsáveis pela supervisão do processo, cerca de 60% dos 43 milhões de eleitores iranianos compareceram às urnas para eleger o oitavo "Majlis" ou Parlamento na história da República Islâmica.

Em 2004, as eleições legislativas registraram o índice mais baixo de participação da história do país, com o comparecimento de apenas 51,2% dos eleitores. Na ocasião, os conservadores derrotaram os reformistas e obtiveram mais de 90% das cadeiras da câmara.

O presidente da Comissão Eleitoral, Reza Afshar, afirmou que "a grande participação diminuiu as chances de haver segundo turno do pleito".

Indiferença

"Voto porque tenho que fazer e por ser um membro da sociedade", disse Simá à agência de notícias Efe, uma jovem de cerca de 20 anos, após confessar que conhecia apenas "três ou quatro" dos 30 candidatos que concorriam por Teerã.

Simá, que esperava sua vez entre cerca de 20 pessoas para votar em uma urna móvel do bairro Fatemi, disse que marcaria os nomes dos candidatos que conhecia, independentemente se eram reformistas ou conservadores.

Outro eleitor do bairro Tagrish (norte) disse que votou nos reformistas, apesar de comentar que tem "certeza de que não farão nada se chegarem ao Parlamento".

"O que quero é ter o selo comprovante de votação em minha carteira de identidade", disse o homem, que não quis se identificar.

Sua opinião é compartilhada por muitos iranianos e se deve, segundo os analistas, à insatisfação da população em relação aos crescentes problemas econômicos, principalmente à inflação incontrolável e à incessante alta dos preços.

No entanto, muitos iranianos lembram que os reformistas do ex-presidente Mohammad Khatami, que governou de 1997 até a vitória do presidente ultraconservador, Mahmoud Ahmadinejad, em 2005, "também não resolveram os problemas", mas aliviaram até certo ponto as restrições na sociedade.

Apesar disso, o ambiente eleitoral em Teerã se dilui entre as dezenas de milhares de pessoas que saíram às ruas e lotaram os shoppings e seus arredores, além das principais lojas, para fazer suas compras antes da chegada do Noruz (o Ano Novo iraniano, que normalmente começa no dia 21 de março).

 

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