Mundo
15/03/2008 - 22h57

Temendo boicote às Olimpíadas, China domina ruas de Lhasa

da Associated Press, em Pequim

As forças de segurança chinesas tomaram neste sábado as ruas de Lhasa, a capital do Tibete, mandou turistas saírem da cidade e implantou um estrito toque de recolher, num momento que Pequim arrisca sofrer um boicote aos seus Jogos Olímpicos no caso de uma repressão agressiva aos protestos na região. China exige o fim dos protestos tibetanos até as 13h deste domingo (horário de Brasília) e ameaça tomar "medidas severas".

Os protestos começaram na segunda-feira (10) passada, com o 49º aniversário da malsucedida insurreição contra a dominação chinesa. O Tibete era um país independente até 1951, quando a China o ocupou. O ápice dos confrontos ocorreu na última sexta-feira (14). O tibetanos afirmam que choques com forças chinesas deixaram cem mortos, até agora, mas o governo da China admite oficialmente apenas dez.

A presença militar nas ruas impôs um tenso silêncio em Lhasa, um dia depois que manifestantes tibetanos atacaram prédios governamentais e apedrejaram chineses no pior protesto contra a dominação chinesa em aproximadamente duas décadas.

Em outra cidade à oeste do Tibete, a polícia entrou em confronto com centenas de monges budistas que lideraram uma demonstração de simpatia aos manifestantes.

Eddy Risch /Efe
Manifestantes tibetanos protestam também em outros lugares do mundo, como na cidade de Zurique (Suíça)
Manifestantes tibetanos protestam também em outros lugares do mundo, como na cidade de Zurique (Suíça)

Olimpíadas

A violência explodiu duas semanas antes da China iniciar o revezamento da tocha olímpica no país --que inclusive passará pelo Tibete.

O governo chinês esperava que o fato de sediar as Olimpíadas no país --o que ocorrerá em Pequim no mês de agosto-- traria maior popularidade interna e a melhora de sua imagem no exterior. Porém, o evento também trouxe dúvidas sobre como eles lidam com os direitos humanos e com problemas de poluição.

Novas demonstrações de apoio à causa tibetana pipocaram em diversas lugares do mundo, especialmente nos Estados Unidos, Nepal, Suíça e Austrália.

Mas as críticas internacionais à repressão das manifestações do Tibete são moderadas até o momento. Estados Unidos e União Européia pediram moderação ao governo chinês, e não fizeram por enquanto qualquer menção de boicotar os Jogos Olímpicos.

O presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Jacques Rogge, disse neste sábado se opor a um boicote aos Jogos Olímpicos devido ao problema.

"Nós acreditamos que um boicote não resolve nada", disse Rogge. "Pelo contrário, penaliza atletas inocentes e impediria a organização de alto que definitivamente vale a pena ocorrer."

Arte Folha Online

Monges detidos

Monges budistas aderiram às manifestações iniciadas na última segunda-feira e pedem a libertação de monges detidos. A independência do Tibete entrou nas reivindicações e os protestos ficaram violentos após a polícia tentar parar um grupo de monges em marcha.

Os confrontos contra a dominação chinesa se intensificaram, e os tibetanos direcionaram suas ações contra chineses e suas lojas, hotéis e outros estabelecimentos comerciais.

A agência oficial de notícias chinesa Xinhua informou que ao menos dez chineses foram mortos pelos manifestantes. Já o governo em exílio --liderado pelo dalai-lama-- disse que a polícia chinesa matou ao menos 30 tibetanos e que esse número possivelmente atingiu cem.

O número de mortos e feridos não pode ser verificado com isenção devido às restrições para a circulação da imprensa estrangeira no Tibete. Além disso, a comunicação telefônica está cortada em Lhasa.

Mas detalhes passados por testemunhas e por fontes oficiais indicam que o governo chinês prepara uma campanha metódica no Tibete para que o derramamento de sangue seja mínimo e não atrapalhe os planos para as Olimpíadas.

A polícia em Lhasa criou postos de verificação no sábado, blindados transitavam nas ruas vazias e as pessoas permaneciam recolhidas. A demonstração de força impôs um tenso silêncio. Mas testemunhas informaram que ocorriam eventuais tiroteios.

Um turista americano que tinha ido à Lhasa disse que viu tropas chinesas se movimentando nas ruas atirando, mesmo que não tivesse ninguém nelas.

Turistas estrangeiros foram levados a sair da cidade, disse um gerente de hotel e um guia turístico. O último acrescentou que os turistas foram obrigados a voltar para o aeroporto.

 

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