Temendo boicote às Olimpíadas, China domina ruas de Lhasa
da Associated Press, em Pequim
As forças de segurança chinesas tomaram neste sábado as ruas de Lhasa, a capital do Tibete, mandou turistas saírem da cidade e implantou um estrito toque de recolher, num momento que Pequim arrisca sofrer um boicote aos seus Jogos Olímpicos no caso de uma repressão agressiva aos protestos na região. China exige o fim dos protestos tibetanos até as 13h deste domingo (horário de Brasília) e ameaça tomar "medidas severas".
Os protestos começaram na segunda-feira (10) passada, com o 49º aniversário da malsucedida insurreição contra a dominação chinesa. O Tibete era um país independente até 1951, quando a China o ocupou. O ápice dos confrontos ocorreu na última sexta-feira (14). O tibetanos afirmam que choques com forças chinesas deixaram cem mortos, até agora, mas o governo da China admite oficialmente apenas dez.
A presença militar nas ruas impôs um tenso silêncio em Lhasa, um dia depois que manifestantes tibetanos atacaram prédios governamentais e apedrejaram chineses no pior protesto contra a dominação chinesa em aproximadamente duas décadas.
Em outra cidade à oeste do Tibete, a polícia entrou em confronto com centenas de monges budistas que lideraram uma demonstração de simpatia aos manifestantes.
| Eddy Risch /Efe |
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| Manifestantes tibetanos protestam também em outros lugares do mundo, como na cidade de Zurique (Suíça) |
Olimpíadas
A violência explodiu duas semanas antes da China iniciar o revezamento da tocha olímpica no país --que inclusive passará pelo Tibete.
O governo chinês esperava que o fato de sediar as Olimpíadas no país --o que ocorrerá em Pequim no mês de agosto-- traria maior popularidade interna e a melhora de sua imagem no exterior. Porém, o evento também trouxe dúvidas sobre como eles lidam com os direitos humanos e com problemas de poluição.
Novas demonstrações de apoio à causa tibetana pipocaram em diversas lugares do mundo, especialmente nos Estados Unidos, Nepal, Suíça e Austrália.
Mas as críticas internacionais à repressão das manifestações do Tibete são moderadas até o momento. Estados Unidos e União Européia pediram moderação ao governo chinês, e não fizeram por enquanto qualquer menção de boicotar os Jogos Olímpicos.
O presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Jacques Rogge, disse neste sábado se opor a um boicote aos Jogos Olímpicos devido ao problema.
"Nós acreditamos que um boicote não resolve nada", disse Rogge. "Pelo contrário, penaliza atletas inocentes e impediria a organização de alto que definitivamente vale a pena ocorrer."
| Arte Folha Online |
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Monges detidos
Monges budistas aderiram às manifestações iniciadas na última segunda-feira e pedem a libertação de monges detidos. A independência do Tibete entrou nas reivindicações e os protestos ficaram violentos após a polícia tentar parar um grupo de monges em marcha.
Os confrontos contra a dominação chinesa se intensificaram, e os tibetanos direcionaram suas ações contra chineses e suas lojas, hotéis e outros estabelecimentos comerciais.
A agência oficial de notícias chinesa Xinhua informou que ao menos dez chineses foram mortos pelos manifestantes. Já o governo em exílio --liderado pelo dalai-lama-- disse que a polícia chinesa matou ao menos 30 tibetanos e que esse número possivelmente atingiu cem.
O número de mortos e feridos não pode ser verificado com isenção devido às restrições para a circulação da imprensa estrangeira no Tibete. Além disso, a comunicação telefônica está cortada em Lhasa.
Mas detalhes passados por testemunhas e por fontes oficiais indicam que o governo chinês prepara uma campanha metódica no Tibete para que o derramamento de sangue seja mínimo e não atrapalhe os planos para as Olimpíadas.
A polícia em Lhasa criou postos de verificação no sábado, blindados transitavam nas ruas vazias e as pessoas permaneciam recolhidas. A demonstração de força impôs um tenso silêncio. Mas testemunhas informaram que ocorriam eventuais tiroteios.
Um turista americano que tinha ido à Lhasa disse que viu tropas chinesas se movimentando nas ruas atirando, mesmo que não tivesse ninguém nelas.
Turistas estrangeiros foram levados a sair da cidade, disse um gerente de hotel e um guia turístico. O último acrescentou que os turistas foram obrigados a voltar para o aeroporto.
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