Tibete sofre um "genocídio cultural", diz Dalai Lama
da Efe, em Nova Déli
O Dalai Lama, líder espiritual do Tibete, disse hoje que a região está sofrendo "um tipo de genocídio cultural" e que as autoridades chinesas pretendem alcançar a paz através do uso da força.
Em entrevista concedida em Dharamsala, cidade da Índia onde está estabelecido o governo tibetano no exílio, o Dalai Lama disse que, de uma forma "proposital ou não proposital, está ocorrendo um tipo de genocídio cultural" no Tibete.
Além disso, disse que suas reivindicações não mudaram por causa dos recentes eventos, e que continua pedindo "autonomia, não independência".
O líder espiritual também pediu a ajuda da comunidade internacional, à qual atribuiu uma responsabilidade de caráter moral na causa tibetana.
| Arte Folha Online |
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Em seu primeiro comparecimento público após os distúrbios de sexta-feira (14) em Lhasa (capital tibetana), o Dalai Lama voltou a expressar seu apoio à realização dos Jogos Olímpicos de Pequim neste ano.
Fontes oficiais chinesas indicam que estes distúrbios deixaram "10 civis mortos e 12 policiais gravemente feridos". No entanto, o exílio tibetano afirma que há pelo menos 30 mortos e precisa que recebeu informações de que o número poderia chegar aos 100.
O líder tibetano denunciou os impedimentos e restrições que, segundo ele, as autoridades chinesas impõem ao desenvolvimento da educação e à formação nos mosteiros tibetanos, e alertou do risco de desaparecimento do patrimônio cultural do Tibete.
Além disso, expressou sua preocupação com o fato de que as autoridades chinesas tenham feito uso da "força" para conseguir a estabilidade e a paz na região tibetana.
Os distúrbios em Lhasa ocorrem em meio aos protestos que acontecem desde o dia 10 protagonizados por monges budistas, e que se iniciaram para lembrar o aniversário da fracassada rebelião tibetana contra o mandato chinês em 1959, que levou o Dalai Lama ao exílio.
Calcula-se que a Índia recebeu cerca de 130 mil tibetanos a partir de 1959.
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