Mundo
16/03/2008 - 09h27

Dalai-lama denuncia "genocídio cultural" no Tibete e pede investigação internacional

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da Folha Online

O líder espiritual tibetano, dalai-lama, pediu neste domingo uma investigação internacional sobre a ação do governo chinês contra as manifestações ocorridas na sexta-feira (14) em, Lhasa (capital do Tibete). Para ele, a região está sofrendo "um tipo de genocídio cultural e que as autoridades chinesas pretendem alcançar a paz através do uso da força.

"Algumas organizações internacionais respeitáveis podem descobrir qual é a situação do Tibete e qual a sua causa", disse, em uma entrevista em Dharamsala (norte da Índia), onde está estabelecido o governo tibetano no exílio. "Seja proposital ou não proposital, está ocorrendo um tipo de genocídio cultural" no Tibete, afirmou.

Em seu primeiro comparecimento público após os distúrbios de sexta-feira (14) em Lhasa (capital tibetana), o dalai-lama voltou a expressar seu apoio à realização dos Jogos Olímpicos de Pequim neste ano.

Arte Folha Online

O governo tibetano no exílio informou hoje que fontes confirmam as mortes de ao menos 80 pessoas durante os distúrbios e que a cidade permanece sitiada, com todos os acessos bloqueados. Ontem as autoridades tibetanas informaram ter relatórios não confirmados indicando que cerca de 100 pessoas haviam morrido em Lhasa e em outros pontos da região.

Fontes oficiais chinesas, citadas pela agência "Xinhua", no entanto, avaliaram em dez o número de mortos nos distúrbios.

O governo autônomo da região --controlada pelo governo central da China-- deu ontem um ultimato para que os protestos cessem: o ultimato vai até a 0h de segunda-feira (13h deste domingo em Brasília).

Ontem a polícia e o Exército chineses ocuparam as ruas da cidade. O comércio da cidade permaneceu fechado, a comunicação telefônica também está interrompida, e jornalistas e turistas estão impedidos de entrar na cidade.

Em um comunicado neste sábado, representantes do Poder Judiciário do Tibete disseram que eximirão de punições aqueles que se arrependerem. 'Os criminosos que não se renderem após a data-limite serão severamente punidos de acordo com a lei', informou o governo do Tibete --acrescentando que dará recompensas e proteção às pessoas que derem informações sobre os manifestantes.

Os distúrbios na capital tibetana ocorreram em meio aos protestos desde o dia 10 protagonizados por monges budistas, e que começaram para lembrar o aniversário da fracassada rebelião tibetana contra o mandato chinês em 1959, que causou a ida ao exílio do dalai-lama.

Em 1950, o Tibete foi ocupado militarmente pela China. O governo de Pequim afirma que esse território faz parte de seu país há séculos devido a uniões dinásticas.

Protestos

Milhares de tibetanos exilados na Índia fizeram uma manifestação hoje em Dharamsala para protestar contra a morte de pelo menos dez pessoas nos distúrbios da sexta-feira em Lhasa (capital tibetana), informou uma ativista pró-tibetana.

"É difícil dizer exatamente quantas pessoas estão se manifestando nas ruas de Dharamsala, mas são vários milhares. É uma manifestação enorme", disse a presidente da Associação de Mulheres Tibetanas, B. Tsering Yeshi.

O presidente do Congresso Tibetano de Jovens, Tsewang Rigzin, confirmou o dado e afirmou que as manifestações de hoje contavam com milhares de participantes.

Olimpíadas

O governo chinês esperava que o fato de sediar as Olimpíadas no país --o que ocorrerá em Pequim no mês de agosto-- traria maior popularidade interna e a melhora de sua imagem no exterior. Porém, o evento também trouxe dúvidas sobre como eles lidam com os direitos humanos e com problemas de poluição.

O presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Jacques Rogge, disse ontem que se opõe a um boicote aos Jogos Olímpicos devido ao problema. "Nós acreditamos que um boicote não resolve nada", disse Rogge. "Pelo contrário, penaliza atletas inocentes e impediria a organização de alto que definitivamente vale a pena ocorrer."

 

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