China mantém pressão e suspende vistos para turistas estrangeiros no Tibete
da Folha Online
da Associated Press, em Pequim
O governo da China suspendeu a concessão de vistos para estrangeiros que pretendiam viajar para a região do Himalaia [cadeia de montanhas entre a Índia e o Tibete], informou neste domingo a agência de notícias oficial Xinhua. A atitude, diz o governo chinês, é para se precaver de uma possível agitação no Tibete.
"Nós também sugerimos aos turistas estrangeiros que estão no Tibete que saiam nos próximos dias", disse Ju Jianhua, diretor do escritório de recepção a estrangeiros do Tibete.
Os departamentos de controle aéreo, rodoviário e ferroviário deverão "prover oportunidades" para os turistas estrangeiros decidirem evitar visitar a área, disse ainda a agência estatal.
Suspender as permissões de turismo externo ao Tibete faz parte de "atividades de segurança", ao lado da presença de tropas nas ruas da capital tibetana, Lhasa, para tentar prevenir que os choques ocorridos na última sexta-feira --as mais violentas em suas décadas-- se repitam.
A tensão voltou a aparecer em Lhasa no domingo, com a polícia e as tropas anti-tumulto tomando as ruas da cidade e com grupos de trabalhadores retirando o entulho das ruas e removendo os carros virados.
Segundo a agência Reuters, as tropas também estão de prontidão próximo aos monastérios e outras instalações de onde poderiam partir novas manifestações.
O ultimato dado pelo governo regional do Tibete terminou a 0h de segunda-feira no horário local (13h de hoje em Brasília). Quem se entregar deverá ser "perdoado", e quem fizer novos protestos terão "punições duras".
Os protestos --que líderes locais em exílio dizem ter resultado em 80 mortes--, têm atingido autoridades e atrapalhando a tentativa chinesa de cultivar uma imagem de harmonia e união para os Jogos Olímpicos de Pequim, que ocorre em agosto.
Para piorar a questão, manifestações a favor do Tibete pipocam em outras províncias da China, como as de Sichuan, Qinghai e Gansu.
Em Qinghai, por exemplo, 100 monges desafiaram a ordem de se manterem confinados no monastério de Rongwo, na cidade de Tongren, e subiram ao alto de um morro para acender incensos e fogueiras. A ação trouxe tensão. A polícia montou uma base próxima ao monastério e obrigou jornalistas a apagar as fotos que fizeram das tropas.
Já em Gansu, mais de 100 estudantes também protestaram na universidade de Lanzhou.
Com Efe e Reuters
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