Tibetanos protestam em todo o mundo contra repressão chinesa
da Folha Online
Os violentos protestos ocorridos no Tibete nos últimos dias e a repressão chinesa fizeram com que simpatizantes da causa tibetana realizassem manifestações em diversas partes do mundo neste domingo.
A situação da região dominada pela China desde 1951 foi também alvo de diversas declarações oficiais, em geral pedindo que o governo de Pequim adote uma postura pacífica para a questão.
As manifestações com maior número de adeptos ocorreram em Paris, Bruxelas, Haia (Holanda) e Barcelona, em geral ocorridas em frente a representações chinesas nestas cidades.
Em Paris, centenas de pessoas foram à frente da Embaixada da China em Paris, em um ato que terminou com choques entre os ativistas e a Polícia francesa. Vários participantes do protesto tentaram chegar à delegação, o que obrigou os agentes a contê-los e a usar bombas de gás lacrimogêneo.
| Arte Folha Online |
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Um dos manifestantes conseguiu escalar o muro da embaixada, situada no distrito oito da capital francesa, e derrubou a bandeira chinesa. Os ativistas gritavam frases contra a China, à qual acusaram de ter provocado uma dura repressão no Tibete.
O presidente da comunidade tibetana na França, Thubten Gyatso, denunciou "meio século de perseguição sob ocupação chinesa" e pediu uma intervenção internacional no país.
Em Haia, a manifestação contou com cerca de 500 pessoas também em frente à Embaixada da China --que sofreu ataques. Ao menos dois manifestantes conseguiram entrar no edifício, onde logo foram presos e levados à delegacia. A Campanha Internacional pelo Tibete ainda convocou uma marcha na cidade para protestar contra a morte de manifestantes em Lhasa durante os últimos dias.
| Jacques Brinon/AP |
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| Manifestante carrega foto do dalai-lama durante protesto em Paris contra a dominação chinesa e a repressão em Lhasa |
Já na Bélgica, cerca de 400 pessoas se reuniram em Bruxelas como forma de solidariedade ao povo tibetano. Porém, o grupo não causou tumultos. O único incidente foi a queima de uma bandeira da China.
As entidades que organizaram a marcha em Bruxelas --a Amigos do Tibete, a Comunidade Tibetana na Bélgica e a Campanha Internacional pelo Tibete-- pediram uma investigação internacional em relação aos últimos eventos em Lhasa, capital do Tibete, e que sejam suspensos os Jogos Olímpicos de Pequim.
Em Barcelona, foi realizada uma cerimônia em homenagem às vítimas da violência em Lhasa. Em seguida ocorreu uma marcha e uma vigília convocadas pela Fundação Casa do Tibete. A entidade já marcou uma nova manifestação em frente ao consulado chinês em Barcelona na segunda-feira.
Reações governamentais
Depois de que União Européia, Estados Unidos e Japão pediram moderação ao governo chinês no sábado, mais governantes fizeram o mesmo hoje --e de forma mais dura.
A ministra das Relações Exteriores da Áustria, Ursula Plassnik, pediu o fim imediato da violência no Tibete. Ela disse estar fortemente perturbada com as "recentes violações dos direitos humanos" na região.
Ela ainda pediu que Pequim respeite o direito de liberdade de expressão, evite o uso de violência contra manifestantes e que comece um diálogo direto com o dalai-lama --líder espiritual do budismo, que está exilado na Índia desde a mal-sucedida insurreição em 1959.
O mesmo teor foi usado pela França. Um documento do Ministério das Relações Exteriores pediu respeito aos direitos humanos e que vai "observar de perto [a situação] com seus companheiros da Europa".
"Com a aproximação dos Jogos Olímpicos, dos quais se esperam uma grande festa de fraternidade, a França gostaria de lembrar as autoridades chinesas da importância do respeito aos direitos humanos", diz o documento.
A Anistia Internacional também se manifestou hoje. A organização pediu à China que autorize uma investigação independente sobre os protestos no Tibete. "A situação merece também atenção do Conselho de Direitos Humanos", disse a entidade através de um comunicado.
Segundo a Anistia Internacional, a China deve "mostrar a máxima contenção" na hora de responder aos protestos dos tibetanos e informar todas as pessoas que foram presas em Lhasa e outras cidades do Tibete na semana passada.
Ela ainda exige que a China coloque em liberdade todos os detidos por "expressar pacificamente suas opiniões e exercer sua liberdade de expressão, associação e reunião."
Com Associated Press, Efe e France Presse
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