Mundo
16/03/2008 - 23h11

Protestos a favor do Tibete se alastram para outras regiões da China

da Folha Online
da Associated Press, em Pequim

Três províncias chinesas são agora os novos focos de protestos contra a dominação do país no Tibete --que teve na semana passada suas manifestações mais violentas em duas décadas.

Comunidades tibetanas nas províncias de Sichuan, Qinghai e Gansu saíram às ruas, forçando as forças de segurança chinesas a se mobilizarem para o oeste da China.

Na cidade de Tongren, a polícia de choque se posicionou em volta de um monastério para evitar protestos dos monges. Dezenas deles marcharam para uma colina onde queimaram incensos.

Arte Folha Online

Em um sinal de que as autoridades chinesas se preparam para problemas, os jornalistas estrangeiros receberam ordem de sair as partes tibetanas das províncias de Gansu e Qinghai. Segundo a polícia nestes locais, a medida é para a "segurança" dos jornalistas.

Enquanto isso, a polícia de Lhasa, capital do Tibete, procura nos prédios e residências as pessoas que poderiam ter participado dos protestos de sexta-feira na cidade. Os que forem achados terão que se render ou terão "punições severas", segundo o governo regional do Tibete.

Centenas de policiais armados e soldados patrulham as ruas. Uma rede de televisão de Hong Kong informou que pelo menos 200 veículos militares, carregando de 40 a 60 soldados cada, circulam pela cidade.

Massimo Percossi/Efe
Manifestações também foram vistas em diversas cidades da Europa, como Roma (foto), Barcelona, Haia, Paris e Bruxelas
Manifestações também foram vistas em diversas cidades da Europa, como Roma (foto), Barcelona, Haia, Paris e Bruxelas

Os protestos em Lhasa começaram na última segunda-feira, quando ocorreu o 49º aniversário da mal-sucedida insurreição de 1959, que foi violentamente reprimida pelos chineses e levou o dalai-lama ao exílio. O ápice dos recentes distúrbios ocorreu na sexta-feira.

O dalai-lama --líder espiritual dos budistas tibetanos-- pediu neste domingo uma investigação internacional sobre os protestos, face à disparidade nos números de mortos nos confrontos. O governo tibetano no exílio --que tem o dalai-lama como líder-- diz que foram cerca de 80, enquanto que fontes oficiais chinesas falam em 10.

"Sendo intencional ou não-intencional, algum time de genocídio cultural está em andamento", disse o dalai-lama, se referindo ao forte fluxo de migração de chineses para o Tibete e às restrições da prática do budismo.

As tensões também atingiram a província de Sichuan, onde a polícia tentou barrar um protesto de monges tibetanos.

Segundo testemunhas, um policial morreu e três ou quatro vans da polícia foram incendiadas. Por outro lado, oito corpos foram achados próximos a um monastério onde outras testemunhas disseram ter visto 30 manifestantes serem alvejados por tiros.

Para complicar a questão para a China, os protestos ocorrem duas semanas antes do país celebrar a chegada da tocha olímpica --que, inclusive, passará pelo Tibete.

Apesar de serem em menor escala, os protestos a favor do Tibete em outros locais está forçando o governo chinês a exercer repressão firme em toda a região oeste do país.

Eles também tentam controlar o que as pessoas falam e ouvem sobre os protestos. O acesso ao site de vídeos Youtube, por exemplo, foi bloqueado no país depois que imagens sobre as manifestações pipocaram na página. Já os canais de notícias CNN e BBC são constantemente cortados durante o dia --ficaram sem sinal, por exemplo, quando transmitiam ao vivo a entrevista de hoje com o dalai-lama.

O plano do governo chinês era aproveitar os Jogos Olímpicos de Pequim para passar uma idéia de unidade nacional para melhorar sua imagem no exterior. Mas, ao contrário, trouxe ainda mais indagações sobre as violações aos direitos humanos e aos problemas de poluição no país.

Precauções ao turista

Como o clima não está bom para o turismo de estrangeiros na China, as agências já preparam dicas para aqueles que irão ao país nos próximos dias. Confira:

- Grandes cidades, como Xangai, possuem serviço em inglês para chamadas de emergência. Basta discar 110 e dizer "English" para se conectar a um tradutor;

- Assaltos são comuns nas áreas com clubes noturnos mais populares, então é necessário mais atenção com guias de bares;

- Embaixadas e consulados recomendam que turistas de seus países façam o registro nestes locais após a chegada;

- Tenha cuidado com pessoas que convidam para ir a bares, casas de chás e karaokês com pretextos aparentemente inofensivos;

- Metrôs cheios atraem batedores de carteiras;

- Se você levar um guia de turismo, troque a capa deles. A polícia aduaneira costuma confiscar esses guias porque elas não mostram Taiwan como pertencente à China.

 

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