Iraque ainda é um dos países mais perigosos do mundo, diz AI
da France Presse, em Londres
O Iraque continua sendo um dos países mais perigosos do mundo, cinco anos após a intervenção da coalizão internacional para derrubar Saddam Hussein, de acordo com um relatório de AI (Anistia Internacional) que será publicado nesta segunda-feira.
"O Iraque ainda é um dos países mais perigosos do mundo", escreveu a organização de defesa dos direitos humanos, com sede em Londres, em um relatório intitulado "Massacre e desespero, o Iraque cinco anos depois".
"Centenas de pessoas são mortas a cada mês no Iraque, um país onde a violência está em todas as partes.
Além disso, um número incalculável de vidas são ameaçadas a cada dia pela pobreza, pelos cortes de energia e de abastecimento em água, pelas penúrias de alimentos e de medicamentos e pela violência crescente contra as mulheres e as adolescentes", afirmou a AI.
De acordo com a organização humanitária, os atentados e os assassinatos cometidos pelas milícias, as torturas e maus-tratos perpetrados pelas forças iraquianas e a detenção, muitas vezes sem acusação formal nem processo, de milhares de pessoas --atualmente estimadas em 60 mil-- pelas tropas iraquianas e americanas tiveram um "efeito devastador, provocando o êxodo de mais de quatro milhões de iraquianos.
"Milhões de dólares foram investidos em segurança, mas hoje três em cada quatro iraquianos não têm acesso à água potável e quase um terço da população --cerca de oito milhões de pessoas-- depende da ajuda humanitária para sobreviver", afirmou AI.
A entidade destacou que metade da população ativa está desempregada e que quatro em cada dez iraquianos vivem com menos de um dólar por dia.
"O regime de Saddam Hussein era um símbolo da violação dos direitos humanos, mas sua substituição não melhorou a situação do povo iraquiano", resumiu Malcolm Smart, diretor de AI para o Oriente Médio e a África do Norte.
Até mesmo na região mais tranqüila do Curdistão, "a melhor situação econômica não acarretou um maior respeito dos direitos humanos", considerou a organização.
Os problemas relacionados à segurança "prejudicaram os esforços" para restaurar a ordem, "mas mesmo quando as autoridades iraquianas estiveram em posição de proteger os direitos humanos, elas fracassaram".
"Os julgamentos são freqüentemente injustos, com indiciamentos baseados em provas que teriam sido obtidas sob tortura, e centenas de pessoas foram condenadas à morte", prosseguiu AI. "Este é um dos aspectos mais preocupantes para o futuro", destacou Smart.
Para a organização, todas as partes violaram os direitos humanos, e algumas cometeram crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
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