Governo da China admite 16 mortes em protestos no Tibete
da Folha Online
O governo da China aumentou nesta segunda-feira para 16 os mortos nos protestos no Tibete na semana passada, mas reiterou que as forças de segurança não utilizaram armas de fogo, nem tinham a intenção de matar, de acordo com o "New York Times".
Do lado tibetano, o governo no exílio informou hoje as mortes de ao menos 80 pessoas durante os distúrbios, dizendo que a capital tibetana permanece sitiada, com todos os acessos bloqueados.
Ontem, as autoridades tibetanas informaram ter relatórios não-confirmados indicando que cerca de cem pessoas haviam morrido em Lhasa e na região.
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As declarações do governo chinês ocorrem enquanto manifestações de grupos tibetanos continuam nesta segunda-feira nas Províncias chinesas de Qinghai, Gansu e Sichuan. Enquanto policiais e soldados destacados tentam deter os protestos, a pressão internacional cresce sobre a China, a poucos meses do início das Olimpíadas, em agosto deste ano.
A China marcou como prazo, até a meia-noite de hoje (13h de Brasília), para que os tibetanos que participaram dos distúrbios se entreguem. "Quem cometeu crimes graves será tratado com severidade", afirmou o principal líder político chinês no Tibete, Qiangba Puncog.
"Se eles se entregarem, serão tratados com indulgência. Se proporcionarem informação sobre outros envolvidos, serão tratados com maior indulgência", acrescentou ele.
Nesta segunda-feira, Puncog, disse em coletiva de imprensa em Pequim que forças de segurança usaram apenas jatos d'água e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes em Lhasa. Segundo ele, 13 dos mortos eram "civis inocentes" que foram atacados pela multidão. Outros três tibetanos morreram após saltarem do telhado de um prédio, recusando-se a render-se à polícia.
Segundo Puncog, partidários do dalai-lama --o líder espiritual dos tibetanos-- organizaram as manifestações para gerar publicidade para a questão tibetana às vésperas das Olimpíadas.
"A calma já retornou a Lhasa, e a sociedade voltou ao seu estado normal", disse ele à Associated Press. "Essa foi uma ação premeditada, incitada pelos partidários do dalai-lama, criada por forças que defendem a independência do Tibete dentro e fora da China", afirmou.
"Tais atividades visam dividir o país, minar a harmonia social e a estabilidade no Tibete".
Genocídio cultural
Neste domingo, o dalai-lama disse que a região está sofrendo "um tipo de genocídio cultural", e que as autoridades chinesas pretendem alcançar a paz através do uso da força.
Em entrevista concedida em Dharamsala, cidade da Índia onde está estabelecido o governo tibetano no exílio, o dalai-lama disse que, de uma forma "proposital ou não, o genocídio cultural" ocorre no Tibete. O líder espiritual também pediu a ajuda da comunidade internacional, à qual atribuiu uma responsabilidade de "caráter moral" na causa tibetana.
O líder tibetano denunciou os impedimentos e restrições que, segundo ele, as autoridades chinesas impõem ao desenvolvimento da educação e à formação nos mosteiros tibetanos, e alertou do risco de desaparecimento do patrimônio cultural do Tibete.
Em seu primeiro comparecimento público após os distúrbios de sexta-feira (14) em Lhasa (capital tibetana), o dalai-lama voltou a expressar seu apoio à realização dos Jogos Olímpicos de Pequim neste ano.
Olimpíadas
O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, disse neste domingo estar "muito preocupado" com a situação no Tibete. "
"O COI espera que a situação possa ser revertida o mais rapidamente possível, e oferece suas condolências aos familiares das pessoas mortas", disse Rogge à Associated Press.
Anteriormente, ele havia descartado um boicote aos Jogos Olímpicos, dizendo que isso "penalizaria apenas os próprios competidores".
A Austrália, os EUA, o Japão e países da Europa pediram moderação à China. "Com a proximidade dos Jogos Olímpicos, que deveria ser uma mostra de fraternidade, a França chama a atenção das autoridades da China para a importância do respeito dos direitos humanos", disse o Ministério francês de Relações Exteriores em um comunicado.
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