Prostituta brasileira continua presa nos EUA, diz cônsul
MARIANA CAMPOS
da Folha Online
A brasileira Andréia Schwartz, que teria servido como informante na investigação que levou à ligação do governador de Nova York, Eliot Spitzer, com uma rede de prostituição de luxo, continua detida nos Estados Unidos. A informação é do cônsul-geral do Brasil em Nova York, José Alfredo Graça Lima.
De acordo com Lima, Schwartz está em uma casa de detenção localizada em Nova Jersey, onde aguarda para ser deportada . "Ela não embarcou [na última sexta-feira (14)], continua em Nova Jersey, está em processo de deportação. Pelo que nós entendemos, ela não viajou porque, aparentemente, a Polícia Federal estava precisando de novas informações. Então, ela ia continuar detida até que esse processo pudesse ser cumprido", afirmou o cônsul à Folha Online, em entrevista por telefone.
Lima disse também que o consulado brasileiro em Nova York procuraria buscar informações, ainda nesta segunda-feira, sobre se há alguma previsão para que Schwartz retorne ao Brasil. A autorização para seu retorno, emitida na última quarta-feira, é válida por 30 dias. O cônsul-geral afirma que o documento é emitido para aqueles brasileiros que serão deportados, mas que estão com o passaporte vencido.
Renúncia
A brasileira, que se declarou culpada em janeiro de acusações relacionadas à prostituição e ao tráfico de drogas, trabalhou para a Emperors Club VIP, empresa que agenciava a garota de programa envolvida no escândalo sexual que provocou a renúncia do governador de Nova York.
| Stephen Chernin/AP |
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| O governador de Nova York, Eliot Spitzer, anunciou sua renúncia após escândalo sexual |
No entanto, Schwartz teria saído da rede para abrir sua própria casa de prostituição, o que acabou causando sua prisão por cafetinagem, em 2006. Ao aceitar as acusações, a brasileira recebeu imunidade de processos federais.
Na queixa contra Spitzer, promotores federais afirmam que souberam em 2006 de uma mulher que havia trabalhado como prostituta da Emperors Club --a brasileira. Schwartz tornou-se então uma "fonte confidencial" das autoridades que investigavam Spitzer, segundo reportagem publicada pelo jornal "New York Post".
Apesar de não saber da ligação do ex-governador com a Emperors, ela teria mostrado o caminho dos documentos que ligaram o governador à rede de prostituição.
Escândalo
O escândalo veio à tona no último dia 10, após a publicação de uma reportagem no "New York Times". De acordo com investigações, uma prostituta conhecida como Kristen encontrou-se com Spitzer no hotel Mayflower, em Washington, em 13 de fevereiro. Segundo a polícia, o governador pagou por dois quartos na noite do programa --um para ele, outro para a prostituta. Por volta das 22h, ele escapou de seu esquema de segurança e seguiu para o quarto onde Kristen o esperava.
Fontes dos serviços de segurança dos EUA afirmaram no dia seguinte (11) que Spitzer gastou dezenas de milhares de dólares com o serviço de acompanhantes Emperors Club VIP, do qual Kristen fazia parte. Outro investigador disse que a quantia pode chegar a US$ 80 mil (cerca de R$ 135 mil). Não ficou claro em quanto tempo ele teria gasto esse dinheiro.
Segundo o "Times", Kristen, cujo nome verdadeiro é Ashley Alexandra Dupré, 22, compareceu a uma corte federal, onde um advogado foi escolhido para representá-la. Ela deve depor como testemunha no caso.
O Emperors Club VIP mostrava fotos dos corpos das acompanhantes, com seus rostos escondidos e os preços dos programas de cada uma, em um site na internet. A cotação das mulheres dependia da avaliação no site (de um a sete diamantes). O programa de uma hora com as garotas mais caras custava US$ 5.500 (cerca de R$ 9.258). Uma hora de programa com Kristen custava cerca de US$ 1.000 (cerca de R$ 1.600), segundo o "Times".
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