Dalai-lama ameaça renunciar e nega acusação de incitar o tumulto no Tibete
da Folha Online
O dalai-lama afirmou nesta terça-feira (18) que renunciará como líder tibetano se a situação no Tibete ficar fora do controle e negou acusações da China de que ele estava incitando o tumulto.
| Arko Datta/Reuters |
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| O dalai-lama, líder espiritual tibetano, ameaçou hoje renunciar |
"Se as coisas ficarem fora de controle, então minha única opção é renunciar", disse o dalai-lama, o líder espiritual exilado do Tibete, em uma entrevista coletiva na cidade de Dharamsala (norte da Índia), onde fica a sede do governo tibetano exilado.
Nesta terça-feira, o premiê chinês Wen Jiabao acusou o dalai-lama de orquestrar os distúrbios nos quais dezenas talvez tenham morrido e disse que seus seguidores estavam tentando "incitar uma sabotagem" aos Jogos Olímpicos, que serão realizados em agosto em Pequim (capital chinesa).
O dalai-lama, exilado na Índia desde 1959, negou as acusações chinesas que ele estava planejando os protestos e disse que ele é contra a violência. "Mesmo que mil tibetanos sacrifiquem suas vidas, não ajuda muito", disse aos repórteres. "Por favor, ajudem a parar a violência do lado chinês e também do lado tibetano."
Acusações
A China afirmou nesta terça-feira ter provas de que as revoltas em Lhasa (capital tibetana) na semana passada foram "estimuladas e organizadas pelo grupo do dalai-lama" e pediu mais uma vez que o líder espiritual renuncie à independência do Tibete.
"Temos as provas, e os fatos demonstraram que estes incidentes foram estimulados e organizados pelo grupo do dalai-lama", afirmou o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao.
| Arte Folha Online |
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Em um sinal de aparente abertura, o líder tibetano convidou as autoridades chinesas para uma reunião com ele para investigar as acusações. Ele disse que não tem nada a esconder dos chineses. "Investiguem profundamente, e se quiserem começar a investigar a partir daqui, serão bem-vindos", disse.
Na mesma entrevista, ele afirmou que chineses e tibetanos devem viver "lado a lado" e descartou incluir na agenda de eventuais discussões com a China a reivindicação de independência do Tibete. "Temos que construir boas relações com os chineses", disse o líder espiritual do budismo tibetano à imprensa em Dharamsala.
"A respeito da violência, é algo ruim. Não devemos desenvolver sentimentos antichineses. Temos que viver juntos, lado a lado", acrescentou. "A independência é algo fora de discussão", completou. O dalai-lama adotou a visão, chamada de intermediária, que consiste em pedir uma simples autonomia cultural para o Tibete.
"Não cometam atos de violência, é ruim. A violência é contrária à natureza humana. A violência é quase um suicídio. Mesmo que mil tibetanos sacrifiquem suas vida, não servirá para nada", afirmou. "Se as paixões se acalmarem dos dois lados, poderemos trabalhar", concluiu.
Prisões
De acordo com a agência de notícias Efe, a polícia chinesa corre de casa em casa em Lhasa para deter suspeitos de participar dos distúrbios e manifestações dos últimos dias. Segundo a agência, a Radio Free Asia (Rádio Ásia Livre) informou que a polícia deteve "centenas" de pessoas, entre elas antigos presos políticos, desde o fim de semana até a noite passada, quando expirou o ultimato dado pelo governo de Pequim a quem tivesse participado dos distúrbios no Tibete.
Com o fim do prazo, que garantia clemência para quem se entregasse e castigos severos para aqueles que não o fizessem, o esforço estaria concentrado na busca dos responsáveis, tanto em Lhasa como nas várias outras províncias onde também foram feitos protestos.
Protestos
Os protestos ocorridos no Tibete na sexta-feira passada (14) ocorreram como parte de manifestações iniciadas na segunda-feira (10) para marcar o 49º aniversário do levante de Lhasa, que levou o dalai-lama ao exílio.
Os protestos começaram como uma reação à notícia de que monges budistas teriam sido presos depois da passeata de segunda-feira. Centenas de monges tomaram então as ruas, e os protestos ganharam força nos últimos dias, com a adesão dos tibetanos. Os protestos têm sido apontados como os maiores e mais violentos dos últimos 20 anos.
O governo chinês admitiu a morte de 16 pessoas durante os protestos no Tibete, mas os exilados tibetanos dizem que cerca de 80 pessoas podem ter morrido. A China negou o uso de armas para conter a manifestação no Tibete.
Com Reuters e France Presse
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