Mundo
18/03/2008 - 08h37

Obama fará discurso nesta terça sobre a polêmica racial

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da Folha Online

O pré-candidato democrata Barack Obama agendou um discurso para esta terça-feira (18) no qual debaterá os comentários controversos de seu antigo pastor e abordará a polêmica questão racial que tem invadido a campanha democrata.

O senador, que ainda disputa a nomeação voto por voto contra Hillary Clinton, usará o evento para reafirmar a postura inicial de sua campanha de transcender as questões raciais e unir o país. O discurso será proferido em um prédio histórico da Filadélfia.

Sua equipe garantiu que o discurso terá muito da personalidade de Obama e revelou que o candidato passou a noite do último domingo (16) escrevendo o texto.

11.mar.08Matt Rourke/AP
Democratic president hopeful Sen. Barack Obama, D-Ill., makes remarks during a campaign stop at a Gamesa plant, Tuesday, March 11, 2008, in Fairless Hills, Pa. (AP Photo/Matt Rourke)
Barack Obama faz discurso na Pensilvânia. Ele enfrenta agora a polêmica questão racial

As discussões sobre raça e gênero foram ainda mais acentuadas na disputa democrata deste ano já que, caso Obama seja eleito, será o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Já Hillary seria a primeira mulher a ocupar o cargo.

Outro objetivo do discurso é tentar acalmar a polêmica gerada pelos comentários do reverendo Jeremiah Wright, ex-conselheiro espiritual de Obama e pastor por 20 anos na igreja de Chicago freqüentada pelo democrata.

Wright afirmou em diversos sermões que os ataques de 11 de Setembro foram conseqüência da política internacional dos Estados Unidos. Ele também citou o governo norte-americano como a fonte do vírus da Aids e afirmou que o país é fundamentalmente racista. Os comentários polêmicos foram divulgados amplamente na televisão e na internet.

Após a polêmica, Wright retirou-se do cargo de conselheiro espiritual da campanha de Obama. O candidato afirmou que as controvérsias geradas por Wright tornaram-se uma distração e que precisam ser superadas para que os eleitores foquem no que é verdadeiramente importante para a escolha do candidato democrata a enfrentar o senador republicano John McCain.

Em uma entrevista a um programa de televisão norte-americano, Obama afirmou ainda que a polêmica ameaçava obscurecer a sua mensagem de transcender as divisões raciais: "Eu acho que parte do que sempre foi a essência de minha política, não somente na minha campanha, mas em toda minha vida, é a idéia de que nós temos de unir as pessoas". Obama sempre ressalta sua ascendência de mãe branca do Kansas e pai negro do Quênia como forma de ampliar a mensagem de união de sua campanha.

Acusações

As campanhas democratas de Hillary e Obama acusaram-se mutuamente de continuar trazendo o assunto à tona, apesar dos discursos dos candidatos sempre exaltarem que a política é mais do que isso.

Na semana passada, foi a vez de Hillary enfrentar a polêmica racial quando sua assessora Geraldine Ferraro, primeira mulher a concorrer ao cargo de vice-presidente, em 1984 atribuiu a posição de Obama ao fato de ele ser negro. Geraldine afastou-se da campanha dois dias após as polêmicas. Hillary pediu desculpas pelos comentários e disse não manter a mesma opinião da assessora.

Hillary enfrentou ainda críticas sobre os comentários de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton. Em janeiro, após a vitória de Obama na Carolina do Sul, Clinton comparou o candidato a Jesse Jackson, candidato à Presidência em 1984 e 1988 que ganhou as primárias locais, mas não teve popularidade nacional. Muitos viram a comparação como uma forma de marginalizar Obama como o único candidato negro dos Estados Unidos.

Nesta segunda (17), Clinton concedeu uma entrevista a um programa de televisão e disse que era um "mito" dizer que a campanha de sua esposa havia engajado em uma disputa racial. "Eu fui à Carolina do Sul e nunca disse uma palavra ruim sobre o senador Obama --nenhuma", enfatizou Clinton que estava em Nova Orleans para um evento de sua organização de auxílio às vítimas do furacão Katrina.

Alguns especialistas indicam que as questões raciais custaram a Hillary o apoio entre o eleitorado negro. O grupo é tido como eleitorado chave de Obama. Pesquisas de boca-de-urna indicaram que nas primárias da Carolina do Sul Obama obteve, entre os negros, oito votos contra um de Hillary. Já no Mississippi, a margem foi ainda maior, com nove votos para Obama contra um para oponente.

A equipe de Hillary preferiu não aumentar ainda mais a polêmica em torno dos comentários do pastor Wright. Quando questionados, seus assessores respondem apenas que esta é uma questão que os eleitores devem manter em mente quando escolherem seu candidato.

 

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