Mundo
18/03/2008 - 14h06

Em discurso na Filadélfia, Obama rejeita comentários de seu ex-pastor

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da Folha Online

Em um discurso nesta terça-feira na Filadélfia, o senador Barack Obama abordou a questão racial, tentando distanciar-se dos comentários polêmicos de seu ex-pastor, Jeremiah Wright, que têm ocupado as manchetes da campanha democrata pela nomeação.

O discurso, realizado no prédio histórico do Centro Nacional de Constituição da Filadélfia, teve como tema principal a polêmica criada pelas declarações de Wright que, segundo Obama, oferecem uma "visão distorcida" dos EUA.

Alex Brandon/AP
Texto: Democratic presidential hopeful Sen. Barack Obama D-Ill., speaks about race during an address in Philadelphia, Tuesday, March 18, 2008. (AP Photo/Alex Brandon)
O democrata Barack Obama discursa na Filadélfia sobre a polêmica questão racial originada pelos comentários de Jeremiah Wright

O ex-assessor espiritual de Obama afirmou, em diversos sermões, que os ataques de 11 de Setembro foram conseqüência da "política internacional dos Estados Unidos". Ele também citou o governo norte-americano como a "fonte do vírus da Aids" e afirmou que o país é "fundamentalmente racista".

As declarações foram divulgadas amplamente na televisão e na internet. Após a polêmica, Wright retirou-se do cargo de conselheiro espiritual da campanha de Obama.

No discurso desta terça-feira, Obama classificou as palavras de Wright como "não somente erradas, mas divisoras, em uma época quando nós precisamos de união". Ele admitiu que ouviu muitos sermões controversos de Wright, nos 20 anos em que freqüentou a igreja em Chicago.

"Eu discordei fortemente de muitos de seus pontos políticos. Absolutamente, assim como tenho certeza que muitos ouviram comentários de seus pastores, rabinos ou padres com os quais não concordaram", defendeu-se.

Obama tentou amenizar a polêmica criada em torno da figura de Wright, dizendo que, se conhecesse o pastor apenas pelos trechos de sermões divulgados na internet e na televisão, ele também veria razão para não se aproximar dele. "Mas a verdade é que isso não é tudo que eu sei sobre o homem. E, por mais imperfeito que ele possa ser, tem sido como família para mim", disse Obama, depois de descrever sua experiência religiosa na Igreja da Trindade Unida de Cristo, onde o pastor pregava.

Obama reiterou que não estava tentando justificar os comentários de Wright que levantaram, segundo o candidato, as complexidades da questão racial nos EUA, que precisam ainda "ser trabalhadas".

"Eu tenho uma firme convicção, baseada na minha fé em Deus e nos americanos, de que trabalhando juntos nós poderemos superar estas feridas raciais. Na verdade, não temos escolha senão continuar no caminho por uma união mais perfeita", declarou Obama.

União das raças

Sempre abordando o tema da união entre as raças --política defendida por sua campanha presidencial desde o início-- Obama afirmou ainda que a questão cria uma "distração" do que realmente importa. "A união pode nunca ser perfeita, mas geração após geração têm mostrado que ela pode ser sempre melhorada", encerrou Obama.

Obama disse ainda aos presentes que já é hora dos EUA "superarem algumas de suas feridas raciais". "É uma questão racial na qual estamos presos há anos", afirmou ele.

O democrata enfatizou-- como fez durante boa parte de sua campanha-- o fato de sua mãe ser branca e do Kansas, e de seu pai ser negro e do Quênia. "Eu nunca esquecerei que, em nenhum outro país da Terra, minha história seria possível. É uma história que não me tornou o candidato mais convencional, mas que selou na minha genética a idéia de que esta nação é mais do que a soma de suas partes e, que de muitos, somos verdadeiramente um".

Obama ressaltou ainda que escolheu ser candidato à Presidência dos Estados Unidos porque acredita "que [os EUA] não podem resolver os desafios dos tempos de hoje se não estiverem juntos".

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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