Mundo
18/03/2008 - 23h14

Guerra do Iraque é arma eleitoral na campanha presidencial dos EUA

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TERESA BOUZA
da Efe, em Washington

A guerra do Iraque se converteu em arma eleitoral na campanha presidencial dos EUA, com os candidatos se atacando mutuamente por suas posições, atos, e, inclusive, por seus silêncios.

Neste ir e vir dialético, se destaca a postura do ex-militar e provável candidato republicano à Presidência John McCain, que tem se mantido firme em defender uma guerra impopular, o que pode definir a sorte de sua campanha.

O senador pelo Arizona realiza esta semana sua oitava viagem ao Iraque desde o inicio da guerra em março de 2003. Sua visita ao país árabe é parte de um giro de uma semana pelo Oriente Médio e Europa e tem atraído uma grande atenção da mídia.

O objetivo da passagem pelo Iraque é analisar os resultados do aumento de tropas americanas no país, aprovado no início do ano passado pela Casa Branca e que se traduziu em uma redução da violência no país.

Concretamente, os atentados no Iraque diminuíram 60% desde junho passado, quando se completou o aumento das tropas.

McCain criticou durante meses a Casa Branca e o Pentágono por sua gestão do conflito até que o governo dos Estados Unidos aprovasse o envio gradual de 30 mil soldados adicionais como parte da nova estratégia para combater os grupos insurgentes.

Contraste

O senador afirmou na semana passada que a via mais rápida para por fim ao conflito era continuar com o incremento de tropas, uma proposta que contrasta com a de seus rivais democratas, Barack Obama e Hillary Clinton. Ambos são a favor da retirada dos efetivos militares dos EUA.

Tanto Obama como Hillary se opuseram ao incremento de tropas da Casa Branca. O senador por Illinois rechaçou a guerra desde o princípio, diferente de Hillary, que votou a favor da autorização do conflito no Congresso americano.

A senadora recorda com freqüência que seu rival não era senador quando se autorizou a guerra e que, portanto, sua oposição foi meramente retórica. Obama argumenta que sua objeção à guerra não foi simplesmente retórica e afirma que estava no meio de sua primeira campanha ao Senado, na qual, diz, sua posição foi bastante confrontada.

Esta oposição tem beneficiado sua campanha no atual processo de primárias frente ao forte rechaço do conflito pelo eleitorado democrata, mas poderia ter menos menos ganho caso fique com a candidatura presidencial e se enfrente cara a cara com John McCain.

A menos que a situação mude nos próximos meses, Hillary poderia estar também em desvantagem diante da redução da violência no país.

As pesquisas de opinião mostram que em torno de dois terços dos americanos se opõem ao conflito, o que inclui quase um terço dos republicanos e a maioria dos eleitores democratas.

Ainda assim, uma sondagem conjunta da rede de televisão NBC e do diário "The Wall Street Journal" divulgada em 14 de março mostra que em 35% dos entrevistados crêem que McCain tem a estratégia certa para o Iraque, comparado com os 30% que dizem o mesmo de Hillary e 27% de Obama.

Iraque x economia

Especialistas afirmam, de todo modo, que a economia ganha do Iraque como a principal preocupação dos eleitores e insistem que esta percepção poderia jogar a favor dos democratas caso se prolongue até novembro, quando os EUA elegerão o novo presidente nas urnas.

"Se as eleições são sobre o Iraque, ganha McCain, e se são sobre a economia, ganha um democrata", disse à agência de notícias Efe Richard Parker, professor da Universidade Harvard.

O motivo, segundo o especialista, é que se a atual crise econômica e financeira se prolonga, os eleitores culparão pela situação a atual administração republicana e favorecerão, provavelmente, uma troca de governo.

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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