Análise: Invasão do Iraque continua acirrando os ânimos dos britânicos
de JOAQUÍN RÁBAGO
da Efe, em Londres
A invasão do Iraque por tropas da coalizão liderada pelos Estados Unidos completa cinco anos nesta quinta-feira e, mesmo que Tony Blair já não seja o primeiro-ministro do Reino Unido, o conflito segue acirrando ânimos entre os britânicos.
No último sábado (15), milhares de pessoas voltaram às ruas em Londres e Glasgow para protestar contra um conflito que continua sendo tão impopular como no primeiro dia, embora, com a presença britânica quase reduzida apenas ao aeroporto de Basra, não ocupe diariamente as manchetes da imprensa.
O Iraque conseguiu algo que parecia inconcebível em um Reino Unido sempre tão orgulhoso de seus militares: que um comandante de um regimento da Royal Air Force se sentisse obrigado a proibir seus subordinados de colocar uniformes depois de alguns deles terem sido ameaçados e fustigados nas ruas.
A guerra, que no caso das Ilhas Malvinas serviu para salvar politicamente a então premiê britânica Margaret Thatcher, teve um efeito totalmente oposto no caso de Tony Blair, ao precipitar sua saída do governo.
Desde que o líder trabalhista decidiu, em estreita aliança com os EUA, atacar o Iraque, com o falso argumento da existência no país árabe de armas de destruição em massa, os britânicos sentem que foram de certa forma enganados.
Muitos britânicos, e não só os que se manifestaram no último sábado, consideram que o governo segue tentando manipular a opinião pública. O atual primeiro-ministro, Gordon Brown, foi o homem que assinou "os cheques" que financiaram a guerra, já que era ministro das Finanças na gestão Blair.
O principal sindicato britânico de professores acusou na semana passada, e de forma direta, o Ministério da Defesa de reescrever o conflito no Iraque com material que apresenta uma visão diferente da real e que impede um debate objetivo em salas de aula.
Na opinião desse sindicato, o material sobre o conflito fornecido às escolas pela Defesa para debate entre alunos é pura propaganda, porque oculta os motivos reais da invasão no Iraque e não menciona as dezenas de milhares de vítimas civis do conflito, e sim apenas os 175 mortos britânicos.
Além disso, e segundo diversos analistas locais, a decisão de invadir o Iraque enfraqueceu a posição internacional do Reino Unido, sobretudo na Europa.
A recompensa recebida por Londres por ter acompanhado a Casa Branca em sua decisão de invadir um país que não tinha ameaçado o Reino Unido é o fato de agora o território ser considerado no mundo árabe como forte aliado dos EUA.
A tudo isso é preciso adicionar os gastos do conflito para os contribuintes britânicos. Os valores já superam 6 bilhões de libras (7,9 bilhões de euros), o que equivale a mais de 100 libras por cada cidadão: homem, mulher ou mesmo criança.
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