Bush estuda "intervenção radical" sobre crise hipotecária
Colaboração para a Folha Online
O secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos Estados Unidos, Alphonse Jackson, propôs ao presidente do país, George W. Bush, uma "intervenção radical" para aliviar a crise vivida por donos de imóveis que não conseguem pagar suas hipotecas, afirmou hoje o diário The Washington Times.
"Propus que asseguremos de 80% a 85% do empréstimo dos proprietários que estão em dificuldades", disse Jackson, ao referir-se aos imóveis cujo preço de mercado ficou abaixo do montante nominal do empréstimo hipotecário.
Desde o início de 2007 os preços das casas caíram em média 10% em todo o país, com prejuízos ainda maiores sendo registrados em cidades como Miami (Flórida) e Las Vegas (Nevada).
Em geral, as hipotecas não podem ser refinanciadas quando o preço da propriedade no mercado fica abaixo do montante nominal do empréstimo, e esta é a razão principal pela qual milhares de pessoas decidiram deixar de lado as casas que estavam comprando.
| Ron Edmonds/AP |
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| Bush caminha no Salão Oval da Casa Branca; seu governo estuda medidas para conter crise hipotecária e recessão econômica |
Esta semana, o Governo Bush, em outro passo intervencionista na crise dos mercados financeiros causada pelas hipotecas de alto risco, autorizou injeções de até US$ 200 bilhões no mercado.
Recessão
A crise hipotecária dos EUA desencadeou, segundo analistas, a possibilidade de que a maior economia do mundo entre em recessão.
Na semana passada, o ex-presidente do Banco Central americano (Fed), Alan Greenspan --que esteve à frente da entidade por 19 anos-- afirmou que a crise financeira atual pode ser considerada a mais grave desde a Segunda Guerra Mundial, em editorial publicado no jornal 'Financial Times'.
Sobre a crise imobiliária, Greenspan disse que ela "chegará ao fim quando o preço dos bens imobiliários se estabilizarem e, com ele, os preços dos produtos financeiros endossados em empréstimos hipotecários".
Nova York
Mais uma reflexo da crise hipotacária foi constatada nesta quinta-feira. Os preços dos aluguéis de apartamentos na ilha de Manhattan caíram em março em relação ao mesmo mês do ano anterior, após anos de constantes altas, segundo cálculos do The Real Estate Group NY.
O grupo imobiliário, que atua na cidade de Nova York, considera que a queda é "mais uma correção que uma crise" do mercado de aluguéis em Manhattan, que nos últimos cinco anos viveu um autêntico "boom".
| Alex Brandon/AP |
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| Obama recebe apoio do governador do Novo Mexico; ele culpa Bush por crise nos EUA |
Democratas
O senador democrata Barack Obama, pré-candidato à eleição dos EUA, considera que a Guerra do Iraque é a responsável pela crise econômica em seu país. Ele afirmou nesta quinta-feira que a gestão 'incompetente e descuidada' da Guerra no Iraque aumentou os custos do conflito e causou a crise pela qual os Estados Unidos passam.
Obama afirmou ainda que há uma relação direta entre o conflito e a economia norte-americana. "Enquanto estamos a bordo de uma crise, o cidadão norte-americano paga o preço da Guerra no Iraque".
O dinheiro usado para custear o conflito poderia ainda ser usado, segundo o senador por Illinois, para oferecer um sistema universal de saúde, garantir uma educação de qualidade, reconstruir infra-estrutura pública ou mesmo investir em formas de energia renováveis.
Ele lembrou também que o atual presidente, George W. Bush, prometeu que o custo da guerra não excederia US$ 60 milhões (R$ 104 milhões). "Como muitas outras coisas a propósito da guerra, não nos disseram a verdade", declarou Obama.
Os custos estimados da Guerra do Iraque para os cofres públicos americanos passam de 500 bilhões (R$ 871 bilhões).
Hillary
Na segunda-feira, Hillary criticou a administração, segundo ela, "irresponsável", dos bancos Bear Stearns e JP Morgan, alguns dos responsáveis pelos empréstimos chamados "sub-prime" do mercado de crédito americano, o que teria ajudado a inflar a bolha imobiliária nos EUA.
Os empréstimos sub-prime são modalidades de financiamento de alto risco, para consumidores americanos de menor poder aquisitivo e maior possibilidade de não honrar a dívida contraída.
A candidata por New York disse também que não será pautada apenas pelo Fed. Hillary considera que o governo não pode vir atrás do Fed nas decisões econômicas frente a crise na economia do país.
"Eu não serei a segunda convidada do Fed", disse, "nem nas decisões de assumir o risco de algum empréstimo hipotecário como os do pelo JP Morgan, nem se for necessário cortar taxas de setores estratégicos [para reverter a crise]".
Com Efe, France Presse e Associated Press
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