Entenda o caso da cafetina brasileira que ajudou a derrubar governador de Nova York
da Folha Online
Um escândalo sexual envolvendo uma rede de prostituição de luxo motivou a renúncia do governador de Nova York, Eliot Spitzer, no último dia 12. Três dias após o caso vir à tona, o jornal "The New York Post" publicou reportagem dizendo que uma brasileira, a cafetina e prostituta Andréia Schwartz, teria servido como informante na investigação federal que descobriu a ligação de Spitzer com a rede de prostituição.
| Fernando Donasci/Folha Imagem |
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| A brasileira Andréia Schwartz embarca para o Estado do Espírito Santo com um amigo |
A brasileira, que se declarou culpada em janeiro por acusações relacionadas à prostituição e ao tráfico de drogas, trabalhou para a Emperors Club VIP, empresa que agenciava a garota de programa envolvida no escândalo sexual que motivou a renúncia de Spitzer.
No entanto, Schwartz teria saído da rede para abrir sua própria casa de prostituição, o que acabou causando sua prisão por cafetinagem, em 2006. Ao aceitar as acusações, a brasileira recebeu imunidade de processos federais.
Na queixa contra Spitzer, promotores federais afirmam que souberam em 2006 de uma mulher que havia trabalhado como prostituta da Emperors Club --a brasileira. Schwartz tornou-se então uma "fonte confidencial" das autoridades que investigavam Spitzer, segundo a reportagem do jornal.
Apesar de não saber da ligação do ex-governador com a Emperors, a brasileira teria mostrado o caminho dos documentos que ligaram o governador à rede de prostituição.
Deportação
No dia em que publicou a reportagem, o "New York Post" informou que a brasileira havia sido deportada na noite anterior, mesmo dia em que Spitzer renunciou ao cargo.
Apesar disso, a deportação de Schwartz estava prevista para a noite do dia 14, uma sexta-feira. Ela não embarcou no vôo e, durante o fim de semana, seu paradeiro era incerto.
Na segunda-feira, dia 17, o cônsul-geral do Brasil em Nova York, José Alfredo Graça Lima, confirmou à Folha Online que Schwartz continuava detida nos Estados Unidos.
De acordo com Lima, Schwartz estava em uma casa de detenção localizada em Nova Jersey, onde aguardava para ser deportada. "Pelo que nós entendemos, ela não viajou porque, aparentemente, a Polícia Federal estava precisando de novas informações. Então, ela ia continuar detida até que esse processo pudesse ser cumprido", afirmou o cônsul à época.
Schwartz chegou ao Brasil neste sábado (22), no mesmo vôo que Pelé. "Vou esclarecer toda a verdade", disse ela no saguão do aeroporto. "Lá fora todo mundo é corrupto", completou. Assediada pela imprensa, a cafetina disse: "Eu amo todos vocês", sem dar entrevista. Segundo a Polícia Federal, ela preencheu um formulário sobre sua deportação e foi liberada.
De acordo com o tablóide nova-iorquino "Daily News", que a acompanhou no vôo até São Paulo, Schwartz disse sentir pena de Ashley Alexandra Dupré, a prostituta de 22 anos que tinha encontros com Spitzer.
Segundo disse à Folha Jeffrey Lichtman, advogado de Schwartz, ela nunca testemunhou no caso que culminou na queda de Spitzer.
Escândalo
O escândalo envolvendo o ex-governador veio à tona no último dia 10, após a publicação de uma reportagem no "New York Times". De acordo com investigações, uma prostituta conhecida como Kristen encontrou-se com Spitzer no hotel Mayflower, em Washington, em 13 de fevereiro.
As autoridades que investigavam a rede de prostituição gravaram a ligação telefônica de um homem, identificado como "cliente 9", que confirmava um encontro com "uma mulher em sua viagem de Nova York a Washington, onde reservou um quarto", segundo o jornal.
| 12.mar.2008/AP |
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| O governador de Nova York, Eliot Spitzer, anunciou sua renúncia após escândalo sexual |
Segundo a polícia, o governador pagou por dois quartos na noite do programa --um para ele, outro para a prostituta. Por volta das 22h, ele escapou de seu esquema de segurança e seguiu para o quarto onde Kristen o esperava.
Fontes dos serviços de segurança dos EUA afirmaram no dia seguinte (11) que Spitzer gastou dezenas de milhares de dólares com o serviço de acompanhantes Emperors Club VIP, do qual Kristen fazia parte. Outro investigador disse que a quantia pode chegar a US$ 80 mil (cerca de R$ 135 mil). Não ficou claro em quanto tempo ele teria gasto esse dinheiro.
Segundo o "Times", Kristen, conhecida como Ashley Alexandra Dupré, 22 [em 2006, ela mudou seu nome legal, passando de Ashley R. Youmans para Ashley Rae Maika DiPietro, segundo o jornal "New York Times"], compareceu a uma corte federal, onde um advogado foi escolhido para representá-la. Ela deve depor como testemunha no caso.
O Emperors Club VIP mostrava fotos dos corpos das acompanhantes, com seus rostos escondidos e os preços dos programas de cada uma, em um site na internet. A cotação das mulheres dependia da avaliação no site (de um a sete diamantes). O programa de uma hora com as garotas mais caras custava US$ 5.500 (cerca de R$ 9.258). Uma hora de programa com Kristen custava cerca de US$ 1.000 (cerca de R$ 1.600), segundo o "Times".
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