Militares mortos no Iraque já somam quase 4.000
da Associated Press, em Bagdá
da Folha Online
Uma bomba colocada à beira de uma estrada matou três soldados americanos no norte de Bagdá neste sábado (22), elevando o número de mortos nos cinco anos de guerra do Iraque para quase 4.000.
No sábado, autoridades iraquianas informaram que uma bombardeio do Exército dos Estados Unidos na região norte da capital matou seis membros de um grupo sunita anti-EUA --o que gerou um afastamento dos novos aliados americanos na guerra contra a Al Qaeda.
Dois soldados morreram na explosão, que ocorreu enquanto tropas patrulhavam uma região a nordeste de Bagdá. Uma terceiro morreu por ferimentos causados no incidente, informou o Exército dos EUA.
As últimas mortes elevaram para 3.996 o número de soldados e civis do Pentágono mortos desde 20 de março de 2003, quando começou a invasão americana, segundo uma contagem feita pela Associated Press.
Com a guerra entrando em seu sexto ano, o presidente George W. Bush prestou um tributo no último sábado ao serviço de soldados mortos afirmando que os militares "viverão na memória da nação que ajudaram a defender".
O senador democrata Robert Menendez (Nova Jersey) afirmou que o presidente deveria "ver a realidade" no Iraque e "dizer a verdade" sobre os custos do conflito que empurraram o país em uma crise econômica.
Queda na violência
Oficiais dos EUA apontaram sinais positivos do conflito neste ano, incluindo a queda de 60% na violência desde o envio de 30 mil reforços no último ano.
Contudo, há um cuidado quando se fala sobre a frágil segurança do país e as ondas de violência que surgem repentinamente no país.
Muito da queda na violência ocorreu porque centenas de sunitas abandonaram a insurgência para se unir aos grupos de defesa organizados pelo Exército americano --conhecidos como "conselho do despertar". Grande parte também se deveu ao cessar-fogo determinado pelo clérigo radical xiita Moqtada al Sadr, líder do Exército Mehdi.
Os conselhos são compostos de ex-insurgentes que decidiram lutar contra a Al Qaeda juntando forças com os americanos.
Contudo, a maior parte dos conselhos são dúbias quanto ao apoio ao Exército estrangeiro, já que a qualquer hora poderiam se voltar contra o governo após a retiradas das tropas americanas.
Em Bagdá, por exemplo, membros do conselho reclamam que não recebem do governo há meses e ameaçam retirar o apoio.
Custo
Muitos críticos-- incluindo os pré-candidatos democratas à Casa Branca, Barack Obama e Hillary Clinton criticam a administração do conflito e seus altos custos.
Em discurso nesta quinta-feira, Obama culpou uma gestão "descuidada" da guerra no Iraque pela grave crise na economia do país e lembrou que, pelos cálculos mais conservadores, o conflito custou US$ 500 bilhões. O dinheiro, segundo Obama, poderia ter sido usado em questões mais importantes como saúde e programas sociais.
Já o republicano John McCain aprova a guerra e declarou recentemente a jornais europeus que uma retirada das tropas neste momento --uma das promessas democratas-- causaria o 'caos e genocídio' na região e declararia a derrota dos EUA para os grupos terroristas.
Contudo, um dos maiores custos não é financeiro, mas humano. Nos cinco anos de guerra do Iraque, ainda não se tem idéia de quantos civis foram mortos.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou, em janeiro, que o número de civis mortos violentamente desde o início da invasão oscila entre 104 mil e 223 mil. Já a organização não-governamental IBC (Iraq Body Count) afirma que entre 82.249 e 89.760 civis morreram desde março de 2003.
Um dos maiores indicativos da situação atual do país é a questão dos refugiados. Atualmente, um em cada cinco iraquianos é classificado como refugiado.
Após cinco anos em queda, os pedidos de refúgio no mundo tiveram alta em 2007, principalmente devido ao aumento do número de solicitantes iraquianos, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugidos (Acnur).
O Acnur afirma que o conflito no Iraque fez com que 4,5 milhões de iraquianos deixassem suas casas. Destes, 2,4 milhões são deslocados internos. Outros 2 milhões estão refugiados principalmente nos países vizinhos, como Síria e Jordânia --não inclusos na lista de países mais industrializados.
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