Governo do Tibete no exílio eleva o número de mortos para 130
Colaboração para a Folha Online
O primeiro-ministro tibetano no exílio, Samdhong Rinpoche, afirmou nesta segunda-feira (24) que os distúrbios no Tibete já deixaram 130 mortos. O último balanço do governo local registrava 99 mortes. "Este é o número de nossas fontes no Tibete. O número verificável é de 130 mortos", disse Rinpoche em Dharamsala (norte da Índia), sede do governo tibetano exilado.
Enquanto isso, a China reconhece apenas 19 mortos durante os conflitos em Lhasa (capital tibetana), 18 civis e um policial, todos "inocentes", isto é, sem ligação com os protestos e motins. Entre os feridos há 382 civis --58 em estado grave-- e 241 policiais --dos quais 23 em estado crítico.
No último sábado (22), o governo chinês havia divulgado que a ordem social estava voltando à normalidade nas regiões tibetanas das províncias de Sichuan e Gansu. Segundo a Xinhua, a agência oficial chinesa, em um dos condados mais problemáticos, o de Aba, em Sichuan, os mercados já estão abertos, os departamentos das principais empresas funcionam normalmente e as escolas reabrirão suas portas nesta segunda-feira (24).
| Arte Folha Online |
![]() |
No entanto, os grupos de ativistas e organizações dos direitos humanos denunciam a ação de milhares de tropas nessas regiões, embora a China não tenha reconhecido o fato.
Os distúrbios explodiram em Lhasa no dia 14, depois das manifestações pacíficas iniciadas pelos monges budistas no dia 10 para comemorar os 49 anos da insurreição tibetana contra os comunistas chineses. A data histórica deixou 10 mil mortos e obrigou a ida do dalai-lama e de cerca de 100 mil seguidores ao exílio, em março de 1959.
As revoltas, que se estenderam a Gansu, Qinghai e Sichuan, são consideradas as piores em território tibetano desde de 1989, quando ao menos 16 pessoas morreram e Pequim impôs a lei marcial --que permitiu livre ação ao Exército chinês, e causou a morte de mais de 75 pessoas apenas nos três primeiros dias-- durante dois meses.
Acesso estrangeiro
Também nesta segunda-feira, o Japão pediu à China que permita a entrada de jornalistas e diplomatas estrangeiros no Tibete e em regiões adjacentes para elevar o nível de transparência sobre a recente revolta. O pedido foi feito durante declarações do ministro porta-voz japonês, Nobutaka Machimura.
Segundo a agência Kyodo, Machimura afirmou que a China deveria pensar "mais seriamente" em permitir o acesso internacional. Para o ministro, um passo nessa direção é o que se espera da China, já que o país é uma das "bases da democracia". Machimura também pediu que China e Tibete iniciem um diálogo "incondicional".
A China negou o acesso a Tibete e às províncias próximas aos correspondentes estrangeiros, devido às revoltas que ocorrem nestas zonas e se expandem para toda a região ocidental do país.
Com Efe e France Presse
Leia mais
- China acusa dalai-lama de querer "seqüestrar" Jogos Olímpicos
- Ouça relato do jornalista Caio Vilela sobre o Tibete e a presença chinesa em Lhasa
- Guia traz informações sobre a China
- Saiba como os chineses tratam os mais velhos
- Guias ajudam a se comunicar em chinês e mais 16 línguas
Especial



