Mundo
24/03/2008 - 08h31

Governo do Tibete no exílio eleva o número de mortos para 130

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Colaboração para a Folha Online

O primeiro-ministro tibetano no exílio, Samdhong Rinpoche, afirmou nesta segunda-feira (24) que os distúrbios no Tibete já deixaram 130 mortos. O último balanço do governo local registrava 99 mortes. "Este é o número de nossas fontes no Tibete. O número verificável é de 130 mortos", disse Rinpoche em Dharamsala (norte da Índia), sede do governo tibetano exilado.

Enquanto isso, a China reconhece apenas 19 mortos durante os conflitos em Lhasa (capital tibetana), 18 civis e um policial, todos "inocentes", isto é, sem ligação com os protestos e motins. Entre os feridos há 382 civis --58 em estado grave-- e 241 policiais --dos quais 23 em estado crítico.

No último sábado (22), o governo chinês havia divulgado que a ordem social estava voltando à normalidade nas regiões tibetanas das províncias de Sichuan e Gansu. Segundo a Xinhua, a agência oficial chinesa, em um dos condados mais problemáticos, o de Aba, em Sichuan, os mercados já estão abertos, os departamentos das principais empresas funcionam normalmente e as escolas reabrirão suas portas nesta segunda-feira (24).

Arte Folha Online
Mapa Tibete

No entanto, os grupos de ativistas e organizações dos direitos humanos denunciam a ação de milhares de tropas nessas regiões, embora a China não tenha reconhecido o fato.

Os distúrbios explodiram em Lhasa no dia 14, depois das manifestações pacíficas iniciadas pelos monges budistas no dia 10 para comemorar os 49 anos da insurreição tibetana contra os comunistas chineses. A data histórica deixou 10 mil mortos e obrigou a ida do dalai-lama e de cerca de 100 mil seguidores ao exílio, em março de 1959.

As revoltas, que se estenderam a Gansu, Qinghai e Sichuan, são consideradas as piores em território tibetano desde de 1989, quando ao menos 16 pessoas morreram e Pequim impôs a lei marcial --que permitiu livre ação ao Exército chinês, e causou a morte de mais de 75 pessoas apenas nos três primeiros dias-- durante dois meses.

Acesso estrangeiro

Também nesta segunda-feira, o Japão pediu à China que permita a entrada de jornalistas e diplomatas estrangeiros no Tibete e em regiões adjacentes para elevar o nível de transparência sobre a recente revolta. O pedido foi feito durante declarações do ministro porta-voz japonês, Nobutaka Machimura.

Segundo a agência Kyodo, Machimura afirmou que a China deveria pensar "mais seriamente" em permitir o acesso internacional. Para o ministro, um passo nessa direção é o que se espera da China, já que o país é uma das "bases da democracia". Machimura também pediu que China e Tibete iniciem um diálogo "incondicional".

A China negou o acesso a Tibete e às províncias próximas aos correspondentes estrangeiros, devido às revoltas que ocorrem nestas zonas e se expandem para toda a região ocidental do país.

Com Efe e France Presse

 

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