Mundo
24/03/2008 - 10h20

"Não há boas opções no Iraque; há opções ruins e opções piores", diz Obama

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Colaboração para a Folha Online

Em entrevista para o programa do apresentador Larry King, da rede de televisão CNN, o pré-candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, respondeu a perguntas polêmicas e reforçou os seus principais interesses para a Casa Branca.

Obama ratificou sua posição contrária à Guerra do Iraque, afirmou que ainda não pensa na rival Hillary Clinton como vice de sua chapa, e disse considerar o provável candidato republicano, John McCain, um herói americano.

O senador por Illinois ainda afirmou que se considera o mais preparado para assumir a Presidência, em razão da sua melhor posição para lidar com questões mundiais como terrorismo, genocídio e doenças. O democrata criticou as atuais ações da Casa Branca, que, segundo Obama, aceita excessivamente o dinheiro de lobistas e não ajuda quem realmente precisa.

Veja abaixo os principais pontos da entrevista concedida na noite deste domingo (23):

Convenção Nacional

Obama disse acreditar que o candidato já estará definido antes da convenção nacional, que ocorrerá em agosto, em Denver. O senador afirmou estar confiante, embora reconheça em Hillary uma competidora tenaz.

Obama ressaltou as campanhas feitas pelos dois comitês democratas e afirmou que ambos os pré-candidatos se sentem bem, já que reconhecem que há coisas para mudar. Em relação a McCain, Obama disse acreditar que o provável candidato republicano faria uma continuação do governo de George W. Bush se fosse eleito.

"Os democratas, e eu acredito que muitos independentes e até alguns republicanos descontentes, acreditam que devemos caminhar em uma direção diferente. Então, acredito que, até o momento da nomeação, os democratas estarão unidos, e realmente focados em vencer as eleições de novembro."

A última primária está marcada para o dia 3 de junho. Até a convenção nacional, em agosto, são mais três meses. Obama acredita que, nesse ponto, "vai estar bem aparente quem terá mais delegados e o maior apoio popular nos Estados".

Pesquisas

O senador por Illinois não se disse surpreso com o resulta do da última pesquisa Gallup, que colocou Hillary sete pontos à sua frente. Obama se referiu aos problemas da semana passada, como as controversas declarações do reverendo Jeremiah Wright, como os motivos do resultado e afirmou que as pesquisas são muito instáveis.

"Nós estamos na frente. Nós estamos atrás de novo. Você sabe, eu não passo muito tempo prestando atenção nas pesquisas nacionais diárias. O que eu tento focar é a mensagem do povo americano, que fala diariamente das nossas questões na mesa da cozinha".

Iraque

Obama negou que viva em um "mundo de fantasia", como afirmou o jornal "The Washington Post" sobre a sua intenção de retirar as tropas norte-americanas do Iraque. O senador ressaltou que é necessário iniciar uma fase de retirada das tropas do Iraque, e que ele já tem dito isso há muito tempo.

"Eu alertei desde o princípio desta guerra, à qual eu me opus, que ela iria nos distrair da luta que precisamos fazer no Afeganistão".

Alex Brandon/AP
O pré-candidato Barack Obama em reunião política em Oregon
O pré-candidato Barack Obama em reunião política em Oregon

"Não há boas opções no Iraque. Há opções ruins e opções piores. A opção menos ruim, eu acho, é começar uma readequação em fases, e enviar um sinal para o governo iraquiano que é hora de de eles se levantarem e negociarem os acordos que podem estabilizar o país, incluindo o contato com os vizinhos, não somente com nossos aliados Arábia Saudita e Jordânia, mas também com Irã e Síria.

Obama também frisou que pretende envolver a comunidade internacional para criar um programa de assistência humanitária para o país e para fazer uma comissão que monitore e julgue qualquer tentativa de limpeza étnica.

"Não existem balas mágicas aqui, mas o que podemos fazer é, pelo menos, colocar alguma pressão no governo iraquiano para ter certeza que começaremos a ver algumas mudanças."

Sobre as declarações de McCain que uma retirada das tropas do Iraque deixaria o caminho livre para a Al Qaeda, Obama afirmou que a rede terrorista não está no Iraque, e sim no Afeganistão, para onde ele acredita que os esforços militares devem ser direcionados.

Hillary e McCain

Obama afirmou reconhecer a campanha de Hillary, mas criticou sua estratégia. O senador afirmou que sua rival somente está seguindo a tradição.

"Eu acredito que esta é a apostila de como agir em Washington. Esta é a maneira que se faz. Se você está por baixo, perdendo a corrida, então você ataca muitas coisas negativas no seu oponente. E este é o tipo de política que eu estou tentando mudar", afirmou Obama.

O senador por Illinois ainda disse que Hillary tem boas idéias, mas ainda não pensa nela como vice-presidente em sua suposta chapa, e classificou o oponente republicano, John McCain, como um herói norte-americano.

Obama se afirmou melhor preparado que os concorrentes para agir com as pessoas que "não podem pagar eletricidade ou que não tem seguro de saúde para os filhos", criticando o uso do dinheiro do lobby na Casa Branca.

"A senadora Clinton e John McCain, quando falam sobre sua experiência e preparação para serem presidentes, eles sempre se referem ao tempo que estão em Washington [D.C.]. E a maioria das pessoas reconhece que Washington não funciona e não tem funcionado. E parte da razão disso é que os interesses especiais e os lobistas contribuem com enormes quantias de dinheiro."

Campanha racial

Obama retomou seu discurso da última terça-feira (18) e se posicionou contra tudo o que seu ex-pastor Jeremiah Wright disse em um sermão. O senador afirmou que não estava na igreja quando Wright inflamou os fiéis com a afirmação de que os EUA são um país "fundamentalmente racista". Obama também disse que não falou como o reverendo depois do incidente, e que não pretende deixar de freqüentar a igreja.

Pensilvânia

O senador democrata afirmou que está trabalhando duro para obter o apoio do maior número de eleitores nas próximas primárias, que vão ocorrer no dia 22 de abril, nas Pensilvânia. E ele afirmou acreditar que terá um bom resultado, "e eu acredito que também podemos ir muito bem em outros Estados, como Carolina do Norte, Oregon, Kentucky, Indiana, Montana, Dakota do Sul e Porto Rico.

"Ainda faltam muitas corridas. E em cada uma delas, nossa atitude é trabalhar duro. Nós tentamos deixar nossa mensagem de unir as pessoas para resolver os principais interesses de Washington [D.C.], por meio da verdade. E tivemos êxito até agora."

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
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