Mundo
24/03/2008 - 19h01

Povos árabes dizem temer que McCain mantenha a política de Bush

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da Folha Online

Muitos árabes ansiosos pelo fim da Presidência de George W. Bush dizem temer que uma possível vitória do candidato republicano John McCain representará pouca mudança nas políticas internacionais norte-americanas, que eles acreditam ser a causa da instabilidade no Oriente Médio, incluindo o caos no Iraque e o apoio inquestionável a Israel no conflito com os palestinos.

McCain já declarou que quer manter as tropas norte-americanas no Iraque até que a situação no país esteja mais estável, visão oposta a de seus oponentes democratas-- Hillary Clinton e Barack Obama-- que querem uma retirada gradual dos soldados nos primeiros meses de mandato.

16.mar.08Cpl. Shawn Coolman/Reuters
Texto: Republican US presidential candidate Senator John McCain (R-AZ) speaks with local businessmen as he tours the streets of Haditha City, Iraq, March 16, 2008. Picture taken March 16, 2008. REUTERS/Cpl. Shawn Coolman/Regimental Combat Team-5, 1st Marine Division Public Affairs/Handout (IRAQ). FOR EDITORIAL USE ONLY. NOT FOR SALE FOR MARKETING OR ADVERTISING CAMPAIGNS.
O candidato republicano John McCain passeia pelas ruas de Haditha, Iraque

Durante sua viagem pelo Oriente Médio neste mês, as declarações de McCain em Israel soaram como sinais de alarme para árabes que há muito criticam Washington por não exercer pressão suficiente no Estado judeu para que saia das terras ocupadas.

"A primeira vez que McCain começou a chamar a atenção foi quando ele visitou Israel e declarou estar comprometido em reconhecer Jerusalém [como capital de Israel] e não pressionar Israel", afirma Mohamed al Sayed Said do Centro Ahram de Estudos Políticos e Estratégicos, no Cairo.

"Isso confirma a inclinação natural dos árabes de pensar que qualquer que seja a próxima administração, será uma ferramenta dos israelenses". Mas enquanto os árabes vêem pouca diferença entre os pré-candidatos em relação ao conflito israelense-- com todos comprometendo-se repetidamente com os interesses e a segurança de Israel-- o Iraque é visto como uma história diferente.

Xiitas e sunitas

A invasão das tropas norte-americanas no Iraque concederam mais poder as facções xiitas oprimidas pelo governo sunita de Saddam Hussein. Membros destas facções, como o Conselho Supremo Iraquiano Islamita, vêem com bons olhos uma possível vitória de McCain.

Jalal al Din al Sagheer, clérigo e membro do conselho acredita que a Presidência de McCain seria uma boa coisa: "Eu acredito que será positivo se um republicano ganhar. Nós já sabemos como os republicanos pensam".

Em visita à Jordânia, aliada política dos EUA na região, McCain declarou que a retirada prematura das tropas no Iraque iriam aumentar o poder do Irã e da rede terrorista Al Qaeda, dois inimigos do país.

Mas Mudhafer al Aani, membro do maior bloco sunita no parlamento iraquiano exigiu uma correção dos "grandes erros da administração". Para ele, McCain representa a continuidade do governo Bush.

Um analista político iraniano que preferiu não se identificar afirmou que, enquanto as autoridades estão mantendo distância da campanha eleitoral norte-americana, a preferência parece ir para o democrata Barack Obama. "Eu acredito que eles olham para McCain como uma espécie de continuidade da situação atual. Eu não posso dizer com certeza, mas o que apreendo de suas posições e que eles não querem uma repetição do mandato republicanio", afirmou o analista.

"McCain confirmou a intenção americana de manter as tropas no Iraque. Isso é algo que vai contra os desejos do Irã. Eles querem que os americanos vão embora", disse.

O comentarista político sírio, Thabet Salem afirmou que a postura favorável a Israel de McCain, assim como seu compromisso em manter as tropas dos EUA no Iraque poderiam causar uma maior instabilidade no Oriente Médio. "McCain exibiu pouca vontade de mudar a atual política externa atual, que encoraja o crescimento do fundamentalismo e do terrorismo", afirmou.

Com Reuters

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
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honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
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Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
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