Ao menos 50 morrem em confrontos no sul do Iraque
da Folha Online
Os líderes iraquianos enfrentaram o maior desafio em meses nesta terça-feira, após a milícia xiita Exército Mehdi lutar em Basra contra uma ofensiva realizada pelo governo e lançar foguetes contra a Zona Verde de Bagdá, área fortemente protegida pelo Exército dos EUA. De acordo com a rede de TV CNN, ao menos 50 pessoas morreram em Basra.
Ao menos 31 pessoas morreram e 88 ficaram feridas, segundo a agência de notícias Associated Press.
Homens do Exército Mehdi, leais ao clérigo anti-EUA Moqtada al Sadr, apareceram nas ruas de Bagdá pela primeira vez em mais de seis meses, após seguidores de Al Sadr anunciarem ataques e greves em protesto a ações contra o grupo.
Um soldado americano morreu nesta terça em Bagdá, segundo o Exército americano, mas não ficou claro se a milícia xiita foi responsável pela morte.
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Tropas iraquianas e americanas com o apoio de helicópteros lutaram contra os membros do grupo xiita no bairro de Cidade Sadr, em Bagdá, após o escritório local do partido do premiê do Iraque, Nouri al Maliki ser atacado, segundo o Exército americano.
A crise crescente --parte de uma intensa luta pelo poder entre diferentes facções políticas xiitas-- tem sérias implicações para os EUA. Uma escalada da violência pode acabar com o cessar-fogo declarado por Al Sadr em agosto passado. A retomada dos combates por parte da milícia pode matar militares americanos e ameaçar os ganhos de segurança anunciados por Washington como o início da estabilização do país,
O confronto também testa a capacidade do governo iraquiano liderado pelo xiitas em lidar com as milícias xiitas, com quem a liderança nacional têm mantido laços estreitos.
Al Maliki, xiita, ficou nesta terça em Basra, comandando a operação de segurança. Varreduras foram realizadas na cidade para livrá-la das milícias e grupos criminosos que controlavam as ruas antes mesmo de os britânicos entregarem o controle da cidade em dezembro.
Autoridades americanas e iraquianas afirmam que algumas facções do movimento de Al Sadr mantêm ligações com o governo iraniano, que fornece armas, dinheiro e treinamento --acusações negadas pelo Irã.
Boicote
O bloco político Sadr, fiel a al Sadr, anunciou nesta terça que não participará de nenhuma sessão do Parlamento iraquiano até que o primeiro-ministro ordene o fim da operação militar em Basra.
"O Bloco Sadr decidiu suspender sua participação nas sessões do Parlamento até o fim das operações contra os sadristas (seguidores de Sadr)", disse o porta-voz do grupo, Nasser al Rubaie, à agência de notícias independente Aswat al Iraq.
Os seguidores de al Sadr começaram na segunda-feira uma campanha de desobediência civil para protestar contra o governo, ao qual pediram para responder a suas demandas pelo que consideram maus-tratos à milícia.
Cidade sem lei
Nos últimos meses, Basra se transformou em uma cidade sem lei, depois que as três principais milícias rivais xiitas, o Exército Mehdi, as Brigadas Badr, do clérigo Abdul Aziz al Hakim, e Fadhila tomaram a região e impuseram suas próprias normas.
Devido à sua localização, Basra é um ponto vital, porque é a única saída do país para as águas do Golfo Pérsico, enquanto seus portos --o de Basra e o de Amiya-- são os principais centros para a exportação de petróleo.
Além disso, a maioria das jazidas de petróleo iraquianas se situam na província de Basra, de onde se exporta 90% do petróleo do país. A estabilidade na cidade é essencial para o Iraque atrair investimentos necessários na restauração de seus campos de petróleo e infra-estrutura de exportação.
Ao longo do dia, o som de explosões e tiros foram ouvidos pelas ruas de Basra, enquanto o Exército dos EUA e policiais iraquianos lutavam contra o Exército Mehdi em ao menos quatro bairros estratégicos.
A polícia iraquiana e soldados impediram o acesso de jornalistas às áreas de combates mais intensos. O coronel Karim al Zaidi,porta-voz do Exército do Iraque, afirmou que as tropas do governo enfrentavam forte resistência.
Moradores de um bairro disseram que atiradores do Exército Mehdi estavam atirando de telhados. Outros lançavam granadas contra as tropas dos EUA e do Iraque, e então fugiam em motocicletas.
As tropas britânicas continuaram em sua base no aeroporto de Basra e não se evolveram nos combates desta terça, segundo o Ministério da Defesa britânico. Os britânicos deram garantias de que o governo iraquiano poderia ser responsável pela segurança da cidade quando se retiraram no ano passado.
Na capital, diversas salvas de foguetes foram lançadas contra a Zona Verde, que abriga as Embaixadas dos EUA e do Reino Unido. Não houve relatos de mortos, mas as explosões fizeram a população local buscar abrigo em bunkers de concreto.
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