Mundo
27/03/2008 - 09h16

McCain promete mudanças radicais na política internacional de Bush

Publicidade

Colaboração para a Folha Online

O provável candidato republicano à Casa Branca John McCain enfatiza que desenvolverá um estilo de política internacional "radicalmente diferente" do desenvolvido pelo atual presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Em discurso sobre o tema, ele disse aos eleitores que é necessário aproximar-se dos aliados e esforçar-se para ser um parceiro "bom e confiável".

Enquanto as pesquisas de opinião já mostram McCain em uma disputa acirrada, com uma pequena margem em relação aos democratas Barack Obama e Hillary Clinton, McCain usou o discurso desta quarta-feira, em Los Angeles, para combater as críticas de que seu possível mandato seria uma continuação do governo Bush.

O atual presidente já declarou publicamente o seu apoio, o que muitos republicanos questionam se efetivamente ajudará McCain, já que Bush é impopular entre muitos eleitores.

"Nosso grande poder não significa que podemos fazer o que quisermos, quando quisermos e nem que devemos assumir que temos toda a sabedoria e inteligência necessárias para ter sucesso", afirmou McCain, que acabou de voltar de uma viagem a vários destinos da Europa e do Oriente Médio. "Nós precisamos ouvir as visões e respeitar o desejo coletivo de nossos aliados democratas", completou.

Crítica velada

No discurso, McCain concordou implicitamente com as afirmações de que a posição dos EUA no cenário mundial foi diminuída durante a administração Bush. Ele não citou, em nenhum momento, o nome de Bush.

McCain também realçou a importância de alguns aliados no Oriente Médio. "Por décadas, nós tivemos uma estratégia no Oriente Médio de confiar nos autocratas para manter a ordem e estabilidade. Nós confiamos nos legisladores autocratas do Egito, nos generais do Paquistão, na família real da Arábia Saudita e até, por um tempo, no [ex-ditador iraquiano] Saddam Hussein", afirmou.

"Nós não podemos mais nos iludir, achando que confiar nessas autocracias ultrapassadas é a aposta mais segura. Eles não mais garantem estabilidade, apenas a ilusão delas mesmas", afirmou.

Aquecimento global

Outro ponto importante da política defendida por McCain, e de sua tentativa de distanciar-se da atual administração, foi posicionar-se sobre o aquecimento global, tema que é praticamente ignorado por Bush.

"Há algo chamado boa cidadania mundial. Nós precisamos ser bons administradores do nosso planeta (...) Os riscos do aquecimento global não têm fronteiras. Nós e outras nações do mundo precisamos atuar seriamente para reduzir a emissão de gases do efeito estufa nos próximos anos, ou nós vamos entregar um mundo muito reduzido aos nossos netos", disparou.

No discurso, McCain também distanciou-se da política de Bush, reiterando outras posições contrárias à atual administração. Ele apóia o fechamento da prisão de Guantánamo, em Cuba, além de defender um esforço global para o desarmamento nuclear e um compromisso renovado no Tratado de Não-Proliferação Nuclear.

Crítica aos democratas

No discurso de política internacional realizado no World Affairs Council, como parte de um evento de arrecadação de fundos, McCain ignorou a oposição de muitos norte-americanos à invasão ao Iraque, que o republicano apoiou.

"Ao invés disso, ele alertou que a retirada das tropas do país, prometida por Obama e Hillary, resultaria em um "ato de traição inaceitável, uma "mancha no nosso caráter como uma grande nação".

A resposta de Hillary ao discurso ocorreu rapidamente, por meio de uma declaração: "Enquanto há muito a aprovar no discurso do senador McCain, ele e eu mantemos um fundamental desacordo sobre o Iraque".

Com Associated Press

Comentários dos leitores
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
Luciano Edler Suzart (34) 09/10/2009 10h20
A situação é periclitante, se antigamente se concedia o Nobel da Paz a quem de algum modo, plantava a paz no mundo, hoje (dada a escassez de boa fé geral) se concede o prémio a quem não faz a guerra... Como diria o sábio Maluf: "Antes de entrar queria fazer o bem, depois que entei, o máximo que conseguí foi evitar o mal"
Só assim pra se justificar esse Nobel a Obama, ou podemos ver como um estímulo preventivo a que não use da força bélica que lhe está disponível contra novos "Afeganistões" do mundo.
sem opinião
avalie fechar
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
honório Tonial (2) 16/05/2009 21h47
Considero ecelente vosso noticiario. Obrigado, aos 83 anos de mnha vida, 5 opiniões
avalie fechar
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Marcello Sokal (73) 07/02/2009 12h01
Óbvio que não poderiam aceitar,pois não teriam respostas claras para as legítimas questões do presidente iraniano,esse sim um verdadeiro estadista que sabe da verdade dos fatos e não tem receio de buscar responsabilizar os culpados. A política imperialista norte-americana é velha conhecida mas pessoas convenientemente "esquecem" disso - não respeitam a soberania das nações e se arvoram em ser os "defensores da liberdade" - é o país que mais se envolveu em guerras,revoluções,invasões e intervenções da história da humanidade.A única nação que já bombardeou outro país (na verdade cidades,repletas de civis inocentes) utilizando armas nucleares. O apoio norte-americano a Israel é uma vergonha, apoiando todo tipo de atrocidade possível,dando carta branca e fornecendo armas de alta tecnologia.
Em resumo: o grande vilão nisso tudo não é o Irã....mas tem tolo que prefere não ver influenciado pelo mentiroso american-way-of-life,lamentável.
13 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (2849)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca